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Vamos pra Coreia do Norte?

Aqui vai mais uma recomendação bloguística. Alguns amigos recomendaram o blogue Gabriel Quer Viajar e resolvi conferir. É de um viajante brasileiro que saiu percorrendo o mundo, e recentemente pousou em terras norte-coreanas. Confesso que fiquei com invejinha. Já faz um bom tempo que vim pra Coreia, mas ainda não deu pra eu conhecer o outro lado da fronteira do Paralelo 38.

Foto miniaturizada de Pyongyang 
Foto miniaturizada de Pyongyang (Gabriel Quer Viajar)



Para quem não sabe, não é tão difícil assim visitar a Coreia do Norte. Só é caro (detalhe). É que você tem que pedir o visto na China, através de agências, o que encarece tudo. Além disso, como sabemos, você vai ser acompanhado durante a viagem toda por um oficial do governo. Mas tirando isso, dá pra ir. Com a minha curiosidade mórbida, eu vou acabar indo em algum momento, pra tentar entender um pouco as diferenças entre as culturas e, especialmente, as comidas (sim!) do Norte e do Sul.

É possível ir de avião, de Pequim a Pyongyang, ou de trem, a partir da cidade chinesa de Dandong, que fica na fronteira. Esta seria uma opção mais interessante, porque assim talvez se possa ver um pouco do interiorzão norte-coreano, que os "guias turísticos" não vão te mostrar.

Bom, enquanto eu não me aventuro por lá, aproveitem os relatos do cara do blogue que citei acima.

Forte Hwaseong, Suwon

O Eder, outro brasileiro que está fazendo mestrado aqui na Coreia, contou que hoje foi a Suwon (cidade onde morei até pouco tempo e onde fica um dos campus da Kyung Hee) e conheceu o forte Hwaseong, uma muro que foi construído pelo rei Jeongjo, no século XVIII. Esse rei queria inclusive mudar a capital da Coreia para Suwon, mas acabou não dando certo.

Enfim, por causa da tuitada do Eder acabei lembrando que tinha um vídeo aqui que fiz quando meus pais vieram me visistar. Montei 3 DVDs para eles guardarem de lembrança, mas não publiquei quase nada no blogue, afinal não dá pra ficar escancarando a vida da gente na internet assim, mais do que já o faço. Mas como esse vídeo não tem nada de muito íntimo (além da minha mãe lavando o sovaco com a água do riacho que passa dentro do forte), aqui vai um dia de verão no Forte Hwaseong pra vocês.

Ilhas Oryukdo, Busan

Mais imagens dos nossos passeios pela Coreia mês passado. De trás pra frente, este vídeo foi gravado no dia anterior à ida para Geoje-do, ainda em Busan. Pegamos um barco na praia Haeundae que passa em frente à ponte Gwangan e dá uma volta nas ilhas Oryukdo (ou "ilhas cinco-seis").

Reparem a trilha sonora do passeio, que maravilha. Então pra combinar escolhi uma música coreana que agrada aos mesmos fãs... Não sei se classifico o estilo como trot (트로트), Kpop do Kim Jong-il ou Roberta Miranda coreana.


Depois desse vídeo, chega de barco e mar né? Nunca navegamos tanto na vida. Meu pai até passou um pouco mal, de tanto balanço de barco pra todo lado. Mais tarde, em Seul, só ouvi um uníssono "nããããoooo!" quando sugeri fazermos o cruzeiro pelo rio Han... :)

Com a família em Oedo, sul da Coreia

Eu tô vivo! Não, o abandono do blogue não foi intencional, mas também não vou ficar me explicando muito. Vamos ao que interessa, que é mostrar mais um pedacinho da Coreia pra vocês.

Como os leitores já sabem, minha família veio me visitar em agosto. E eu não podia estar mais feliz, claro! Vieram meus pais, desse Brasilzão, do interior de Minas, falando um inglês da linguagem de sinais nos aeroportos. Veio também minha irmã, que mora na Inglaterra, fazendo surpresa pros meus pais, e que passou pelo calor de 50 graus de Doha antes de chegar aqui. E no fim deu tudo certo.

Viajamos de norte a sul na metade desta península que fica abaixo do paralelo 38. Andamos em Seul "até as escadas rolantes das estações do metrô afundarem", como disse meu pai. E sempre na companhia de gente muito boa, como os que citei na postagem anterior, e outros personagens que fizeram essa viagem inesquecível para todos. Minha mãe já tá até pensando em voltar, de tão bem que foi tratada pelos coreanos e brasileiros residentes aqui! :)

Eu queria poder falar de tudo o que vivemos nesses dias tão curtos, mas tem coisa que só tem graça pra gente mesmo. As piadas e risaiadas das bobagens nossas só a gente que ri mesmo.

Pra vocês eu concedo algumas cenas, pouco a pouco. Eu gravei um DVD para os papitos levarem pra casa, juntando as cenas que gravamos aqui. As que eu achar que podem ser interessantes pra turma, vou postar aqui. Como nossa viagem à ilha Geoje-do, a segunda maior da Coreia. Lá tem uma ilhota-satélite que se chama Oedo, onde foi cultivado um jardim muito bonito desde os anos 60 e hoje é um belo destino turístico. No caminho, o barco deu uma paradinha em Haegeumgang, outra ilhota famosa pelo seu paredão de pedra que a rasga ao meio e permite que os barcos entrem até não caberem mais.

Aí vão algumas cenas da família Teixeira se aventurando em Haegeumgang e Oedo.


Dica: É possível chegar a Geoje-do de carro ou ônibus, pois tem uma ponte que liga a ilha à península, mas a estrada é muito tortuosa (dependendo de onde você vem), o que faz com que a viagem demore muito. O caminho que tomamos foi bem conveniente. Fomos até Busan (onde nos hospedamos na casa da Eun Bee) e de lá pegamos um barco até Geoje-do. Custou apenas ₩20,000 e demorou apenas 50 minutos. O porto fica muito perto da estação de trem de Busan, portanto um táxi de um até o outro custa mixaria.

Depois vou selecionar algum outro vídeo bacaninha e dar mais dicas aos turistas de plantão.

Abraços! 안녕히 계세요!

Praia em Sokcho e o monte Seorak

Semana passada finalmente tirei férias de verdade. Fui para uma cidade no litoral leste chamada Sokcho (속초), que é famosa por abrigar o Parque Nacional de Seoraksan, onde obviamente fica o monte (san) Seorak.

De Seul a Sokcho: mais ou menos 3h30 de ônibus.
Eu gosto tanto de praia quanto de montanha. Eu só não gosto de muvuca. E a Coreia do Sul, por razões demográficas, não é um país em que seja fácil fugir das multidões. No entanto, Sokcho me pareceu uma bela alternativa para quem procura sossego. Talvez porque não fosse fim de semana e ainda não começou a alta temporada oficialmente (que são as 3 primeiras semanas de agosto).

Para quem quer ver um bom exemplo de praia lotada na Coreia, aqui vai a mais famosa, a praia Haeundae, em Busan:

Tubarão aqui tem até dor de barriga!
E agora compare com a praia Seorak, em Sokcho:

Tubarão aqui precisa do Bolsa Família pra sobreviver.
Não tem nem comparação né? Mas há coisas que não mudam, não importa a que praia você vá na Coreia. Note por exemplo, na foto da praia de Busan, quantas boias amarelas (que aqui eles chamam de "tube", 튜브). Acho que nunca vi no Brasil gente grande usando essas boias na praia. É coisa mais de criança, ou estou enganado? Pois aqui é normal. E até regra: vai para a praia, tem que alugar uma boia amarela. É que eles têm uma preocupação enorme com a segurança. Até cercam a área em que se pode nadar. Nessa praia, por exemplo, não nadei em nenhum lugar que não desse pé. A cerquinha não deixava!

O motivo é óbvio: muita gente já se afogou antes. Eu mesmo já conheci muitos coreanos que não sabem nadar, e pelo jeito isso é comum aqui. Em Cheongju, eu fazia natação numa piscina de proporções olímpicas, porém eles colocavam um "palco" no fundo, de modo que desse pé para todos! Só uma ou duas raias não tinham o fundo elevado. É mole? Lembro que tinha uma fila de uns 30 adultos numa raia só, fazendo exercícios bem infantis, de quem está aprendendo nadar do zero. Não sei se vocês leitores tiveram experiências parecidas, mas lembro que quando eu era criança, quem não soubesse nadar até os 10 anos era uma vergonha na minha cidade (que fica beeeem longe do mar). Todo mundo dava um jeito de aprender nem que fosse o nado de cachorrinho, e mesmo que engolisse uns bons litros de água.

Ji Young, a criança feliz com sua boinha amarela!

Mas voltando à praia. Outra coisa que qualquer brasileiro não deixa de notar e estranhar é o fato de as pessoas simplesmente não tirarem suas roupas para entrarem na água. Minha mãe se espantou quando viu as fotos. Nunca tinha visto nada igual. Sim, os homens usam sunga, e as mulheres, biquíni... por baixo das roupas! Os homens mais ousados tiram a camisa, e apenas as mulheres totalmente confiantes de que seus corpos se enquadram no padrão de beleza coreano usam só o biquíni (que nem de longe é pequeno como os que vemos no Brasil). O restante entra na água com bermuda, camiseta, óculos, chapéu, enfim, o que der pra proteger! Outro motivo para fazerem isso é o medo horroroso que as mulheres coreanas têm de ficarem morenas. Aqui, quanto mais "branco azedo" (como diria minha avó), melhor.



Outra coisa que gostei em Sokcho foi a proximidade das praias e do monte Seorak. A cidade em si é como muitas cidades pequenas do interior coreano: não muito moderna, menos desenvolvida, mais pobre. Mas, sinceramente, o preço que paguei por uma pousada de frente a essa praia é muito menor do que eu teria que pagar numa pousada do mesmo nível a 3km da praia Haeundae em Busan.

Pousada Yemesong (propaganda)
Site: http://www.yemesong.co.kr/
Varanda e outras pousadas ao fundo.
Mesinha para tomar café.
E como quase toda pousada na Coreia (que aqui eles chamam de "pension", 펜션), tem sempre um local apropriado para você fazer um churrasquinho. Só não tirei a foto do lugar, mas é sempre muito conveniente.

No último dia, finalmente fomos ao monte Seorak, que fica a apenas 15 minutos de ônibus da praia, e custa só ₩1,000. A entrada no Parque Nacional de Seoraksan custou uns ₩2,000 (acho) e o bondinho até o topo da montanha ficou em ₩8,000 por pessoa.




Ajoshi dando uma espiadinha.

E lá em cima ainda tem um bocado pra escalar por conta própria! 
Mas a vista com certeza compensa o sacrifício.
E na volta paramos para refrescar no riacho ao pé da montanha.

Ônibus e aula de coreano de graça!

Aqui vão mais duas dicas rápidas, desta vez para quem já está na Coreia ou tem viagem programada para cá.

1. O governo sul-coreano está oferecendo ônibus de graça (Seul-Busan, Seul-Jeonju e Seul-Gyeongju) só para os estrangeiros. A mordomia faz parte da tentativa quase desesperada do governo em promover o turismo na Coreia, pra ver se o pessoal esquece um pouco que existe um vizinho problemático logo ao norte. Quem acaba levando a melhor somos nós! =)


Para aproveitar esta oportunidade e economizar uns bons trocados (acho que ônibus até Busan fica nuns 50 mil wons), é só entrar neste site e fazer sua reserva.

2. Está na Coreia, quer aprender coreano, mas não tem tempo nem dinheiro? Algumas instituições oferecem aulas de coreano de graça! Uma delas é o YMCA. Lembro que a Agatha e outros amigos estrangeiros faziam aulas na YMCA de Cheongju e adoravam.

E ontem recebi um email da minha universidade divulgando o Suwon Migrant Community Service, que também oferece aulas de coreano aos sábados e domingos em vários níveis diferentes, e até aulas preparatórias para certificados de proficiência em coreano. Tudo zero-oitocentos!
Eu tenho a sensação de que sou o único brasileiro que vive em Suwon, mas sei que tem uma turma escondida aqui que, como eu, deve escorregar pra Seul nos fins de semana. Tem sempre gente vindo do Brasil pra trabalhar na "cidade" da Samsung de Suwon. E até a Embrapa abriu um escritório aqui! Pois se algum de vocês, brasileiros que não gostam de falar que moram em Suwon, lerem este blogue, talvez agora dê para arranjarem um tempinho pra aprender coreano, não? ^^

Vietnã (parte 1)

Finalmente vou escrever algo sobre a viagem ao Vietnã na semana passada. Mas vou deixar as fotos bonitas e os vídeos pra próxima. Agora vou só falar sobre o propósito da viagem e algumas coisas que aprendi.

A viagem foi promovida pela universidade, e o objetivo era conhecermos de perto projetos de desenvolvimento e órgãos financiadores, como o Banco Mundial, KOICA, Exim Bank, etc. Foram muitas palestras e explicações, de modo que a viagem não nos deixou muito de folga.

Palestra no Ministério do Planejamento do Vietnã
Banco Mundial


A palestra no Banco Mundial foi uma das que mais me impressionou. Primeiro porque eu pude ter uma noção da pobreza do Vietnã e como eles precisam de ajuda externa. Segundo porque o presidente do Banco Mundial no Vietnã se mostrou muito otimista, dizendo que dentre todos os países em desenvolvimento, o Vietnã é o que mais colabora e trabalha numa verdadeira parceria com os doadores e financiadores, sem aquele orgulho besta estilo Kim Jong-il, que deixa seu próprio povo passar fome pra não ter que reformar suas políticas falidas.



Um exemplo simples de um projeto que implantaram recentemente é o de educação no trânsito. Quando vi os números, meu queixo quase caiu, porque num país em que 90% dos motoristas dirigem motos, acidentes matam mais do que qualquer guerra todos os dias. Se você vir a zona que é o trânsito vietnamita, não sabe nem por onde começar a trabalhar para melhorar. Eles começaram num item básico: o capacete. Há 2 anos atrás, dizem que ninguém usava capacete ao andar de moto! Injetaram milhões em campanhas, e até desenvolveram uns capacetes que ficam trancados na moto para não serem roubados, e hoje todo motociclista usa capacete no Vietnã. Parece coisa à toa, mas as vidas que são salvas impactam e muito na economia do país. Lógico que tem muita coisa a ser feita, mas é bom ver que está melhorando.


Fomos também a uma ONG coreana que se chama "Viet-Korea". Eles trabalham com comunidades rurais muito pobres, levando vários projetos para ajudar a aumentar as rendas das famílias. Um dos projetos se chama "Banco da Vaca" (Cow Bank), pelo qual eles financiam vacas para ajudar na agricultura familiar. Esse foi um dos momentos de que mais gostei, porque nos levaram lá pros cafundós onde o Eisenhower perdeu a cueca. Foi emocionante ver a abertura das pessoas com a gente! Todo mundo ri de tudo, até nos becos mais miseráveis.







A visita à KOICA também foi interessante. Gostei de ver o papel que a Coreia do Sul assumiu em ajudar países pobres, simplesmente porque o desenvolvimento sul-coreano dependeu enormemente de ajuda externa e eles sentem a obrigação de retribuir. E eles sabem que é possível fazer muito e em pouco tempo. A presença coreana no Vietnã é tão forte que as pessoas na rua sabiam falar várias frases em coreano. No mercado, por exemplo, os vendedores já aprenderam a dizer os preços todos em coreano.


Enfim, aprendi muito nessa viagem. Me deu muita vontade de voltar para trabalhar como voluntário no Vietnã. Lógico que nos divertimos e passeamos em lugares lindíssimos também, mas isso fica para um próximo post. Por enquanto, fiquem com um vídeo do engarrafamento de motos em Hanoi. Abraço!

"Um chopps e dois pastel", perto do Cheonggye

Domingo, como eu tinha avisado, fui ajudar a brasileirada na Feira da Amizade de Seul. Gravei algumas cenas porque tinha gente curiosa pra saber como era. Tudo muito simples: pastel, torta de frango, café, bombom e arroz-doce (que acabou rapidinho!). Mas pra mim, o melhor é estar perto de gente que fala a mesma língua, ri das mesmas bobagens e se sente mais unida, mesmo sendo todos brasileiros de lugares muito diferentes.

Então fiquem com os dois vídeos que fiz. O primeiro é mais pra mostrar a nossa barraca, e o segundo são os arredores, o rio Cheonggye (parece replay do ano passado) e a meninada brincando. Sempre que filmo algum lugar, não posso ver um catatau cuticuti que mando ver no zoom!

Obs.: Para os que sempre elogiam as músicas de fundo que escolho, quero ver os comentários sobre a trilha sonora de hoje. Uma combinação um tanto, digamos, diferente.


Fábrica de papel em Andong


Quando fomos para Andong, antes do Natal, um dos lugares que visitamos foi uma pequena fábrica de papel. Parece que o tempo parou por lá: os equipamentos, o lugar, tudo parece ser o mesmo há 50 anos. Até um rádio velho tocando música tranquila (dá pra ouvir no vídeo) enquanto eles trabalham.

O processo de fabricação artesanal de papel não tem muita novidade para mim, mas pode ser que alguém aí nunca tenha visto antes. Porém o interessante é que nesse lugar eles usam apenas a fibra da casca da árvore (não me perguntem qual espécie) de maneira que fazem papel sem que a árvore morra. Creio que isso demande um grande número de árvores disponíveis que regeneram suas cascas rapidamente, para que se tenha um sistema de produção lucrativo e sustentável.

Outra coisa que me chamou a atenção foi que os homens e as mulheres trabalham em lugares separados. Nesse esquema fordista de divisão de funções, não vi homens e mulheres dividindo a mesma função em nenhum nível. Taí o momento curiosidade do blogue. ^_^

Andong, Natal e Reveillon

Uma atualizadinha de vez em quando é bão, né? Primeira postagem de 2010! Feliz Ano Novo pra todo mundo que tá de prosa na Coreia comigo: minha família, meus amigos, e meus fieis leitores. Muita paz para todos!


Agora vamos às notícias, porque esta postagem não pretende ser nenhum debate pesquisado acerca de um assunto, mas só um diário de bordo.


Andong


A viagem do NIIED para Andong (especificamente com bolsistas que estudam na Kyung Hee) foi diferente do que eu esperava. Para mim, seria apenas um roteiro turístico numa cidade histórica. Mas acabamos ficando "internados" num instituto de cultura tradicional coreana, aprendendo sobre o dia-a-dia e os costumes da turma de olhos puxados há séculos atrás.


Teve muita coisa interessante e algumas coisas chatas (no sentido entediante da palavra). Entramos em casebres antigos, imitamos rituais de reverência, mas também tivemos que conhecer túmulos dos ancestrais coreanos, incluindo o carinha da nota de mil wons. Fala sério né? Conhecer túmulo, a menos que seja um belo de um túmulo, é programa de índio. Prefiro conhecer o que o cara fez, e não onde os seus restos mortais descansam e eu nem posso ver (porque se fosse uma múmia, ou algo do tipo, já seria mais interessante). Até brinquei com uma guia que contava as histórias: "Se você fosse ao Brasil, o que gostaria de visitar?", e ela respondeu "As praias, florestas, cachoeiras, as belezas naturais..." "Ah é? Pois então. Se você for ao Brasil comigo, vou te levar ao túmulo do Tancredo Neves, beleza?". Ela deu uma risadinha sem graça e continuou no roteiro.



Nossa turma reverenciando o carinha da nota de mil. Os túmulos aqui são assim: uma pelota na terra.

Eu, vestido de hanbok, roupa tradicional coreana.

Só tava tentando ajudar o ajoshi na roça...

Aprendemos a fazer máscaras, um costume típico de Andong.

Natal brasileiro

De Andong fui direto pra casa do Renato e da Selma, onde encontramos a brasileirada para comemorar o Natal decentemente. Agatha e Briza, as metidas, deram o bolo na gente e não apareceram. Mas foi muito bom: ceia deliciosa, "inimigo oculto", e muita prosa boa. De quebra, alguns folgados (como eu) ainda passaram a noite por lá, com direito a ronco de 6 graus na escala Richter! :P Só tenho a agradecer muito aos nossos anfitriões, que têm dado uns tapas na saudade do Brasil em datas especiais.

A turma toda no Natal. Bem que tentamos fazer o Renato sentar no lugar da Rebeca, pra ficar com cara de foto patriarcal.

Aí no Brasil ninguém comeu nada disso no Natal né?



O presentinho que a Eun Bee ganhou no "inimigo oculto".


Ano Novo

Essa virada foi um pouco diferente pra mim. É que há alguns dias me ligaram da KBS (canal de TV coreano), convidando para fazer uma pequena reportagem, por causa do PCNB (o esquema lá que deu o prêmio para o blogue, por divulgar a Coreia no exterior). Perguntaram se eu poderia gravar no dia 31, e eu disse que sim. Mas eu imaginava que seria algo rápido. Algumas perguntinhas, imagens, e pronto.

Que nada! Passei o dia inteiro com um câmera na minha cola! Ainda bem que pude compartilhar o papparazzo com Gustavo, Juliano (os dois), Carol e Eun Bee. O cara me levou a vários lugares de Seul (restaurantes, templos budistas, videntes, etc) para eu fingir que estava gravando vídeos para postar no blogue. É mole? Bom, acabei gravando alguma coisa mesmo, mas assim não tem muita graça. Topei mesmo para guardar a participação na TV como lembrança (e porque fiz tudo de graça). Vai passar amanhã no programa 생방송 오늘 (Live Today) na KBS 2TV, e provavelmente vão editar o dia todo em uns 4 minutos.

Eu e um "sábio coreano". O cara leu a minha mão, fez duzentos cálculos e disse que vou me casar em 2012. Interessante é que perguntei pro câmera (solteiro) se ele já tinha feito a tal consulta. Ele disse que sim: "Era pra eu ter me casado no ano passado".

Carol e Juliano (os mais novos brasileiros a se aventurarem por aqui), o Juliano de sempre e eu. A Eun Bee ficou com frescura pra tirar foto. Nunca passei tanto frio na minha vida (sensação térmica de -20!). Reveillon congelante!

Abaixo segue um vídeo que gravei em alguns momentos antes, durante e depois da virada. Foi um pouco decepcionante, porque não teve queima de fogos. Uma coreana me disse que foi proibida a queima de fogos no centro de Seul, por considerarem perigoso! :P Ficamos só nos balõezinhos, nos mini-foguinhos que o pessoal levou e na batida do sino em Jongga, que tocam para trazer boa sorte para o ano que se inicia.


http://www.youtube.com/watch?v=apuo7hxkJgA

E vocês, onde passaram o Réveillon?

Meu primeiro samgyeopsal nas férias

Enfim, férias! Só esperem que eu não tire férias do blogue também, porque a vontade de ficar longe do computador tá grande. Fiquei traumatizado passando tanto tempo com ele, digitando trabalhos e mais trabalhos...

A boa nova é que logo no primeiro dia de férias já juntamos a turma e fomos para Anmyeondo para "brincar" (no sentido coreano da palavra). Eu já tinha ido lá em junho, mas foi muito legal ver que em estações opostas alguns lugares mudam completamente, então nem fica repetitivo.

Nossa turma em frente à casa onde nos hospedamos em Anmyeondo 



A minha filmadora trabolhilda está de volta à ativa, e espero ter tempo de mostrar muita coisa bacana aqui pra vocês. O lugar em que ficamos era muito tranquilo e bonito, e como nevou bastante ficou melhor ainda. À noite, depois de nevar, o céu se abriu e pela primeira vez vi uma noite estrelada na Coreia como no interiorzão do Brasil. Quem mora em cidade grande sabe como é difícil ver um céu limpo de dia e até as menores estrelas à noite. Essas pequenas coisas recarregam minhas baterias!

Mas hoje eu selecionei um pequeno trecho que gravei para falar sobre a comida coreana. Mais especificamente o sampgyeopsal (삼겹살), o churrasco coreano.

Vou ser sincero. A comida coreana, para mim, não é daquelas que descem fácil logo de cara. Ela tem muitas semelhanças com a comida japonesa, mas, ao contrário da japonesa, que pega bem leve nos temperos, a comida coreana manda ver na pimenta. Um brasileiro que queira viver na Coreia e comer só a comida local tem que ter o estômago muito bom pra comer de tudo, ou então gastar tempo provando e descobrindo os pratos que o agradam.

Com o samgyopsal, no entanto, a coisa geralmente é diferente. É a típica comida que ocidental come aqui sem maiores problemas. Sam (삼) significa três, gyeop (겹) significa dobrasal (살) significa carne. É um tipo de corte da carne do porco que tem três camadas de gordura. O dia 3 de março é também o Dia do Samgyeopsal, só por causa da data (3/3). Mais uma ideia comercial, bem no estilo do Dia do Pepero (11/11).

Uma coisa que eu gosto na comida coreana é que, em geral, ela é tem mais verduras e legumes que a deliciosa comida mineira, por exemplo. Uma típica "comida de domingo" na minha casa em Minas, seria ou lasanha, ou churrasco (carne, carne, carne, carne... e pão-de-queijo!), e talvez um feijão tropeiro. E de sobremesa, doce, claro. Doce-de-leite, doce-de-cidra, goiabada com queijo, doce de figo, arroz-doce, enfim... tem que injetar açúcar na veia!

Parece uma coisa óbvia a equação "sobremesa = doce". Mas não na Coreia. Aqui o conceito de sobremesa praticamente se resume às frutas. Às vezes até alguma "papa" de algum legume pode ser considerada "sobremesa". E no prato principal, enfia-se verdura onde der!

Apesar dos hábitos alimentares dos jovens estarem sendo bem ocidentalizados, considero a alimentação aqui ainda infinitamente mais saudável em alguns aspectos. Na hora da refeição, por exemplo, você não vê ninguém reclamando que não tem refrigerante. Geralmente é um copinho d'água ou uma sopa aguada.

Eu, chocólatra e criado à base de doces mineiros, tenho um paladar que sempre implora por doce depois das refeições. Mas, pensando mais racionalmente, vejo o quanto minha alimentação tem melhorado, afinal de contas, desenvolver um diabetes não está nos meus planos futuros...

Pra vocês que estão daí e podem comer churrasco "de verdade", aqui vai um vídeo da gente fazendo o samgyeopsal. Bom apetite! :)

http://www.youtube.com/watch?v=yWgBMy6hiaM

Festival de Lama de Boryeong

Quais serão minhas desculpas esfarrapadas pelo meu sumiço bloguístico? Tenho duas que não se esfarrapam tanto assim: tenho viajado muito nas últimas 3 semanas (Cheongju >> Daegu >> Cheongju >> Suwon >> Cheongju >> Seul >> Boryeong >> Seul >> Cheongju >> Suwon >> Seul >> Pohang >> Gyeongju >> Ulsan >> Seul >> Suwon... ufa!) e a desculpa mais basiquinha é que eu estava sem internet na minha nova casa até hoje.


Dadas as satisfações aos fiéis leitores, vamos ao que interessa: o Festival de Lama de Boryeong.

Boryeong é uma cidade praiana que fica no Mar do Oeste, bem pertinho de Anmyeondo, onde estivemos no mês passado e pegamos aqueles bichinhos nojentos na lama. Pois então, parece que o potencial natural da região é ter muita lama! Daí o motivo de muita gente se perguntar o porquê de tantos turistas irem se sujar nos lamaçais coreanos (dizem que cerca de 1 milhão de estrangeiros vão ao Festival de Lama todos os anos). O paraguaio Hugo, que não quis ir, até sugeriu: "Se vocês querem se sujar na lama, podem ir pra minha casa no Paraguai. Quando chove, é só sair pela porta da cozinha e você atola no barro do quintal!".

Para ser honesto, Boryeong não tem nada de mais. É uma cidade pequena, agradável, tranquila e com uma praia "normal" para um mineiro farofeiro que escorregou muitas vezes para o litoral capixaba nas férias. Mas uma coisa tenho que reconhecer: os coreanos sabem tirar água de pedra. Em 1998 eles decidiram usar todo o potencial lamístico da região e promoveram o primeiro Festival de Lama de Boryeong. O sucesso foi tão grande, principalmente entre os estrangeiros que vivem na Coreia, que desde então eles fazem esse festival todo ano durante o verão.

E no país em que se diz que kimchi previne câncer e protege contra a gripe do frango, do porco, do elefante e da minhoca, é óbvio que a lama de Boryeong não podia deixar de ter seus benefícios. Segundo estudos (talvez os mesmos que comprovaram que ventilador mata), a lama da região é rica em mineirais que ajudam a rejuvenescer a pele, acalmam os nervos e trazem paz interior.


Não sei se fiquei mais jovem e calmo, mas posso garantir que me diverti muito nesse festival! Fui com uma turminha de Cheongju e mais uns 200 estrangeiros num pacote da Adventure Korea e lá encontramos o Gustavo, a Briza, a Ivonne e o Elias (ambos de El Salvador). Algumas das atividades das quais participamos no lamaçal, onde formamos dois times gigantes chamados Tigre e Dragão (qualquer semelhança com algum filme é mera coincidência): luta livre, rugby e maratona de 5km. E no centro lamístico da cidade tinha de tudo: escorregador de lama, piscina de lama, prisão de lama, pula-pula de lama e vários outros jogos... de lama, claro. E ainda por cima havia apresentações e shows acontecendo o tempo todo, sem parar!

Infelizmente não dava para tirar muitas fotos e gravar muitos vídeos, porque era impossível não se eslamear. Gravamos algumas coisas e depois deixamos tudo nos armários públicos que eles ofereciam de graça pra gente, para então aproveitarmos. Por isso não deu para registrar momentos muito especiais, como quando um grupo de Samul Nori veio tocar os instrumentos coreanos tradicionais com a gente. Briza, Gustavo e eu entramos na dança, batucamos com o pessoal e viramos estrelas! Uns 20 fotógrafos profissionais foram tirar foto da gente, pedindo para fazermos caras e bocas. E a gente se achando, né! Imaginem a cena: 3 brazucas sujos de lama da cabeça aos pés, dançando uma mistura de samba-do-crioulo-doido com dança-da-chuva e tocando instrumentos coreanos tradicionais.

Aqui vai um vídeo do pouco que gravei, mas que já dá para ter um noção da coisa toda. Abraço pra todo mundo!

http://www.youtube.com/watch?v=0ibGEMnARcI