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Yoga e minha magrela

Quem acompanha meu blogue desde o início sabe o drama que vivi no final do ano passado por causa de fortes dores nas costas. Foi fruto dos meus 5 anos de sedentarismo vivendo em Belo Horizonte (de 2003 a 2008). No início, sem carro, eu até que exercitava um pouco, porque acabava andando para todo lugar. Depois a Érica e eu arrumamos um Fiestinha que me deixou de herança 7 quilos a mais e um despreparo físico total, porque até pra ir à padaria da esquina precisava de carro.

Quando vim para a Coreia, tudo mudou. Sem carro, nem meu nem de alguém que me leve a qualquer lugar, tive que voltar a usar minhas pernas. Para facilitar um pouco minha vida, comprei uma bicicleta. Novinha, cheirosinha, uma beleza.

E com a magrela eu não tive limites em Cheongju: ia ao centro da cidade, ao monte Uam, à lagoa Myeongyam, e aonde minhas pernas aguentassem. Na Coreia não há muitas ciclovias, mas os passeios* são largos e é onde, pela lei, as bicicletas devem trafegar. (*passeio, em mineirês, é "calçada")

Certo dia, chamaram a gente pra jogar futebol, e foi quando o pesadelo começou. Depois de uma partida intensa, eu acordei no dia seguinte "entrevado" na cama. Tive fortes dores lombares que persistiram durante uns 3 ou 4 meses. Fiz natação, massagem, acupuntura, mas o alívio era temporário. E sempre que eu me sentia um pouco melhor, andava de bicicleta e minhas dores voltavam.

Só quem teve dores lombares sabe do que estou falando. É um sentimento de que "a vida acabou". Não dá pra fazer nada que te faça rir. Teve dias em que eu saía mais cedo da aula e vinha deitar na cama, porque não aguentava ficar sentado.

Mas como eu prometi que não falaria de tragédias por esses dias, aqui vai o final feliz.

Em fevereiro, como vocês sabem, Agatha e eu começamos a fazer aulas de yoga. Eu pouco sabia a respeito dessa arte milenar, e se me dissessem que era uma religião acho que nem duvidaria. A minha surpresa foi agradabilíssima! O yoga trabalha flexibilidade, equilíbrio, força e relaxamento. Já emagreci 2 quilos e meio e consigo fazer coisas que nunca pensei que pudesse fazer. As aulas não são massantes, apesar de não serem fáceis. Não se deixe enganar pela lentidão dos movimentos. Eu suo feito um porco durante as aulas, e sinto meus músculos pulsando pelo corpo todo. Às vezes chego em casa até meio dolorido, mas relaxado. E no dia seguinte me levanto disposto e agradeço a Deus por coisas simples, como amarrar o cadarço do tênis fazendo posição de garça, sem titubear.

E depois de meses deixando minha bicicleta empoeirar, até porque tava um frio dos infernos (ou seria dos "invernos"?), essa semana voltei à ativa. Até com novos alunos: a Nawel (namorada do Hocine, ambos da Argélia), pediu para eu ensiná-la a andar de bicicleta.

Estou escrevendo essas coisas também para dar um toque ao leitor que tá paradão aí há muito tempo. Não deixe a coisa ficar preta para procurar fazer atividades físicas. A vida é muito mais "viva" quando cuidamos e usamos nosso corpo para o benefício da alma.

Ah, fiz um vídeo na nossa aula de ontem. Espia só.

http://www.youtube.com/watch?v=bjSgZ1MsFzQ

O fim de semana e o fim da picada

Não sei que ares são esses do Brasil que me adoecem. Acho que é o amor e o calor do povo brasileiro. Ou talvez o catarrinho do gripado que espirra em você no busão lotado, com as janelas fechadas por causa da chuva tropical que cai sobre Belo Horizonte e deixa o trânsito da Av. Antônio Carlos ainda mais lento.

Deixa eu explicar. Eu passei minha vida toda pegando gripes e resfriados (e chamando tudo só de "gripe" mesmo) todo ano, o ano todo. Não tinha tempo ruim pra gripe aparecer. Até pneumonia já tive uma vez. Além disso, eu tinha umas alergias que alergologista nenhum detectou, mas que me fazia ter crises de espirro constantemente. Mas então, quando fiz intercâmbio no Texas, descobri que americano é meio neurado com gripe, e recebemos várias instruções sobre como proceder no caso de pegar uma. E nos vacinaram contra gripe em meados do outono. Durante o tempo em que lá estive, nenhum espirrinho sequer.

Voltando pro Brasil, começou tudo de novo. Espirra daqui, espirra de lá. Aí vem meu pai: "Você não tá alimentando direito, o sistema imunológico tá fraco" e a minha mãe: "Isso sabe o que é? É falta de atividade física!". Vai ver era mesmo. Mas, coincidência ou não, foi só eu pisar em solo coreano e nunca mais espirrei como antes. Morri de medo de chegar o inverno congelante e pegar uma gripe por semana. Que nada! Passei pelo inverno ileso! 7 meses de Coreia e nenhuma gripe.

Mas... como as leis de Murphy tardam mas não falham, assim que a primvera começou oficialmente, na semana da nossa prova de proficiência em coreano (KLPT), eu peguei uma gripe das boas! (ou das "marvadas", como preferir).

E com ela veio uma tosse horrorosa, que tive que controlar na prova de "듣기" (compreensão auditiva), pois só tocavam a pergunta uma única vez, e se eu tossisse na "hora agá", correria o risco de ser linchado.

A propósito, a prova estava dificílima, para não dizer surreal. Mas tudo bem. Vamos sobreviver.

Domingo (hoje)

As nossas professoras de coreano são sensacionais. No nosso atual nível (3), a professora de gramática é a Kweon Bogeun e a de conversação é a Kook Eunjoo. São duas professoras-palhaças, que fazem a gente rir a aula toda e esquecer da vida. A Kweon ainda tem uma didática muito boa, e vive revisando a matéria com a gente de maneira bem descontraída.

Como se não bastasse, elas vivem saindo com a gente pra se divertir. Hoje, fomos passar o dia na casa da Kweon Seonsaengnim (professora), e fizemos comida mexicana: tacos. Tirando dois abacatinhos de 7 cm que custaram o equivalente a 8 reais CADA, a cozinhança foi uma beleza.

E para aqueles que duvidaram das minhas aulas de yoga, resolvi fazer uma ásana (posição) que aprendi na aula.

Na foto ao lado, minha amiga Nadiah, da Malásia, estava se aquecendo comigo, enquanto o mexicano Hugo e seus assistentes cozinhavam ao fundo.

Na foto de baixo eu fazia uma posição que talvez impressione a alguns, mas que na verdade é muito fácil. Só precisa de um pouquinho de força e equilíbrio. Aprender yoga tem sido bom para eu descobrir os limites do meu corpo: alguns vão muito além do que eu podia imaginar, apesar de alguns estarem muito aquém do que eu gostaria.

Tente você em casa, e tenha um domingo divertido. O máximo que vai acontecer é você cair de testa no chão ou quebrar um dente (como o da Ludmila... rs).

Boa semana para todos!