Festanças de fim de ano

Tá bom. Lá vai.
O NIIED resolveu fazer uma "festinha" de final de ano em Seul, com todos os estudantes estrangeiros que receberam a bolsa do governo. É também uma maneira de exibir a gente por aí, porque coreano adora mostrar os estrangeiros que vieram pra cá. Mas o que deu o que falar mesmo foram as apresentações. Se não me engano, ao todo são 14 universidades que receberam a nós, os "KGS students", para aprender coreano durante o primeiro ano. E cada universidade deveria fazer uma apresentação, que concorreria com as outras universidades.
Pra resumir a história: aqui em Cheongju escolheram euzinho aqui pra liderar a galera pra fazermos alguma coisa. Uma boa parte da turma quis tirar o deles da reta, mas dei um jeito de constrangê-los e não abandonarem o barco, de forma que nossa apresentação foi a que reuniu o maior número de estudantes. Não tivemos tempo de ensaiar, mas tivemos quórum pra animar! Mixamos trechos curtos de músicas de 11 países/culturas diferentes e encerramos com duas músicas coreanas. Resultado: mobilizou a platéia toda e ficamos com o terceiros lugar (o que só ficou claro pra mim depois que voltamos pra Cheongju)! E ainda rendeu uns trocadinhos: 200 mil wons pra galera fazer uma festinha. Confira o surto coletivo abaixo, com a minha tapeação dançarinística.


Essa viagem pra Seul foi especialmente lucrativa para mim. Além dos 200 mil pra turma toda, ainda ganhei um "prêmio de excelência" do NIIED, com mais 200 mil. É um certificado super chicoso que diz que fui "honrado pelo meu excelente achievement no programa de língua coreana em 2008". A minha dúvida foi o critério da escolha, porque foram escolhidos 2 alunos em cada universidade, e eu tenho certeza de que minhas notas não são as melhores da turma, porque tem o Alex, o francês pomposo cujo hobby é estudar, fica triste quando tira 98, corrige o inglês de todo mundo e diz que não devíamos sair nos fins de semana, pois devemos estudar para chegar no nível 5. Quando ele viu meu prêmio, não escondeu a indignação: "How come you got an excellent achievement? You haven't achieved anything yet!". Desconfio que a escolha tenha sido subjetiva, com critérios das próprias professoras, que claramente não gostam da arrogância dele, e preferem minhas cantadas matinais embutidas: "Professora, como você está bonita hoje!" e "Cortou o cabelo hein, professora! Muito bonito!". De modo que estão chamando meu "prêmio de excelência" de "excelente galanteador"! haha.

Ainda em Seul aproveitamos bastante, porque a Briza, o Gustavo, a amiga paraguaia deles Cláudia, Juliano, sua fiel escudeira Eun Bee e eu saímos pra um bar, seguido de um karaokê, seguido de conversa fiada no apartamento do Juliano, seguido de um breve cochilo para descobrirmos a padaria que dá pão à vontade se você comprar um café entre 9h e 11h da manhã no sábado. Eu que não sabia o que era padaria há um bom tempo me empanturrei de pão! No blog do Juliano tem um post antigo sobre a descoberta desse paraíso panificatório. Minha felicidade será completa quando eu finalmente encontrar o famoso lugar onde se vende pão-de-queijo em Seul!

Mudando de assunto. Ontem à noite nevou bastante e hoje de manhã levei um tombo ao sair de casa. Neve no passeio, onde todo mundo pisa, é um perigo! Vira um rinque de patinação. Descobri da pior maneira. Tudo bem, bunda grande serve pra alguma coisa. Acabei me atrasando e encontrei o resto da turma no caminho, fazendo guerra de neve. Aí que atrasamos mesmo! Minha primeira guerra de bola de neve foi muito boa. No final, quem vinha chegando? O Biru! Pra quem não se lembra, é o indiano que dividiu quarto comigo nas primeiras duas semanas aqui. A galera é fã dele! Nos bons e maus momentos... hehe. Espia só o que aprontamos com o pobrezinho.



Que tal vir para a Coréia?

Eu não deveria estar atualizando meu blog agora. Tenho duas provas amanhã e tenho muita coisa para estudar. Mas tudo bem, meia horinha não mata ninguém.

Acabei de checar o site do NIIED e descobri que divulgaram lá a lista das universidades onde poderemos estudar no ano que vem. O ruim é que tem 500 estrangeiros aqui e a cota para universidades em Seul (para onde 90% dos estudantes querem ir) é de cerca de 60 vagas. Espero estar entre os tais!

Divulgaram também o edital para o mesmo programa do qual participo (KGS - Korean Government Scholarship), só que para a graduação. No total são 150 bolsas, sendo que apenas uma é para o Brasil. Acho que foram razoáveis, se considerarmos a procura. Parece que em 2007 houve 2 candidatos. E quando eu me inscrevi em junho, o que mais ouvi foi "Coréia? Tá maluco?". Aos interessados, saibam que estou muito satisfeito e tem sido uma experiência muito enriquecedora! Mais informações sobre a bolsa no site do NIIED (tem um link para a página em inglês no canto). Abaixo é a propaganda-convite gravada pelos dois malucos de Cheongju, Agatha e eu. Qualquer semelhança com algum outro comercial é mera coincidência.




Outras breves notícias:

1) Os KGS's de Cheongju (eu e mais 39) vamos pagar o maior mico da história nesta sexta-feira em Seul. Pediram pra gente fazer uma apresentação e resolvemos mergulhar nessa juntos. Duração: 10 minutos. Número de ensaios: 4 (quatro!). Mais detalhes na semana que vem, quando provavelmente divulgarei o vídeo da insanidade coletiva.

2) Teremos aulas um dia antes e um dia depois do Natal.

3) Iremos para Jejudo dia 8 de janeiro (a ilha mais famosa da Coréia, que fica ao sul da península). Ainda não sei o que vamos fazer lá, visto que o lugar parece ser bom de se ir no verão. Mas tudo bem, de graça até injeção na testa, como diz a sabedoria do povo. E como a Briza não atualiza o blog dela e o Gustavo não conta as boas novas, já digo que eles vão pra lá antes de mim. Se não me engano na semana que vem.

Fico por aqui!

Casamento, chá e outras coreanices

Eu casei na Coréia.
Tudo bem, eu não casei na Coréia. Mas foi quase!
Levaram a gente para encenar um casamento tradicional coreano, para aprendermos mais sobre a cultura deles. Então perguntaram quem queria participar, e por pouco perdi a chance de ser o noivo. E olha que a noiva era uma búlgara de não se jogar fora...
No final das contas eu fui apenas um convidado do casamento, mas tive que usar uma roupinha um tanto quanto incomum.

No mesmo local, do lado de fora, viramos criança coreana. Havia vários brinquedos pra gente se divertir. Uma gangorra que funciona na base do pulo e da coordenação. Se não pular na hora certa, o tombo pode ser fatalmente engraçado. Ou engraçadamente fatal. Mas tombo é sempre tombo, e tive a "sorte" de filmar uns belos tombos nessa brincadeira, que postarei outro dia. Com tombo é assim: você ri, depois pergunta se machucou. Porque se você perguntar se machucou primeiro, pode ser que tenha realmente machucado e você não vai poder rir.

Em seguida aprendemos a fazer chá tradicional coreano. No final das contas o chá tinha gosto de chá mesmo. Mas o interessante é a preparação, que envolve várias crendices e costumes.

Primeiro duas coreanas simpáticas nos ensinaram a como nos comportarmos num cerimônia "charosa" (ou "charenta"?). Numa cerimônia de chá. É um tal de coloca mão aqui, mão ali, encurva daqui, agradece dali, ajoelha, desajoelha. Depois eu me ofereci para fazer o chá no meu grupo. Não podia sair da ordem: a quantidade de água, a organização das xícaras, a bebida em 3 goladas. E tudo tem seu significado (pelo menos para eles). Me empaturrei de chá e me diverti bastante. Mas ainda fico com o chá de pacotinho do supermercado.

Aqui vai o vídeo do casamento, que editei e fiz uma historinha. Está em inglês, mas talvez, futuramente, eu faça uma versão em português. Beijo do gordo!

Brinquedo novo!

Aproveitando as pechinchas coreanas nos eletrônicos da Samsung, comprei essa semana uma filmadora de verdade, que eu já namorava há tempos mas no Brasil ela custava os olhos, a boca e o nariz da cara. Aqui vai o primeiro vídeo que fiz com ela, hoje de manhã, aqui ao lado. (Para ver em alta definição clique aqui)

Hóspede brasiliense e aniversariante carioca

Hoje é aniversário da Agatha. Para quem não se lembra, é a carioca que mora aqui em Cheongju comigo. Somos os únicos brasileiros da cidade, até onde eu sei.

Gustavo é o brasiliense que mora em Daegu com a Briza, minha amiga de longa data. Eu já tinha chamado ele pra vir passar uns dias em Cheongju, porque como eu não tenho colega de quarto, tem uma cama sobrando para hospedá-lo. E nesse fim de semana ele finalmente veio! Foi muito bacana, o cara é muito gente boa (porque é um dos poucos que comenta no meu blog... hahaha). Ontem a gente saiu pra almoçar e tivemos a surpresa de começar a nevar! Na ida, apesar do frio, eu esqueci de colocar o gorro e não conseguia sentir minhas orelhas. Na volta eu não conseguia sentir meus lábios, tava igual anestesia de dentista. Como em Daegu ainda não nevou, o Gustavo ficou correndo feito um retardado (foi mal Gustavo!^^) para grudar neve no casaco e tirar foto.

À noite fomos pro aniversário da Agatha, que foi num bar chamado MJ, e onde praticamente 80% dos freqüentantes são estrangeiros. O lugar é muito agradável: mesas, sofás, sinuca, dardos, bebida, comida e música ao vivo. A galera se divertiu muito. Fizemos um campeonatinho de dardos e eu descobri que sou um fiasco! A maquininha às vezes nem detectava que eu tinha errado o alvo, de tão fora que tinha sido. Sinuca foi um vexame. Os buracos da mesa eram duas vezes maior do que os que a gente encontra no Brasil, e ainda assim eu conseguia errar quase todas!

Enfim: jogamos, dançamos e "parabenizamos" bastante. A Agatha então... vixi! Mas uma coisa curiosa aconteceu. Parênteses explicativo: (no dia 27 de agosto, quando chegamos na Coréia e colocaram Agatha e eu em um ônibus para Cheongju, um americano veio sentado atrás da gente a viagem toda. Quando chegamos na rodoviária de Cheongju, ele veio se apresentar e oferecer ajuda para o que a gente precisasse na Coréia. Ele é um cara novo, já está aqui desde o início do ano e dá aulas de inglês numa outra universidade. Então ele anotou seu nome (Bryan) e telefone pra gente ligar logo. Só que naquela semana eu derramei água no papel e o número borrou, então não conseguia ler mais nada, e perdi contato com o cara.)

Quando chegamos no MJ, a Agatha se lembrou e viu que o cara que ia tocar música ao vivo com a banda era o próprio Bryan! Foi muito bom reencontrá-lo, porque o cara é muito simples e gente boa. Chegar em outro país e receber ajuda de alguém é como um dinossauro que sai do ovo e o primeiro que ele vê é a mamãe! (que comparação tosca). Ontem a Agatha achou a nossa "mamãe" perdida.

Hoje o Gustavo foi embora, e quando ele menos esperar eu vou escorregar ali pra Daegu também. Por aqui fica o meu fim de semana, que vai terminar em bom estilo: fazendo para-casa de coreano.

A ira de um coreano de Songnisan

Bom, vamos às novidades. Fomos ao Songnisan na sexta-feira e, portanto não tivemos aula naquele dia. Songnisan é o nome da montanha e também do parque nacional em que ela fica. Além da montanha, que o pessoal gosta de "escalar", há uma pequena vila com vários templos budistas e um Buda dourado que dizem ser o maior do mundo (apesar de que uma garota de Taiwan disse já ter visto maiores). O problema é a ambigüidade, porque não dizem que é maior Buda do mundo, e sim o maior Buda dourado do mundo.


O lugar é fantástico! Apesar do frio super frio deste fim de outono e da nudez das pobres árvores, que fazia com que a trilha até o Buda parecesse o filme "A bruxa de Blair", o passeio foi muito bom. Pela primeira vez eu vi (ao vivo) os budistas fazendo suas orações e alguns de seus ritos.

Como muitos sabem eu sou cristão e, como tal, creio que Cristo é não apenas a fonte da minha vida, mas também de toda a minha fé. No entanto, se há algo que admiro nos budistas é o senso de busca da espiritualidade individual, de conhecimento pessoal. Muitos cristãos (para não dizer quase todos) buscam um Deus que não conhecem mas fingem conhecer na coletividade. E, como os outros do grupo também falam do mesmo Deus que não conhecem, o produto que se tem é uma fábrica de mentiras. A coletividade calorosa e amorosa deve existir sim, mas como fruto de algo maior que foi gerado no interior de cada um, e não como um show.


Deixando de lado minhas análises espiritualóides, vou contar um fato interessante que aconteceu um pouco antes de voltarmos de Songnisan. Depois que todos já estavam "comidos" do almoço, reunimos numa pracinha com várias mesinhas, cercada de restaurantes, e começamos a bater papo e a tirar fotos. 42 estudantes estrangeiros lá, naquela risaria toda. Até que vimos uma fileira de bicicletas daquelas duplas, mas não havia ninguém vigiando e nenhuma placa dizendo se deveríamos pagar para usar. Então a galera toda pegou os "brinquedinhos" e começamos a dar voltas ali mesmo, na pracinha. Por alguns instantes voltamos à infância feliz! Até que... um coreano de uns 50 anos saiu de um dos restaurantes gritando. E ele parecia estar MUITO nervoso! Ninguém entendeu o que ele gritava, mas os gestos que ele fazia diziam "Vão embora! Sumam daqui! Sumam deste país! Morram!!!". Da risaiada fomos para o silêncio total, colocando as bicicletinhas no lugar, enfiando o rabinho entre as pernas e entrando dentro do ônibus para ir embora para Cheongju, e o cara lá, gritando que nem os caras do taekwondo! Mais tarde a gente riu muito da cena.

Eleições


Só Deus sabe os momentos que deixei de registrar com minha quase-fiel companheira câmera fotográfica. Apesar do zoom de 10x que eu adoro nela, às vezes dá preguiça de andar com aquele trambolho pendurado no pescoço.

Acabei presenciando cenas típicas da universidade coreana (foi o que me disseram), e não posso compartilhá-las com vocês. Mas posso tentar descrever, e acreditem se quiserem. Claro. (A foto abaixo foi tirada em um dia atípico e corresponde a, digamos, 15% do que vou descrever).

Nas últimas semanas estava tendo eleições para presidente da associação dos estudantes da universidade. E as campanhas para atrair os eleitores foram, no mínimo, interessantes. Um grupo de cerca de 10 estudantes, de terninho e gravatinha fina estilo anos 60 (coisa de coreano), com uma caixa vermelha nas costas, ficavam parados perto dos restaurantes na hora do almoço (para quem viu o vídeo, é no mesmo lugar onde joguei "Kawi-Pawi-Po"). Subitamente eles começavam um coro uníssono e esgüelado* (*esse trema cai de vez a partir de janeiro de 2009, fiquem atentos), parecendo grito de guerra, mas era apenas um convite para votar. Quando terminavam a ladainha, se curvavam. Foi assim durante a semana toda, mas algumas vezes tinham mais dois coreanos, um de cada lado, com um avental verde. Quando terminavam o grito formal, eles simplesmente começavam a dançar uma coreografia que misturava clássicos como "ciranda-cirandinha" e "a dança da bundinha". A minha descrição deixa muito a desejar, porque só vendo mesmo para crer o que esses coreanos são capazes de fazer. É uma coisa curiosíssima, porque em quase tudo na Coréia a gente vê a combinação perfeita do ultramoderno, formal e brega. Ontem lá estavam eles de novo, pedindo voto. Passei em frente na hora do almoço e me espantei: algo novo. Desta vez os engravatadinhos tinham um coitado amarrado no meio, preso pelos punhos e pelo pescoço, como os condenados de desenho animado. Não entendi o porquê, mas tudo bem.

Aliás, só abrindo um parênteses, aqui eu sinto que vivo num desenho animado ou no Super Mario. Além das árvores de pelotinhas que você vê em todo lugar (como a da foto), tem também gente vestida de boneco cabeçudo em tudo quanto é canto, fazendo propaganda de alguma coisa. É como se o Zé Gotinha estivesse em todo lugar!

Voltando às eleições. Hoje saiu o resultado e os vencedores estão comemorando. Armaram um palco no meio da rua, dentro do campus. Não teve discurso nem nada do tipo, apenas apresentações esquisito-engraçadas que só mesmo vendo pra crer no nível de ridicularidade que eles conseguem chegar. Não estou criticando negativamente, porque morri de rir e adorei, e também porque quem me conhece sabe que quando resolvo bancar o ridículo não fico muito atrás. Mas olha só: hoje a temperatura ao meio-dia estava por volta de -1C. Subiram no palco cinco meninas de minissaia para dançar "I want nobody but you" (o título é em inglês, mas a música é coreana). Elas deviam estar congelando para pagar um mico daqueles. E quando terminaram, cinco rapazes engravatadinhos subiram. Parecia ser coisa séria. Mas que nada! Tiraram seus terninhos e por baixo o que tinha...? Fantasias de Power Rangers, ou Changemen, ou Flashmen, seja lá o que for! E dançaram a mesma música das meninas, numa versão mais acelerada, batendo na bunda e dando pulinhos dos mais emboiolados possíveis. A Oana estava comigo e outros estrangeiros desapareceram. Ficamos lá, chorando de rir, e duvidando do que víamos! E onde estava minha câmera para gravar?! Argh!

Acabo de perceber que essa palhaçada toda, apenas sendo contada, não tem graça nenhuma.

Ah, e já que falamos em eleições, aqui vai outra novidade: os estrangeiros (bolsistas KGS) tinham que eleger um líder para representá-los aqui na universidade. Adivinha em quem votaram? Pois é: fui eleito representante internacional dos 40 e poucos estudantes estrangeiros que estão aqui em Cheongju! E quando deram o "resultado" (o processo eleitoral todo durou uns 20 minutos), tive que fazer um discurso. E como eu estava nesse clima de "ridiculismo", acabei me inspirando no Barack Obama e fiz um discurso-imitação baseado nele. Só sei que o pessoal se divertiu tanto que no final tava todo mundo gritando junto "Yes, we can! Yes, we can!".

Agora vocês têm um líder brasileiro na Coréia. Chique hein? Só me resta saber o que é que eu preciso fazer.

Aquele abraço!

Churrasco e ginco-bilobeiras

Seul foi muito agradável. Saí direto da prova que tive ontem de manhã e fui pegar o ônibus. Cheguei a tempo para mais uma massagem. Estou começando a gostar desse negócio. Mas dessa vez foi massagem de verdade, profissional, sem maquininha. E foi no corpo inteiro, da nuca até no dedinho mindinho do pé. Até minha poupança a mulher massageou, igual minha vó preparando massa pra fazer rosquinha.

Depois peguei o metrô e fui encontrar com o Juliano e a namorada dele, a Eun Bee. Finalmente nos encontramos pessoalmente! Após uns 6 meses trocando e-mails e lendo o blog dele, a gente se conheceu. Estava também o Gustavo, a namorada coreana dele (esqueci o nome!) e o Jamali, um bangladeshiano (ou bengalês) amigo do Juliano. A idéia era reunir uma turma grande de brasileiros, mas muita gente furou. Tudo bem, a gente se fartou de carne no rodízio! Maravilha!


De lá eu fui pro quarto do Jamali, que me ofereceu hospedagem. O cara é gente finíssima! Ri de tudo. Como o tempo tava chuvoso no fim de semana, meu plano era voltar pra Cheongju hoje de manhã, mas assim que saí na rua e vi que o dia tava lindo, tive que dar uma voltinha. Tirei umas fotos perto da casa do Jamali, peguei o metrô e desci na estação do COEX, onde o Juliano disse que tinha pão-de-queijo. Mas chegando lá deu preguiça de procurar o bendito pão-de-queijo naquele tamanho de shopping e resolvi ir andando até o Complexo Esportivo dos Jogos Olímpicos de 1988. Foi muito agradável, apesar de que, mais uma vez, não consegui ver coisa alguma dentro dos estádios porque estava fechado.

Mesmo assim fui admirando as "gingko trees" (árvores de ginco biloba). São essas que ficam amarelinhas no outono, e aqui eles colocam isso nas comidas. Faz bem pra memória, dizem. Taí um vídeo que gravei de uma dessas árvores na estação Hyehwa (perto do Jamali). Abraços!





Cara nova

Quem me conhece sabe que não agüento ver uma coisa com a mesma cara por muito tempo. Sempre que posso mudo os móveis de lugar, e com o blog não podia ser diferente.

Mas estou passando mesmo só para dizer que fui bem nas provas de hoje, que foram de conversação. Aqui vai uma das perguntas que a examinadora me fez:

부모님을 소개해 보세요 (Fale sobre os seus pais).

E a minha resposta:

우리 부모님은 브라질에서 사는데 재미있어요!
(Os meus pais moram no Brasil e são muito legais!)
우리 아버지 성함은 기도이고 우리 어머니 성함은 애바이세요.
(O nome do meu pai é Guido e o nome da minha mãe é Eva.)
아버지는 기술자이고 축구를 좋아하세요.
(Meu pai é engenheiro e gosta de futebol.)
아버지 연세는 53세이세요.
(Meu pai tem 53 anos.)
어머니는 아주 예쁜데 요리를 좋아하세요.
(Minha mãe é muito bonita e gosta de cozinhar.)
어머니 연세는 47세이세요.
(Minha mãe tem 47 anos.)
우리 부모님을 아주 사랑하세요!
(Eu amo muito os meus pais!)

A gente parecia um bando de criança falando! Mas... fazer o quê? Quando se aprende uma nova língua a gente volta a ser criança mesmo. O problema é que, se tudo correr bem, semana que vem já passo para a pré-adolescência!

Amanhã cedo (sábado) ainda teremos a prova escrita e de compreensão auditiva (?). Listening! Torçam para que tudo corra bem.

Quero agradecer também às minhas muitas "mamães" preocupadas com as minhas costas (Ludy? Carol?). Queridas amigas, EU VOU SOBREVIVER! De qualquer maneira, obrigado pelo carinho! Minhas dores já estão bem melhores. A natação tem ajudado muito.

Amanhã à tarde vou para Seul encontrar com uma turma de brasileiros que o Gustavo está reunindo e vamos comer comida brasileira (êêêê!!!). Mas antes, em Seul mesmo, vou fazer uma massagem que, segundo as boas línguas, faz milagres! Agendei com o pessoal lá por e-mail e hoje me ligaram para confirmar. Perguntaram: "Você vai querer massagem leve ou pesada?". Fiquei com medo de dizer a "pesada" e o massagista ser um lutador de sumô japonês. Mas também fiquei com medo de dizer a "leve" e eles me fazerem cócegas. Apenas disse que preciso algo que me ajude com as dores na cacunda.

Desejem-me sorte!
Aquele abraço!

Karatê Kid coreano

Após duas semanas, cá estou para atualizar meu fofoqueiro. Aos que seguem este blog com assiduidade, desculpem a displicência. Aos que não acompanham minhas histórias, não tenho nada a dizer, afinal vocês não lerão isto. Já vou avisando: o título não tem nada a ver com o resto do que vou escrever. Só com a foto ao lado, tirada ontem.

O fato é que ando estudando feito coreano (ou japonês no Brasil, o terror dos vestibulares). Tenho aula de segunda a sexta, de 9h30 a 17h, com pausa para almoçar. E, como se não bastasse, o pessoal da universidade arranjou mais aula para os KGS students (nóis!). Agora temos aulas segunda e quinta à noite, de preparação para o TOPIK (Test of Proficiency in Korean), que é o exame que teremos que fazer para começarmos o mestrado ou doutorado. E para a gente "relaxar" inventaram uma aula na terça à noite, de música coreana. Cada semana a gente aprende a cantar uma música diferente. Bacana, né? O problema é que além disso ainda temos muito "sukje" (para-casa) e na semana que vem teremos as provas finais do Nível 1. Tá todo mundo dando pulo de 2 metros para dar conta!

O AGRAVANTE

Parece título de novela da Record, daquelas que nem os próprios produtores assistem. Mas "O AGRAVANTE" é o remanescente da minha última postagem: minhas dores nas costas. Depois de muito Jackie Chan e Raiden na cacunda (massagem automatizada e choque), as dores continuaram. Investiguei tudo o que pude sobre "lombalgias" (dores na região lombar das costas) na internet, e me surpreendi bastante. Olha só:

*80% da população mundial tem, já teve ou terá pelo menos uma vez na vida uma crise de dores na região lombar.
*Apenas 15% têm suas causas claramente identificadas e tratadas.
*Hérnia de disco é mais comum que se pensa, e muitas pessoas a têm e não sabem até que se agrave (essa me deu um arrepio na coluna, literalmente).

Estou na esperança de que esta seja apenas uma crise passageira, fruto dos meus últimos 5 anos de sedentarismo total, e meu corpo está apenas dizendo "vai com calma!" porque desde que cheguei na Coréia andei passando dos limites (do meu corpo) com atividades como corrida, futebol, ciclismo e, acreditem, pinguepongue. Tive que parar tudo por enquanto, pois o impacto que causam pode ser perigoso até que eu saiba exatamente a causa da minha lombalgia. A minha magrela ficou encostada, pois descobri que quando se anda de bicicleta a região lombar recebe muita pressão.

No fim de semana retrasado saí para me aventurar sozinho. Aliás, estávamos eu, minha bicicleta e meu iPod. A música ia ditando o ritmo. Subi a montanha, desci a montanha, fui para a lagoa, desci da bicicleta, malhei com o pessoal que tava fazendo ginástica ao ar livre, peguei a magrela, sobe montanha, desce montanha, e voltei para casa satisfeito. "Sou um cara ativo! Essa dor nas costas está com os dias contados!", pensei.

Dia seguinte: travei geral na aula depois do almoço e tive que ir embora. Só então o médico falou do esquema da bicicleta, que força a região lombar. Fiquei triste a semana toda. Essa bicicleta tinha virado parte de mim. Eu era o "brasileiro da bicicleta" aqui. Agora eu sou o "brasileiro da dor nas costas".

A ESPERANÇA

Então veio uma luz. Lembrei que o Orxan sempre ia nadar, por recomendação do médico dele devido a dores nas costas. Conversei com ele e lá fui eu conhecer a piscina.

Proporções olímpicas, limpinha, coberta, aquecida. E o esquema é simples: cada vez que eu quiser nadar lá, só preciso pagar 3.000 wons (2,50 dólares) e ficar o tempo que quiser. No primeiro dia eu nadei 1.200m em uma hora. Espero melhorar esta marca, mas vou com calma. Minhas costas responderam positivamente e esta semana já fui mais duas vezes (quarta e sexta, que é quando não tenho aula à noite). Amanhã e domingo devo ir também. Sinto que minha substância gelatinosa que um dia foi chamada de "músculo" está começando a acordar de um sono profundo.

O lado ruim é o vestiário. Ele é grande, arrumado, limpo, muitos armários, uns 40 chuveiros de água quente e até uma maquininha pra centrifugar sua sunga e secá-la antes de ir embora. O problema é a coreanada. Os caras adoram desfilar pelados para todo lado. Não é do tipo "vai, toma banho, põe a roupa e vai embora". Não. Os caras ficam pelados desfilando, secando as regiões baixas, se olhando no espelho, colocando o papo em dia, alguns até fazendo massagem um no outro... enfim, viadagens mais que pouparei meu pobre leitor de ler. O Gustavo tem um relato mais "detalhado" no blog dele sobre uma experiência mais "intensa" numa sauna coreana.

CORÉIA DO NORTE

Já que mencionei o Gustavo, lembrei que acabei de ler no blog dele algo que nem eu estava sabendo sobre a situação das relações entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul. Para resumir a história: a situação deu uma esquentada e o presidente da Coréia do Norte (o maluco Kim Jong-Il) falou que vai reduzir a Coréia do Sul às cinzas. Para mim, cão que late não morde. Mas é bom eu deixar o relato aqui, porque se eu ficar muito tempo sem atualizar o blog, pode ter sido alguma bomba que caiu aqui. Confira a história neste link.

MUDANDO DE ASSUNTO...

Falemos de coisas que não sejam dores nas costas, coreanos pelados ou bombas na cabeça. O outono tá mandando ver por aqui e estou impressionado com a beleza das árvores! Engraçado que quando estive nos EUA também vi o outono passar mas não notei tanta diversidade de cores como aqui. Talvez porque lá eu era o responsável da casa por ajuntar as folhas secas todos os dias, então não tinha muito o que admirar no outono. Aqui vai um link para as fotos que tenho tirado nos últimos dias: clique aqui.

Abraços a todos. A minha família e meus amigos chegados (os que são, sabem que são), saudades!

Massagem "à la Corée"

Acabo de receber minha segunda massagem desde que cheguei à Coréia.

A primeira? Ah, sim! Não foi exatamente uma massagem completa. E nem foi esperada. Foi quando cortei cabelo aqui pela primeira vez. Não sabia aonde ir e tinha a impressão que cabeleireiro nenhum aqui saberia cortar cabelo mais grosso e estranho como o meu. Mas lá fui eu ao centro, num salão que tinha um jeitão de profissional. A dona do lugar falava um inglês mais-ou-menos e nos recebeu superbem. A Oana estava comigo, mas enquanto eu cortava o cabelo ela saiu pra olhar roupas. A mulher começou a sessão de perguntas enquanto outra cabeleireira fazia o serviço:

"De onde você é?", perguntou.
"Brasil", respondi.
"Oooohhh!", fez cara de espanto. "Sua namorada também?"
"Ela não é minha namorada. Mas ela é da Romênia."
"Ah, sim."
Parou por uns 30 segundos e continuou:
"Então, quando vocês pretendem se casar?"
"Ela NÃO é minha namorada..."
"Ah, sim..." e fez cada de nada.
Depois de fazer alguns elogios ao meu nariz (!) e minha sobrancelha (?) ela volta a perguntar:
"E onde você conheceu sua namorada?"

A essa altura desisti de dizer que a Oana não era minha namorada, e por fim a gente vai se casar no ano que vem. Assim ela mudou de assunto.

Terminado o corte, ela reapareceu:
"Vamos lavar seu cabelo agora."
Outra coreana. Fiquei de olhos fechados o tempo todo, e acabei imaginando uma jovem, bonita. Começou a lavar meu cabelo. Sensacional! Não era apenas "lavar". Ela massageava minha cabeça e pescoço enquanto lavava. Demorou uns 25 minutos. E enquanto ia lavando ela dizia: "Bonitas sobrancelhas!" e ainda "Você é bonito..." e completava "...muito bonito!". E quando terminou de lavar fez uma massagem de 5 minutos nos meus ombros. Pronto. Eu podia morrer ali, naquele momento. Morreria feliz e relaxado. Meu ego na Coréia está chegando a níveis perigosos. Alguém aí do Brasil, por favor me lembre da minha feiúra de vez em quando!

Essa foi a primeira massagem. A segunda foi hoje. Há algumas semanas eu vinha sentido dores nas costas. Mas ela piorou no dia em que jogamos futebol no frio sem aquecer ou alongar. Não sei se já contei, mas arrasei no futebol. A rapaziada no Brasil deve tá rindo e me chamando de mentiroso, mas acredite: jogar contra coreano é mamão-com-açúcar! Os caras deixam você fazer o que quiser com a bola, e têm medo de entradas fortes para tirá-la de você. Foi meu momento de glória! O problema foi no dia seguinte. Mal consegui me levantar. Travou a "cacunda". Não conseguia nem agachar para amarrar o tênis. A dor foi melhorando aos poucos e eu procurei me alongar durante 30 minutos todas as manhãs. Mas fiquei preocupado mesmo quando a dor voltou depois de um jogo pesado de pinguepongue contra a Oana. Ela praticava pinguepongue na Romênia e ganhou de lavada. No dia seguinte, dor de novo! Fruto de alguns anos de sedentarismo agudo. Então resolvi ir ao médico ontem para ver o que era. Apenas confirmou minhas suspeitas: falta de fexibilidade, má postura, entre outros. Deveria começar uma terapia de 3 semanas para que eu pudesse voltar à vida de exercícios sem preocupação. Ele disse que seria massagem e fisioterapia, todos os dias.

Lá fui eu hoje, depois da aula. Mas desta vez me enganei um pouco com a massagem. A primeira coisa que notei é que havia apenas uma mulher com cara de massagista e várias pessoas chegando e entrando nas cabines de massagem da clínica. A massagem era, na verdade, feita por uma máquina, e não pela mulher. Ô, tristeza. Mas foi muito relaxante. Deitei na cama, com uma bolsa quente por baixo das minhas costas. De repente começa o "tum-tum-tum". A cama em si é a máquina e já estava surrando minhas costas, dos ombros aos pés. É como se tive um Jackie Chan debaixo de cama te enchendo de golpes. Depois de uns 20 minutos chega a mulher para desligar e começar a outra etapa. Pregou uns sensores na região lombar (onde estava doendo) e começou a dar choque. Era uma seqüência de choquezinhos que iam dançando pelos nervos.

Adorei a experiência e não vejo a hora de chegar amanhã para ir de novo! Ainda bem que o plano de saúde que a nossa bolsa nos dá cobre tudo isso.

Só senti falta da máquina elogiando minhas sobrancelhas...

Sobre a língua coreana


A pergunta que mais ouço (ou leio) ultimamente é: "E aí, já tá falando alguma coisa em coreano?". Vez ou outra um mais ousado aparece com um "Já tá fluente em coreano?". Então vamos esclarecer. A resposta para a primeira pergunta é um grande e claro "SIM!". "Alguma coisa" a gente já começa a falar a partir do momento em que se sabe dizer "olá" e "tchau" em qualquer língua. Já a segunda pergunta é maliciosa. Se souberem de alguém que saiu do conhecimento zero e em pouco mais de um mês de aula ficou "fluente", passem-me o nome da escola, por favor. Devido a tais perguntas e ao fato de que pouco se sabe no Brasil sobre a Coréia e sua língua, vou falar um pouco sobre minhas impressões enquanto pequeno lingüista.

Gramática

Esqueça quase tudo que você sabe sobre a ordem das palavras e a conjugação dos verbos. Aprender coreano, talvez por ser a primeira língua não indo-européia que estudo, tem sido um desafio e tanto. Preciso passar por uma lavagem cerebral e me livrar de influências "malignas" que as outras línguas me trazem. Não digo mais "Eu estou indo para a escola" mas sim "Eu escola para ir" (저는 학교에 가요). E nem mencionei as "partículas voadoras". Para cada função do substantivo (sujeito ou objeto) é necessário que haja marcação. Além das diversas formas de tratamento, que são adicionadas ao verbo ou adjetivo, dependendo de com quem se fala. Vamos aportuguesar para ver no que dá.

Eu estou indo para a escola
Eu(neun) escola para ir(yo)
저는 학교에 가요
*neun = marcação de sujeito, yo = forma de tratamento educada informal

Eu estou indo para a escola
Eu(neun) escola para ir(mnida)
저는 학교에 갑니다
*mnida = forma de tratamento educada formal

Só para se ter uma idéia de por onde a coisa vai, vamos aumentar a oração (ou reza, caso prefira):

Eu estou indo para a escola e vou estudar coreano.
Eu(neun) escola para ir-e coreano(leul) estudar (kess-eumnida).
저는 학교에 가고 한국어를 공부하겠습니다
*leul = marcação de objeto, kess = partícula de intenção/futuro

Enfim, não vou me estender mais que isso, até porque estou fazendo comparações muito grotescas. Vamos a outra parte, muito dramática.

Pronúncia

Só agora entendo quando, no meu primeiro período na FALE-UFMG, o professor Lee, coreano, em uma aula de Introdução aos Estudos Lingüísticos, disse que só aprendeu a pronunciar o próprio nome corretamente depois que entrou para a universidade na Coréia.

As vogais até que são tranqüilas de se pronunciar, para um falante brasileiro. Com exceção da vogal mais zero-à-esquerda que existe (depois do schwa). O símbolo que a representa no coreano é apenas um risquinho horizontal: "ㅡ" e é romanizado como "eu". Mas a pronúncia é difícil para mim, porque você faz língua de "u" e boca de "i". Som parecido com o que se faz no banheiro, quando se busca forças sobrenaturais para deixar o fluxo seguir seu caminho.

O problema mesmo está nas consoantes. Coreano tem um sistema que eu nunca havia visto antes. Pelo menos não pessoalmente. A grande maioria das línguas ocidentais tem um sistema binário de consoantes vozeadas e desvozeadas (s/z, p/b, f/v, t/d, ch/j, k/g). Se você fizer um teste com a mão no gogó vai ver que a única diferença de pronúncia entre os pares que citei está na vibração das cordas vocais.

Já no coreano as coisas não são tão elementares, caro Watson. Eles têm um sistema ternário que tira o fôlego de qualquer um. O "p", por exemplo. Tem o "ㅂ", que é um "p" fraquinho, meio vozeado, meio aspirado, quase que "b", mas não foi macho suficiente pra virar "b". Tem o "ㅃ" que é um "P" decididão. Vai lá e PÁ! Sem conversa. Parecido com o "p" de PÉ do português. Mas tem também o "ㅍ" que é um "pêzão" aspiradaço, sem vozeamento.

Então temos: ㅂ ㅃ ㅍ, todos soam como "p" pra gente. Mas nenhum que se vozeie e vire "B" de verdade. O mesmo se repete para as outras consoantes:

ㅂ ㅃ ㅍ (p, pp, ph)
ㄱ ㄲ ㅋ (k, kk, kh)
ㄷ ㄸ ㅌ (t, tt, th)
ㅈ ㅉ ㅊ (j, jj, ch)
ㅅ ㅆ (s, ss)

Teoria, beleza. Agora, na hora de falar, MEU AMIGO! Onde já se viu ter "S" forte e "S" fraco? E a professora teve coragem de dizer que são "completamente diferentes". Vai me desculpar. São diferentes, sim. Mas "completamente", não.

O bom é que vou na teoria de que novas áreas do cérebro são ativadas quando se aprende novas línguas. Vai ver tinha área empoeirada aqui na caixola, e que finalmente estão começando a funcionar.

Só mais uma coisinha. O sistema escrito do coreano não é como o chinês ou o japonês, que usam ideogramas. No sistema de ideogramas é necessário que se memorize muitos símbolos, pois cada ideograma pode representar uma palavra ou até mesmo uma frase. Coreano não. Aqui o sistema é como o nosso. Cada símbolo tenta reproduzir um som, que combinados formam as palavras. Só usam bolinhas e palitinhos diferentes dos nossos.

Até mais, pessoal!
안녕히 가세요!