Bolsa de graduação na Coreia

Aqui vai a dica para quem quer vir se aventurar na Coreia. Saiu o edital para a bolsa de graduação do governo coreano. A má notícia é que este ano reservaram só uma vaguinha para brasileiros. Não sei quanto ao pessoal da graduação, mas o número de bolsas para brasileiros que vêm fazer mestrado ou doutorado tem diminuído, acredito eu, por uma certa instabilidade no pessoal.


Tem uma turma aí que se candidata para 20 bolsas em 20 países diferentes, e quando são selecionados só avisam que não querem mais de última hora. Parece que em 2007 não veio nenhum brasileiro por causa disso. Amarelaram de última hora. Neste ano, dois brasileiros foram selecionados: um desistiu e o outro, Almir, chegou a vir mas teve problemas de saúde na família e infelizmente teve que voltar. (Aliás... ô Almir, dá sinal de vida aí! Encontrei sua turma semana passada e muitos perguntaram por você).


Um conselho aos interessados: não se dê ao trabalho de se inscrever nessa bolsa se você 1) só tem fixação com coreaninhas(os), 2) só gosta de K-pop, 3) não tem nada melhor pra fazer na vida e 4) fica homesick em 2 meses. Aos que têm "fantasias asiáticas", vocês não têm ideia de como esse povo aqui é complicado. Aos K-popeiros, cuidado com a overdose. Aos que não têm nada melhor pra fazer, tenham certeza de que não terão nada melhor mesmo pelos próximos 5 anos. Aos grudados à família e amigos, pensem muuuuiito bem, afinal, a Coreia não é aí na esquina.


Mas se você: 1) procura uma oportunidade de vivenciar intensa e extensamente uma cultura muito diferente, 2) quer ter um currículo diferenciado em que um curso na Coreia faça sentido e 3) está disposto estudar muito mesmo... então recomendo que dispute essa vaga.


Você pode baixar o edital 2010 no site do NIIED ou então diretamente nestes links: documento 1 e documento 2.


Por favor, leiam o edital atentamente. Se o seu inglês não é bom o suficiente para entender o que está escrito no edital, sinto muito, mas esta bolsa não é para você. Terei o maior prazer de responder as perguntas cujas respostas não estejam explícitas no edital.


Exemplos de perguntas idiotas que tenho recebido:


* Só aluno de universidade federal pode se candidatar?
* Tenho que comprovar dinheiro na conta pra ganhar a bolsa?
* Eu preciso falar inglês mesmo ou isso é bobagem?
* A média de notas exigida é de 80%. É 80% durante meu curso todo ou 80% em cada matéria?
* Tenho 13 anos, será que posso tentar essa bolsa?
* O que significa a sigla NIIED?


No início eu respondia tudo, mas agora eu tô meio chato, sabe. É que começou a chegar muita pergunta preguiçosa, de gente que só tá curiosa, e que nem leu o edital. Daqui a pouco vou começar a dar pancada que nem o Gustavo. Ou então vou virar o Saraiva, tolerância ZERO!


Tá, eu nem sou tão mau assim. Quando eu percebo que o sujeito é sério e faz perguntas pertinentes, respondo na boa. Até porque vejo nele a possibilidade de ser nosso futuro companheiro por aqui.


O edital para a bolsa de mestrado, doutorado e pesquisa deve sair até abril de 2010. Quem está realmente interessado, vai se preparando, faz o TOEFL, traduz documentos (diploma, histórico, etc) para não ter que ficar na correria de última hora.


Boa sorte!


PS: Para se candidatar, você deve entrar em contato com a Marcela, na Embaixada da Coreia em Brasília. Mas vê lá hein, não vai ficar alugando ela com perguntas idiotas. Apesar que ela é um anjo! ^_^ Teve que aguentar minhas ligações todos os dias para saber se o resultado tinha saído!


Marcela Formiga
Assessora de Relações Públicas
Embaixada da República da Coreia
SEN Av. das Nações, Lote 14
Brasília-DF, 70436-900
Tel:  (61) 3321-2500
Fax: (61) 3321-2508
embbr1@linkexpress.com.br

Repolho como flor e árvore de minissaia. Coisas da Coreia!

Como eu disse na postagem anterior, os coreanos adoram misturar verdura em tudo quanto é prato, mesmo quando é churrasco. Até aí tudo bem. As esquisitices começam quando as hortaliças passam a fazer o papel de plantas ornamentais. Isso mesmo! Como no inverno a maioria das espécies vegetais murcham, secam ou ficam peladonas, os coreanos recorrem ao que dá para deixar as ruas bonitinhas. E que tal usar repolho como enfeite?


Tem o roxinho...


...e o branquinho!



Dá até pra sair juntando os ingredientes pra cozinhar um charuto.


Na verdade, eu não sou nenhum especialista no assunto. Vai ver essa é até uma espécie diferente que nem dá pra comer. Mas aparentemente é da mesma família do repolhão do Sacolão do Seu Juca na esquina.

Outra coisa interessante aqui é a preocupação que os coreanos têm com as árvores. No Brasil, pelo que eu sei, quando se planta uma árvore, coloca-se um suporte para apoiá-la enquanto ainda é fraquinha. Mas depois a árvore se "encorpa" e tem que dar conta de ficar em pé sozinha.

Já aqui, parece que o pessoal dá a ajudinha pelo resto da vida da árvore. É que eles adoram plantar uma espécie de árvore "tradicional" coreana que, infelizmente, tende a crescer meio "disguei", quase tão torta quanto as do cerrado brasileiro. Então os caras ficam paranoicos: colocam dois, três, quatro paus apoiando uma árvore de 4 metros de altura! Tudo pra ver se a menina cresce retinha. Às vezes, em vez de paus, amarram cordas puxando para lados opostos, como na foto abaixo.



E o detalhe mais tosco: como estamos no inverno, as árvores usam roupinhas pra não morrerem de frio! Ui ui!





Essas árvores coreanas são muito viadinhas pro meu gosto. Em tempos de mudança climática, elas tinham que aprender a se virar com as condições adversas, ora! Daqui a pouco vão contar historinhas para elas dormirem, e não vão apagar as luzes do lado de fora porque elas têm medo do escuro.

Algumas são mais ousadinhas e usam minissaia (ou top, dependendo do ponto de vista):




"Amor à Árvore"


Agora, falando sério, um dia perguntei pra um amigo coreano o motivo dessas frescuras arborescas. Ele me disse que tem um tipo de inseto que se esconde em lugares quentinhos no inverno, e quando a primavera começa, eles saem famintos e atacam as árvores. Com as "roupinhas", os tais insetos se escondem debaixo delas, e no final do inverno elas são tiradas, recheadas de bichinhos, e assim as árvores não sofrem com as pragas.

Se é verdade ou não, eu não sei. De qualquer maneira, é uma viadagem para explicar outra! O Brasil tem a maior variedade de insetos, em espécies e tamanhos, e nunca vi árvore morrendo fácil assim por causa de meia dúzia de praguinhas. E olha que já presenciei ataques de saúvas no quintal da minha casa em Campo Belo, do tipo que meu pai tinha que colocar um tanque de inseticida nas costas (igual ao dos caça-fantasmas) e declarar guerra às formigas.

Falando em viadagem, aqui vai mais um vídeo da nossa última viagem.


http://www.youtube.com/watch?v=SkfoABVmpew

Amanhã de manhã estou saindo de viagem de novo. Desta vez o NIIED vai levar a gente para Andong, um vilarejo que preserva a cultura tradicional coreana e é muito famoso por isso. Quando a Rainha Elizabeth veio à Coreia até ficou hospedada lá. Depois sigo direto para nosso Natal brasileiro na casa da família brasileira mais bacana da Coreia! ^_^ Eles até apareceram no Fantástico de ontem!

Então... Feliz Natal a todos! Que sejam dias de repensar posturas, de reconciliar, de perdoar, de abraçar e beijar muito, e de relembrar o verdadeiro sentido do Natal, que é Cristo nascendo em nós. Um grande abraço a todos!

Meu primeiro samgyeopsal nas férias

Enfim, férias! Só esperem que eu não tire férias do blogue também, porque a vontade de ficar longe do computador tá grande. Fiquei traumatizado passando tanto tempo com ele, digitando trabalhos e mais trabalhos...

A boa nova é que logo no primeiro dia de férias já juntamos a turma e fomos para Anmyeondo para "brincar" (no sentido coreano da palavra). Eu já tinha ido lá em junho, mas foi muito legal ver que em estações opostas alguns lugares mudam completamente, então nem fica repetitivo.

Nossa turma em frente à casa onde nos hospedamos em Anmyeondo 



A minha filmadora trabolhilda está de volta à ativa, e espero ter tempo de mostrar muita coisa bacana aqui pra vocês. O lugar em que ficamos era muito tranquilo e bonito, e como nevou bastante ficou melhor ainda. À noite, depois de nevar, o céu se abriu e pela primeira vez vi uma noite estrelada na Coreia como no interiorzão do Brasil. Quem mora em cidade grande sabe como é difícil ver um céu limpo de dia e até as menores estrelas à noite. Essas pequenas coisas recarregam minhas baterias!

Mas hoje eu selecionei um pequeno trecho que gravei para falar sobre a comida coreana. Mais especificamente o sampgyeopsal (삼겹살), o churrasco coreano.

Vou ser sincero. A comida coreana, para mim, não é daquelas que descem fácil logo de cara. Ela tem muitas semelhanças com a comida japonesa, mas, ao contrário da japonesa, que pega bem leve nos temperos, a comida coreana manda ver na pimenta. Um brasileiro que queira viver na Coreia e comer só a comida local tem que ter o estômago muito bom pra comer de tudo, ou então gastar tempo provando e descobrindo os pratos que o agradam.

Com o samgyopsal, no entanto, a coisa geralmente é diferente. É a típica comida que ocidental come aqui sem maiores problemas. Sam (삼) significa três, gyeop (겹) significa dobrasal (살) significa carne. É um tipo de corte da carne do porco que tem três camadas de gordura. O dia 3 de março é também o Dia do Samgyeopsal, só por causa da data (3/3). Mais uma ideia comercial, bem no estilo do Dia do Pepero (11/11).

Uma coisa que eu gosto na comida coreana é que, em geral, ela é tem mais verduras e legumes que a deliciosa comida mineira, por exemplo. Uma típica "comida de domingo" na minha casa em Minas, seria ou lasanha, ou churrasco (carne, carne, carne, carne... e pão-de-queijo!), e talvez um feijão tropeiro. E de sobremesa, doce, claro. Doce-de-leite, doce-de-cidra, goiabada com queijo, doce de figo, arroz-doce, enfim... tem que injetar açúcar na veia!

Parece uma coisa óbvia a equação "sobremesa = doce". Mas não na Coreia. Aqui o conceito de sobremesa praticamente se resume às frutas. Às vezes até alguma "papa" de algum legume pode ser considerada "sobremesa". E no prato principal, enfia-se verdura onde der!

Apesar dos hábitos alimentares dos jovens estarem sendo bem ocidentalizados, considero a alimentação aqui ainda infinitamente mais saudável em alguns aspectos. Na hora da refeição, por exemplo, você não vê ninguém reclamando que não tem refrigerante. Geralmente é um copinho d'água ou uma sopa aguada.

Eu, chocólatra e criado à base de doces mineiros, tenho um paladar que sempre implora por doce depois das refeições. Mas, pensando mais racionalmente, vejo o quanto minha alimentação tem melhorado, afinal de contas, desenvolver um diabetes não está nos meus planos futuros...

Pra vocês que estão daí e podem comer churrasco "de verdade", aqui vai um vídeo da gente fazendo o samgyeopsal. Bom apetite! :)

http://www.youtube.com/watch?v=yWgBMy6hiaM

O Homem que era Superman

A semana lá vai que é uma beleza. As provas pegando pra capar, e eu não consigo desempacar com os trabalhos que preciso fazer até o fim de semana. E pra melhorar a situação, ontem ganhei um belo não pro estágio que eu tava tentando conseguir.

Ontem à noite, depois de tentar fazer alguma coisa academicamente útil, eu, que não sou coreano, achei melhor mesmo é relaxar, comer umas besteiras e ver um filme antes de dormir. Cérebro estressado não funciona. Só dá pancada no Pinky.

Espia só o filme coreano que assisti: O Homem que era Superman (슈퍼맨이었던 사나이 - detalhe na pronúncia coreana para o super-heroi: "chupómen"). É um filme baseado numa situação real, apesar que desconfio que a história em si tenha sido muito diferente. É uma mistura de comédia e drama, com uma mensagem muito simples e, digamos, pura. Gosto de filmes que relativizam a insanidade inocente das pessoas - principalmente quando estou à beira de um surto coletivo!




Como acho improvável que você encontre esse filme no Brasil, já disponibilizo aqui o vídeo para assistir online. Puxei do site mysoju.com, que tem vários filmes, séries e novelas da Coreia, do Japão e de Taiwan. A legenda infelizmente está em inglês (e com um T maiúsculo meio irritante). Mas também, queria o quê? Não se encontra Carandiru com legendas em coreano dando bobeira pela internet, né. Aproveita e lembra que você também precisa aprender inglês. Matricule-se já na Cultura Inglesa perto da sua casa (propaganda, já que meus amigos da Cultura/BH são leitores...^^), e de preferência nas unidades Cidade Nova ou Pampulha, onde eu dava aula.

O Homem que era Superman (parte 1 de 7)


Novo boleiro na Tous Les Jours

Final de semestre. Três apresentações, quatro trabalhos finais e três provas me aguardam pelos próximos dez dias. Então, sem muito tempo de postar coisa rebuscada, pesquisada, meditada...

Alguém aí conhece o Tous Les Jours? Não sei o quão famosa essa "padaria" é, mas aqui na Coreia ela tá em todo canto, assim como a Paris Baguette. Como em quase todo lugar, na Coreia essa moda de usar palavras estrangeiras é muito comum. Talvez aqui seja numa intensidade ainda maior. A coisa mais difícil que tem é comprar uma camiseta com algo escrito em coreano. Quase sempre é algo em inglês, e muitas das vezes com erros de ortografia grotescos.

Mas isso não vem ao caso, porque a estripulia da vez foi no Tous Les Jours (뚜레쥬르, que se pronuncia por aqui como "turedjuru"). É que estou participando de um programa, junto com alguns outros brasileiros, para tentar conseguir um estágio nas férias, e parte disso consiste em conhecer várias empresas, de vários ramos. A última foi essa "padaria", que de pão mesmo tem muito pouco. Tenho a impressão que eles lucram mesmo é com os bolos de aniversário que fazem.

Para conhecermos bem o processo todo, nada melhor do que colocar a mão na massa! Um carinha que se diz "boleiro profissa" fez um bolo em 5 minutos pra gente aprender e depois fazer o mesmo. Nada de especial para um mineiro do interior que cresceu rapando tabuleiros de bolo que a mãe fazia sempre - e muito bem, diga-se de passagem. Mas para os asiáticos e alguns outros estrangeiros que não sabem de onde vêm os bolos, biscoitos e outras quitandas, o boleiro estava esculpindo uma obra de arte. A cada floquinho de creme se ouvia um uníssono "óóóóóó" que se alternava com o coreaníssimo "uuuuáááááá". Os pobrezinhos não conhecem as receitas secretas da tia Marilda nem o bolo de prestígio da minha mãe. Sem mencionar o bolo de cenoura, com a cobertura de chocolate penetrando nos buraquinhos que o garfo fez, premiando alguns sortudos...

Acho que estou delirando. Tenho que voltar aos estudos. Deixo com vocês as fotos do "boleiro por um dia". Abraço!








O melhor foi que ainda ganhei o avental deles. E segundo a Giovanna, eu teria que ouvir piadas pelo resto da vida se publicasse essas fotos (que, aliás, foram tiradas com a câmera nova!). Mas pra quem já pagou mico em vídeo como eu, umas fotinhos não são nada! :)

PS: Instalei um plugin chamado Intense Debate no blogue para tentar melhorar o formulário de comentários. Assim será possível responder a cada comentário especificamente. Vamos ver como fica. Se vocês não gostarem a gente volta pro que era.

Uma Samsunguinha pro blogue

Hoje eu quero dedicar um pouco do meu tempo só pra fazer uma média com vocês, companheiros de prosa deste humilde blogue. Como já disse aqui antes, quando criei o De Prosa na Coreia, o objetivo era pura e simplesmente manter atualizados meus amigos e familiares no Brasil sobre minhas estripulias pelas bandas de cá da bola. Mas acabou que muitos dos leitores mais assíduos são aqueles que nunca vi na vida, que acompanham o blogue por interesse em saber mais sobre a Coreia ou só porque gostam das minhas histórias.

E nessa semana que passou, o De Prosa na Coreia ganhou um prêmio que quero dividir com vocês. (Oba!) Só pra recapitular, em maio deste ano eu recebi um email convidando para participar do programa World Students in Korea, promovido pelo PCNB (Presidential Council on Nation Branding). Eles queriam incentivar os estudantes blogueiros estrangeiros que escrevessem mais sobre a Coreia em suas línguas, para criar vínculos com outros países, já que a Coreia até pouco tempo estava muito isolada. Jogada de marketing do governo coreano, claro.

Como eu já tinha meu bloguinho querido no ar, a única coisa que fiz foi me inscrever e dizer que estava participando. Não mudei nada no estilo ou conteúdo das postagens. Disseram que em novembro dariam prêmios para alguns, mas nem criei tanta expectativa, porque postei umas coisas legais, mas também umas bem polêmicas que com certeza coreano não gostaria de ler.

Resultado: o De Prosa na Coreia não ganhou o melhor prêmio, mas papou o de "blogue de destaque", e eu trouxe pra casa uma câmera da Samsung! êêêêê! ^_^ Até me pediram pra fazer uma apresentação sobre "como fazer um blogue legal". Entupi vocês de elogios, leitores amados e vitaminados. Disse que sem vocês, não teria graça nenhuma atualizar esse cantinho!


Os premiados. Algumas figurinhas repetidas: Gustavo e Jamali (na esquerda) e eu, com o jaquetão de courooooo!


"Faz assim: conta o que você vê nas ruas da Coreia e os leitores vão achar que você é um cara muito criativo e sabe inventar histórias muito bem."


O prêmio. Não é assim uma Brastemp... Mas é uma Samsung.

Quando eu disse em dividir o prêmio, é claro que foi simbólico. Não tô a fim de desmontar minha camerinha nova e enviar as pecinhas pra cada um de vocês... Mas agora não vou ter mais a desculpa de não tirar as fotos na rua. Sempre que eu não quiser carregar meu trambolhão, vou colocar essa belezurinha no bolso. E no final as fotos virão aqui pro blogue, pra todo mundo! :)


O Gustavo também ganhou um prêmio. Mas como os proseadores aqui animam mais nos comentários do que lá, em vez de câmera ele ganhou um MP3 player. Agora ele resolveu apelar pra ver se o Ibope aumenta. Olha só o novo logotipo do blogue dele. E pra variar ainda o entrevistaram depois da premiação, porque são todos apaixonados (homens e mulheres coreanos) pela cabeça pequena do Gustavo. No quesito "monumento nasal" a gente empata, mas como pra coreano quanto menor a cabeça mais bonito é o cara, o Gustavo, cujo crânio parou de crescer quando ele tinha 4 anos de idade, é modelo profissional na Coreia.

Vou ficando por aqui. Só pra descontrair, gostaria que vocês deixassem um comentário dizendo quem é e por que acompanham meu blogue. Sei que sempre há muitos que lêem e não comentam, mas vou ficar feliz só de saber que vocês existem (blogueiro carente? haha). Abraços a todos. E vamos que vamos!

Chinês tem senso crítico?

Eu fico me perguntando o que se passa na cabeça dos chineses, os que são criados na China. Na Coreia eles estão em todo lugar, e com certeza representam a maioria esmagadora dos imigrantes que vivem aqui. No meu departamento não é diferente. Acredito que sejam mais da metade de todos os estrangeiros que estudam aqui. Muitos até se "camuflam" por falarem coreano muito bem e se vestirem como os coreanos.

Mas o que sempre me deixou curioso foi saber o que os chineses pensam sobre o sistema do governo deles, sobre direitos humanos, liberdade de expressão, etc. Com os chineses que eu conhecia até então, só percebia um nacionalismo parecido com o dos coreanos, só que mais agressivo, a ponto de não aceitarem qualquer tipo de brincadeira com seu povo, sua língua ou seu governo.

Aqui, em várias das discussões na sala de aula sobre livre comércio, mão-de-obra barata, democracia, e tudo o mais que vocês imaginarem que se possa discutir em política e economia, falar sobre a China é inevitável. Só que a galera de chineses da minha turma não abre a boca pra compartilhar a visão deles. O professor provoca pra ver se sai alguma coisa, mas é sempre uma opiniãozinha fraquinha, que quase sempre parece uma desculpa para qualquer coisa de errado que o governo chinês faça.


Hoje, na aula de coreano, que nada tinha a ver com política, surgiu um papo sobre liberdade de expressão. Isso porque a professora mostrou um jornal coreano falando sobre um recente episódio dos Simpsons com o presidente francês Sarkozy e sua esposa, fazendo gozação com os estereótipos, claro.

O jornal disse que o episódio gerou muitas reações entre os franceses, mas isso não tinha nada de novidade, afinal o episódio dos Simpsons no Brasil levou a prefeitura do Rio na época até a ameaçar entrar com um processo contra seus produtores. Tudo normal.

Eu, então, perguntei à professora como seria visto algo do tipo com o presidente coreano, já que o cara é tão impopular por aqui. Ela arregalou os olhos, pensou na impossibilidade da cena, mas acabou dizendo que é até possível, só não seria muito aceito entre os mais velhos, mesmo o cara não sendo popular. É falta de respeito. Perguntei então aos três chineses que estavam na sala:

Eu: "E na China, o que acontece com quem faz uma piada contra o presidente?"
Uma chinesa respondeu: "Eles matam a pessoa que fez a piada."
Eu: "E vocês acham que isso pode mudar? Existe uma vontade do povo chinês por mais liberdade?"
Outro chinês: "Você tem que entender que a China tem uma história de sucesso. A Índia, por exemplo, é uma democracia mas o povo é muito pobre."
Eu: "Mas minha pergunta foi sobre a liberdade de expressão. Se o governo é tão bom assim, não devia ter medo das críticas. Você, particularmente, não gostaria de poder exigir seus direitos sem medo de ser morto pelo governo?"
Chinês: "Veja bem. A China tem crescido muito nas últimas décadas, cada vez mais as pessoas têm mais acesso a educação, e...."

Ele continuou nesse papo mais uns 3 minutos, falando do sucesso da China. Olhei pra professora, que assistia à conversa, desisti de perguntar qualquer outra coisa e fiquei quieto no meu canto.

Em momento nenhum questionei o show do crescimento da economia chinesa. Mas o que me impressiona, é que já tentei ter essa conversa com pelo menos uns 5 chineses, e as respostas deles são sempre de negação ("não, imagina! na China todo mundo é livre!"), de desculpa ("mas o governo é tão bom pra economia...") ou simplesmente dizem que não sabem o que dizer.

Será que a lavagem cerebral comunista é tão braba assim na escolinha das crianças chinesas? Mais uma vez, lembre-se que estou falando dos chineses nascidos e criados na China. Não me venha trazer um chinesinho que cresceu em Nova York e pensa diferente. A verdade é que ou os chineses têm muito medo de dizer o que pensam, ou realmente eles não pensam muito sobre muitas questões.

No final da aula, a professora me perguntou sobre as piadas de políticos no Brasil, e eu, só pra escandalizar um pouquinho, entrei no Youtube e mostrei umas charges do Chico (Jornal da Globo) e uma cena qualquer do Casseta e Planeta fazendo gozação com a imagem do Lula. E falei como é interessante que, no país da piada pronta, piadinhas do tipo não fazem nem cócegas na popularidade do presidente.

Showzinho nas eleições estudantis


O que você faria para eleger sua chapa e representar os estudantes da sua universidade? Aqui na Coreia se faz de tudo. Repito. De tudo!

Ano passado, quando eu morava em Cheongju, mais ou menos nessa época do ano vi cenas inacreditáveis no campus da universidade de lá. O pessoal vestia umas roupinhas coloridas, e homens e mulheres rebolavam mais do que a Carla Perez no seu auge. Não é exagero, tô falando sério. No dia em que ganharam as eleições, os homens vestiram roupas de Power Rangers e as mulheres de Wonder Girls (detalhe: minissaia com as pernas de fora num frio de zero grau) e dançaram num palco pra comemorar a vitória.

Mas como não tirei foto ou gravei vídeo, não insisti muito nessa história porque poderiam pensar que sou maluco, e eu mesmo acabei acreditando que o que vi era miragem coreana. E também achei que fosse coisa do interior da Coreia, que só numa "roça" como Cheongju essas coisas aconteciam. Mas agora que já nem lembrava disso, começaram as eleições de novo! Esse povo tá em todo canto da universidade Kyung Hee pagando altos micos. Ontem de manhã dei a sorte de estar com a minha câmera na hora. Gravei essa cena no ponto do ônibus interno do campus aqui de Suwon, quando o estava esperando para ir para a aula às 8 e meia da manhã (note que a gravação acaba quando chega um ônibus).

O mais interessante é a indiferença dos estudantes coreanos com esses showzinhos. Ninguém ri, ninguém se entreolha com cara de "Jesuiiis!", nada. Como mostrei aqui outro dia, com a pagação de mico nas ruas pra fazer propaganda de soju ou qualquer outra coisa, coreano já cresce acostumado com essas bizarrices. E eu me divirto! ^^


http://www.youtube.com/watch?v=NAuex6Lh07M

Asiático é baixinho?

Quem é muito baixinho acaba tendo que ouvir apelidos como "pintor de rodapé", "salva-vidas de aquário", "segurança de playmobil", "surfista de microondas" e - o mais oriental de todos - "lenhador de bonsai".

Se você acha que o papai do céu bem que poderia ter te dado uns centímetros a mais, você não faz ideia do drama que os coreanos vivem. No país dos olhos e nariz pequenos, zoião e narigão são dádivas de Deus - ou do cirurgião plástico. Não podia ser diferente com a altura. As mulheres usam saltos gigantescos para ficarem mais altas, e seus pobres namorados sofrem pra manter a aparência de que são mais altos que elas.

Abaixo tem um vídeo do Bom Dia Brasil que, sabe-se lá por quê, resolveu falar sobre o assunto. Não se assustem com o sapato de salto para homens: há duas semanas tive que comprar um par de sapatos e qual não foi minha surpresa ao descobrir que a maioria tinha salto escondido. Apesar de que meus 1,76m de altura não são lá essas coisas, artimanhas do tipo ainda são deveras bizarras pra mim.

O pior de tudo é que as empresas também levam a altura em conta na hora de selecionar novos empregados. Tem uma parte do vídeo em que um garoto coreano diz por que acha importante fazer tratamento para crescer: ele é 2cm menor que a média dos colegas, e isso pode prejudicá-lo a encontrar um emprego no futuro. Dizem que muitas empresas pedem a altura do cara no currículo, e é possível que usem isso como critério de desempate.

Mas o que intriga é que, ao contrário do que se pensa, os sul-coreanos não são tão baixinhos. Entre os homens no meu departamento, confesso que eu sou um dos mais baixos. Tem bicho lá com vocação pra jogador de basquete.

Ainda que haja características genéticas que influenciem, e é possível que você veja uma asiática menor do que você achava que fosse possível existir, o nível de desenvolvimento do país influencia muito. Espia só esse link com as tabelas de altura média por país. A Coreia tá bem acima do Brasil. Isso porque, acredito eu, a desnutrição tem um impacto violento na altura das pessoas em um país com muitos pobres.


Lula e Marisa, Obama e Michelle. Será que foi a fome que Lula passou na infância?


Aqui vai o vídeo. Meninas, se altura é importante pra vocês, peçam pro coreano tirar o sapato antes de sair com ele. Mas não usem salto se sairem comigo! ^^


Convidou, pagou!

Muito cuidado ao convidar um coreano para fazer qualquer coisa! Pense muito se você vai ter dinheiro pra bancar o convite. Aqui na Coreia, quando se convida alguém para comer, ir ao cinema, a um jogo, qualquer coisa, quem paga é quem convidou. Isso mesmo! O famoso "fazer uma vaquinha" é coisa de brasileiro, e aqui é a exceção à regra.

Já me dei mal algumas vezes por não saber disso quando cheguei aqui. Lembro que uma vez, no ano passado, chamei o Yosep pra ir ao cinema, e o cara ficou feliz da vida. Daí veio me perguntar se podia chamar mais alguém, e eu disse "claro, ué!". E ele repetia "muito obrigado! muito obrigado!". Depois veio me dizer que na verdade queria chamar mais DOIS amigos, mas que estava preocupado comigo. E eu só dizia: "deixa logo de frescura e chama quem você quiser!!!". Quando ele percebeu que a esmola tava demais, perguntou: "mas você vai ter dinheiro pra pagar pra todo mundo?"

"Como assim?! Ficou maluco?", pensei. Cada um que pague o seu. Afinal era cada um mais liso que o outro. A gente faz umas graças dessas só com namorada ou amigo muito chegado, e mesmo assim se tiver dinheiro sobrando. Aqui não. Conheço nego que se endivida pra manter o status, e paga pra galera.

O lado bom é quando alguém te convida pra comer alguma coisa. Ô, maravilha! ^^ Principalmente se for mais velho: o cara paga tudo, é batata!

Mas ontem caí na armadilha de novo. Tava aqui no departamento até altas horas pra terminar uns trabalhos. Na sala de estudos estavam eu e mais uns dois chegados, e uma turma mais longe um pouco. Meu estômago roncando, todo mundo com fome, e ninguém falava nada. Não aguentei: "pessoal, vamos pedir uma pizza?". A alegria foi geral! Procurei na internet, e achei um delivery aqui perto. Promoção: 1 pizza era ₩12.000 e duas eram ₩16.000 (com uma coca incluída). Como tava com muita fome mas meio quebrado, já calculei duas pizzas e uns 5 milzinho pra cada.

Quando chegou a bendita, os coreanos não só não pagaram, como chamaram todo mundo que tava na sala pra comer junto e anunciaram "o Henrique é quem convidou!" e todo mundo aplaudiu e me agradeceu. E eu com aquela dor no bolso... ai, Jesus... logo esse mês que eu tô vendendo o almoço pra comprar a janta!

Às vezes me sinto o ser mais egoísta nessa Coreia. Mas aos poucos eu tô aprendendo. Quando se vai comer ou beber, você nunca se serve primeiro. Alguém tem que se levantar e servir a todos, um por um, e no final alguém tem que se oferecer para te servir. Sem esquecer de observar as boas maneiras com os mais velhos: segure sempre a garrafa com as duas mãos.

Na hora de pagar, se não teve ninguém que "convidou" ou se a conta for visivelmente cara, dá pra dividir de boa. E se você for o mais velho mas não tiver muito dinheiro, é bom torcer para que o coreano saiba que em outros países o sistema é diferente. Já teve coreano que não deixou eu pagar tudo, mesmo sendo mais novo, só porque morou nos Estados Unidos e sabe que o normal é rachar a conta.

E já que estamos falando de dinheiro, olha só a carinha do dinheiro coreano (won):



Para fins de comparação, ₩1.000 é como R$1. As moedas de ₩1 e ₩5 já nem são usadas mais, de tão insignificantes que seus valores se tornaram. Aqui na Coreia não houve os cortes de zero que houve no Brasil na época da hiperinflação. Mas o mais interessante é que até este ano, a nota mais alta que eles tinham era a de ₩10.000. Dá pra imaginar se R$10 fosse a nota mais alta no Brasil? Pois é. Às vezes eu tinha que sacar uma quantia alta e sair com aquele bolo na mão. Ainda bem que aqui é mais seguro, porque em terras tupiniquins esses bolos de notas são farejados de loooonge pelos assaltantes.

O motivo pelo qual não podiam fazer uma nota de valor mais alto, segundo o Juliano, é que a figura impressa nela é do Rei Sejong ("o Grande"), o cara mais idolatrado na Coreia. Foi ele que inventou o alfabeto coreano (hangul) para substituir os caracteres chineses. Portanto alguns acreditavam que não poderia haver um valor mais alto.

Porém, decidiram que precisavam fazer a nota de 50 mil wons, mas que personalidade usariam? Bom, ela finalmente saiu em junho, espia só:



Colocaram a foto de uma mulher! Sociedade moderna, não? Pois é, mas quando fui ler sobre o porquê dessa mulher, olha o que achei: "Seu nome é Shin Saim-dang, grande escritora e artista, também mãe de Lee Yul-gok (impresso na nota de 5 mil). [...] O Banco da Coreia afirma que ela foi escolhida pelo seu talento e porque ela incorpora os ideais culturais de ser obediente aos pais, devota ao marido e dedicada a educar seus filhos." (korea4expats)


Achei a justificativa meio estranha, mas bem coreana. Apesar de não corresponder muito à realidade da Coreia moderna, os "ideais" ainda são fortes. Até agora não consegui botar meus dedinhos na nota de 50 mirréis... Se eu conseguir, não convido ninguém pra sair! :D

Feliz Dia do Pepero!


Pepe... quem? Isso mesmo. Hoje é Dia do Pepero (Pepero Day ou 빼빼로 데이). "Peperos" são esses palitinhos cobertos de chocolate. Na verdade a romanização correta seria "ppaeppaero", mas se pronuncia como "pepero" e a escrita fica mais bonitinha.

Não tem muita coisa por trás desse feriado, além da jogada de marketing genial da Lotte, empresa que começou a fazer os palitinhos de chocolate na Coreia nos anos 80. Inventaram que o dia 11/11 seria um bom dia para se comer palitinhos de chocolate, já que a data lembra vários palitinhos enfileirados.

A Lotte nega que tenha inventado a tal data. Alegam que simplesmente "notaram" que as vendas de pepero subiam sempre no dia 11 de novembro, e só então começaram a encorajar a ideia, no início dos anos 90.


O resultado é que essa moda realmente pegou, e virou meio que um Valentine's Day, quando você tem que dar pepero para os amigos, namorado(a), etc. Os peperos mais comuns são os da foto ao lado, mas no supermercado vi pepero de tudo quanto é tipo e tamanho.

Como aqui não se celebra a Páscoa, esse é o dia em que o pessoal se entope de chocolate. Na verdade os cristãos até celebram a Páscoa, mas com ovos de verdade, pintados. Como ganhei muito pepero e sou chocólatra, pressinto que amanhã o banheiro aqui vai se deleitar com minha presença.

Vai um pepero aí? ^^

De prosa na pia

Tô com uma meia dúzia de posts na minha cabeça que quero escrever, mas como o semestre letivo aqui é muito curto, já estamos a um mês do fim das aulas, o que significa que tenho que escrever umas boas milhares de palavras de trabalhos finais, além das provas, claro.

Mas um super evento como este eu não podia deixar passar! A Selma fez uma feijoada ontem que foi simplesmente SEN-SA-CIO-NAL! E ainda teve arroz-doce de sobremesa... ai, Jesus. Parece que fui ao Brasil e voltei rapidinho.

E tava parecendo reunião de blogueiro brasileiro na Coreia, afinal estavam presentes a Selma (e a Beatriz, claro, protagonista do Sentada na Pia), o Renato (do Nós na Coreia), o Juliano (do Kimchi com Café), o Gustavo (do Gustavo in Korea), a Agatha (do Inside Korea) e eu. Além da Briza (que, em tese, é blogueira também, mas só escreveu um post até hoje e cansou), a Eun Bee, a Rebeca e o Marcus, casal gente fina que tá morando há alguns meses em Seul também, mas que só conheci ontem.

Anfitriões de primeiríssima! Valeu, Selma, Renato e Bia! Hora que der um tempinho aqui mando os vídeos também, que ficaram uma beleza. :)


A artista e eu. Fiquei na dúvida se escrevia "De prosa na pia" ou "De prosa com Bia", porque essa aí dá um show de conversa boa!



Briza aprovando o cardápio. É magra "de ruim", como diz minha mãe, porque não parou de comer um minuto!



Gustavo, assim como meu avô, não pode encostar que dorme. Depois de uma feijuca dessa então, o cara não viu mais nada... merecia uma maquiagem de noiva de casamento tradicional coreano né! ^^