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Seul começa a construir o segundo prédio mais alto do mundo


O acordo já tinha sido assinado em 2008, mas as obras só começaram nesta semana. O projeto, chamado Seoul DMC Landmark Building, vai custar cerca de 3,3 trilhões de wons (mais ou menos 3 bilhões de dólares). Foi feita uma parceria entre a prefeitura e várias empresas privadas, e estima-se que a obra gerará 86 mil empregos e induzirá uma movimentação de mais de 9 bilhões de dólares.

Construir um gigante desse, que só será menor que o Burj em Dubai, tem também como objetivo projetar a Coreia no mundo como detentora de tecnologias inovadoras e ambientalmente corretas. Isso porque o prédio foi todo planejado para usar o máximo de fontes de energia limpas, o que inclui a tecnologia LED (sim, a mesma das TVs), criada por coreanos, e que proporciona iluminação com um consumo mínimo de energia nunca obtido antes.


A arquitetura do prédio pode parecer simplista (a intenção é imitar a forma de um "bambu"), mas temos que reconhecer que o projeto é de tirar o chapéu em termos de funcionalidade. A estrutura é feita para resistir a terremotos e ventos muito fortes. No topo do prédio haverá uma turbina para circulação do ar eficientemente, placas de energia solar no exterior que mudam de posição automaticamente de acordo com o sol, um vão de cima a baixo com um espelho que que reflete a luz solar até os primeiros andares e um sistema inteligente de captação e retenção do calor no inverno.


Durante a noite, 40 mil placas de LED do lado de fora vão emitir luzes de várias cores, proporcionando um espetáculo para quem vê o prédio (que, aliás, será chamado de Seoul Lite). Espera-se que as obras terminem em 2015.

* Outros dados:
- A altura total do Seoul Lite será de 640m, com 133 andares.
- No andar mais alto haverá um observatório, de onde se poderá ver cidades da província de Gyeonggi e também Gaeseong, na Coreia do Norte.
- Do 108º ao 130º andares haverá hoteis entre 6 e 8 estrelas, tornando-se os que tem quartos mais altos no mundo (por enquanto eles estão no International Financial Center, em Xangai, na China).

Feira da Amizade em Seul

Olha, o nome em português ficou engraçadinho (em inglês é Seoul Friendship Fair). É o nome da feira de comidas, músicas e bugigangas estrangeiras, que aconteceu no domingo, como encerramento do Hi Seoul Festival.

Já no sábado trombamos com brasileiros no Cheonggye, 5 minutos depois que eu disse "Gustavo, tô achando que vamos topar com algum brasileiro aqui", ao que ele respondeu "Ah... será?".

No vídeo que estou postando vocês vão ver alguns dos brazucas que estiveram na feira, e vão ter uma ideia de como é o movimento e as apresentações nesse dia.

E como os blogues brasileiros na rede coreana estão fazendo uma propaganda danada uns dos outros, aproveito para divulgar o sistema de busca que o Juliano implementou no seu quase-morinbundo Kimchi com Café. (Digo isso, porque antes de eu vir pra cá, assim como muitos me pedem informações, o Kimchi com Café era minha fonte de conhecimento. Anos dourados aqueles... rs. Ultimamente, devido à escravidão a que seu criador foi submetido, essa fonte quase secou. Mas de vez em quando ele ressurge com algumas engenhocas como essa). O sistema serve para buscar informações em todos os blogues de brasileiros na Coreia. Depois dá uma passadinha lá.

E aqui vai o vídeo.

Cheonggyecheon, o rio despoluído

Como gravei muitos vídeos em Seul no fim de semana, vou colocando aqui aos poucos. Não estou com muito tempo agora, porque eu devia ter feito muitos sukjes (dever de casa), só que fui vagabundear na "capitar". Agora tô engolindo pança na aula! Eu falo pra Briza que esses Daeguenses me levam pro mau caminho... Mas tudo bem. É um bom mau caminho! =)

Aí vai o vídeo do Cheonggyecheon, o rio de Seul que era mais encocozado que o Tietê, mas foi despoluído e virou modelo no mundo todo. Para quem não viu a reportagem da Globo que postei antes, veja aqui.

Tirei meu tênis e relaxei à beira do rio, foi uma bênção. Se tudo der certo e eu me mudar pra Suwon em agosto, vou dar um pulinho no Cheonggyecheon todo fim de semana. Deixa eu chegar lá agora, porque estou atrasado para a aula. Beijo na testa pra todo mundo!

Os bangues da Coreia

Na falta de assunto para postar, vou fazer uma tradução parcial de um texto que o Gustavo postou no blogue dele. Prova que nossos blogues estão em sintonia fina... rs. Trata-se de um site que traz várias informações sobre a cultura coreana (ou simplesmente, sobre as "coreanices"). Como o texto está em inglês, resolvi postar uma parte em português, para popularizar o acesso ao conteúdo. Depois, se eu tiver paciência, traduzo outras coisas. Mas hoje vou traduzir a parte que fala sobres os "bangues" da Coreia. Só vale lembrar que minha tradução não tem qualquer compromisso com a fidelidade. Vou resumir, cortar, e comentar onde der na telha.

Atrás das portas fechadas
Visão geral dos bangues (salas) de Seul

Os coreanos são muito conservadores quanto ao comportamento em público, mas atrás das portas fechadas muita coisa acontece. "Bang" é a palavra coreana para "sala", e há diversos tipos de "bang".

DVD Bang: São salinhas com grandes TVs, onde você aluga um DVD e assiste o filme tranquilamente. Geralmente ficam em bairros universitários, do segundo andar para cima nos prédios. Os DVD bangues variam muito, podendo ser grandes e luxuosos ou até mesmo claustrofóbicos. Alguns têm até cama, e muitos universitários usam esses lugares para dar uns amassos, já que em público nada acontece entre os casais.

PC Bang: Equivalem às "lan houses" no Brasil. Esses lugares são geralmente barulhentos, escuros e enfumaçados. Barulhentos, porque a maioria vai para jogar video-games, e enfumaçados, porque na Coreia não há muitas restrições para os fumantes (que são muitos!) e eles dão suas baforadas em todos os cantos. Muita gente também usa os PC Bangues só para acessar a internet, checar e-mail ou imprimir alguma coisa. Mas não se assuste se for a um PC Bang tarde da noite e encontrar um ajosshi navegando um site pornô... yeck!=P

Noraebang: São os karaokês coreanos. É lá que os coreanos soltam a franga total! "Noraebangar" é um dos hobbies favoritos na Coreia, e eles fazem isso muito bem. Cantar num noraebang não é algo que se faz só quando quer "zuar" ou quando está bêbado, mas até mesmo companheiros de trabalho vão juntos cantar depois do expediente. E vale tudo na hora de cantar num noraebang: muitos oferecem perucas, fantasias, máscaras e acessórios afins que trarão mais diversão para esse momento quase-sagrado na Coreia.

Sarang Bang: Também conhecido como "love motel", os Sarang Bangues são nada menos que os motéis brasileiros. A diferença é que, para diferenciar dos motéis sem fins sexuais, eles geralmente imitam formas de castelinhos. E por causa da timidez surreal do povo coreano (principalmente em se tratando de "sexo" - que é uma palavra que não se pode dizer alto e em público), muitos Sarang Bangues nem têm recepção. Na entrada, tem apenas uma maquininha de cartão de crédito para o sujeito efetuar o pagamento, e no estacionamento há cortininhas para tampar a placa do seu carro (?). Mas pode-se usar um Sarang Bang apenas como hotel mesmo, pois os preços são bons.

Jimjil Bang: Essa é a sauna da família coreana. É o único bang no qual coisas escrotas não acontecem. A menos que você considere ver uma ajumma com permanente no cabelo esfregando suas amigas numa mesa de plástico algo escroto. Nas Jimjil Bangues masculinas a coisa é mais intensa: os coreanos todos peladões, andando de um lado pro outro, fazendo massagem nos amiguinhos, secando o bilau com o secador de cabelo e dando suas escarradas rotineiras.

O departamento de turismo do governo coreano tinha que lançar uma propaganda no exterior do tipo "Bangues da Coreia: mais um motivo para você conhecer nossa cultura milenar!"

Festanças de fim de ano

Tá bom. Lá vai.
O NIIED resolveu fazer uma "festinha" de final de ano em Seul, com todos os estudantes estrangeiros que receberam a bolsa do governo. É também uma maneira de exibir a gente por aí, porque coreano adora mostrar os estrangeiros que vieram pra cá. Mas o que deu o que falar mesmo foram as apresentações. Se não me engano, ao todo são 14 universidades que receberam a nós, os "KGS students", para aprender coreano durante o primeiro ano. E cada universidade deveria fazer uma apresentação, que concorreria com as outras universidades.
Pra resumir a história: aqui em Cheongju escolheram euzinho aqui pra liderar a galera pra fazermos alguma coisa. Uma boa parte da turma quis tirar o deles da reta, mas dei um jeito de constrangê-los e não abandonarem o barco, de forma que nossa apresentação foi a que reuniu o maior número de estudantes. Não tivemos tempo de ensaiar, mas tivemos quórum pra animar! Mixamos trechos curtos de músicas de 11 países/culturas diferentes e encerramos com duas músicas coreanas. Resultado: mobilizou a platéia toda e ficamos com o terceiros lugar (o que só ficou claro pra mim depois que voltamos pra Cheongju)! E ainda rendeu uns trocadinhos: 200 mil wons pra galera fazer uma festinha. Confira o surto coletivo abaixo, com a minha tapeação dançarinística.


Essa viagem pra Seul foi especialmente lucrativa para mim. Além dos 200 mil pra turma toda, ainda ganhei um "prêmio de excelência" do NIIED, com mais 200 mil. É um certificado super chicoso que diz que fui "honrado pelo meu excelente achievement no programa de língua coreana em 2008". A minha dúvida foi o critério da escolha, porque foram escolhidos 2 alunos em cada universidade, e eu tenho certeza de que minhas notas não são as melhores da turma, porque tem o Alex, o francês pomposo cujo hobby é estudar, fica triste quando tira 98, corrige o inglês de todo mundo e diz que não devíamos sair nos fins de semana, pois devemos estudar para chegar no nível 5. Quando ele viu meu prêmio, não escondeu a indignação: "How come you got an excellent achievement? You haven't achieved anything yet!". Desconfio que a escolha tenha sido subjetiva, com critérios das próprias professoras, que claramente não gostam da arrogância dele, e preferem minhas cantadas matinais embutidas: "Professora, como você está bonita hoje!" e "Cortou o cabelo hein, professora! Muito bonito!". De modo que estão chamando meu "prêmio de excelência" de "excelente galanteador"! haha.

Ainda em Seul aproveitamos bastante, porque a Briza, o Gustavo, a amiga paraguaia deles Cláudia, Juliano, sua fiel escudeira Eun Bee e eu saímos pra um bar, seguido de um karaokê, seguido de conversa fiada no apartamento do Juliano, seguido de um breve cochilo para descobrirmos a padaria que dá pão à vontade se você comprar um café entre 9h e 11h da manhã no sábado. Eu que não sabia o que era padaria há um bom tempo me empanturrei de pão! No blog do Juliano tem um post antigo sobre a descoberta desse paraíso panificatório. Minha felicidade será completa quando eu finalmente encontrar o famoso lugar onde se vende pão-de-queijo em Seul!

Mudando de assunto. Ontem à noite nevou bastante e hoje de manhã levei um tombo ao sair de casa. Neve no passeio, onde todo mundo pisa, é um perigo! Vira um rinque de patinação. Descobri da pior maneira. Tudo bem, bunda grande serve pra alguma coisa. Acabei me atrasando e encontrei o resto da turma no caminho, fazendo guerra de neve. Aí que atrasamos mesmo! Minha primeira guerra de bola de neve foi muito boa. No final, quem vinha chegando? O Biru! Pra quem não se lembra, é o indiano que dividiu quarto comigo nas primeiras duas semanas aqui. A galera é fã dele! Nos bons e maus momentos... hehe. Espia só o que aprontamos com o pobrezinho.



Churrasco e ginco-bilobeiras

Seul foi muito agradável. Saí direto da prova que tive ontem de manhã e fui pegar o ônibus. Cheguei a tempo para mais uma massagem. Estou começando a gostar desse negócio. Mas dessa vez foi massagem de verdade, profissional, sem maquininha. E foi no corpo inteiro, da nuca até no dedinho mindinho do pé. Até minha poupança a mulher massageou, igual minha vó preparando massa pra fazer rosquinha.

Depois peguei o metrô e fui encontrar com o Juliano e a namorada dele, a Eun Bee. Finalmente nos encontramos pessoalmente! Após uns 6 meses trocando e-mails e lendo o blog dele, a gente se conheceu. Estava também o Gustavo, a namorada coreana dele (esqueci o nome!) e o Jamali, um bangladeshiano (ou bengalês) amigo do Juliano. A idéia era reunir uma turma grande de brasileiros, mas muita gente furou. Tudo bem, a gente se fartou de carne no rodízio! Maravilha!


De lá eu fui pro quarto do Jamali, que me ofereceu hospedagem. O cara é gente finíssima! Ri de tudo. Como o tempo tava chuvoso no fim de semana, meu plano era voltar pra Cheongju hoje de manhã, mas assim que saí na rua e vi que o dia tava lindo, tive que dar uma voltinha. Tirei umas fotos perto da casa do Jamali, peguei o metrô e desci na estação do COEX, onde o Juliano disse que tinha pão-de-queijo. Mas chegando lá deu preguiça de procurar o bendito pão-de-queijo naquele tamanho de shopping e resolvi ir andando até o Complexo Esportivo dos Jogos Olímpicos de 1988. Foi muito agradável, apesar de que, mais uma vez, não consegui ver coisa alguma dentro dos estádios porque estava fechado.

Mesmo assim fui admirando as "gingko trees" (árvores de ginco biloba). São essas que ficam amarelinhas no outono, e aqui eles colocam isso nas comidas. Faz bem pra memória, dizem. Taí um vídeo que gravei de uma dessas árvores na estação Hyehwa (perto do Jamali). Abraços!





Seul e Daejeon

Finalmente, depois de terminar as minhas primeiras provas, posso atualizar meu blog de maneira decente, sem ter que mencionar banheiros malucos ou chicletinhos nasais coreanos. A foto aí em cima foi tirada em Seul há duas semanas no Palácio Gyeongbokgung. O lugar não tem nada de muito especial, a não ser o fato de que é muito bonito e agradável de se passear. Presenciamos lá também o "aniversário do rei". É uma encenação do que acontecia no passado sempre que o rei ficava mais velhinho. Um grupo muito bom tocou umas musiquinhas enquanto o restante fazia os rituais para o rei. Os instrumentos antigos são muito interessantes e fazem um som bacana, mas confesso que tem hora que dá um sono que me traz à memória as aulas de literatura com o professor Braz Saturnino na época do colégio.

Parte da turma decidiu ficar em Seul de sexta para sábado, então o Alex, por ter uma namorada coreana, já conhecia a cidade e resolveu ajudar a gente a encontrar uma pousada. E, por ser o francês estereotipicamente mais francês que já conheci em toda a minha vida, tirou do bolso seu caderninho e saiu anotando o nome de todos que ficariam em Seul, fez lá suas contas, ligou daqui, ligou de lá, e tudo se resolveu. A minha surpresa foi que a pousada em que ficamos era tão barata, mas tão barata, que nem toalha tinha. E eu tinha sido o único a não levar toalha. Como ninguém ofereceu toalha nenhuma, tive que me virar. Lá estava eu, molhado no banheiro, procurando qualquer coisa que pudesse virar toalha. Tentei o papel higiênico. Enxuguei só o rosto. O corpo todo gastaria o rolo todo, que poderia fazer falta mais adiante. Vai a camiseta mesmo. E foi. Desde então, uma toalhinha, mesmo que de rosto, não sai da minha mochila!

E eu que pensei que não contaria histórias relacionadas a banheiros... Desculpem, a tosquice das minhas histórias é inevitável. Mais forte que eu!


Dia seguinte. Fomos para a Namsan Tower. Ao pé da torre você dá de cara com um mundaréu de cadeados que não tem fim. São cadeados com nomes de casais, que os prendem lá para simbolizarem a "eterna união". Ironicamente tem uma placa no local que diz: "Por favor, não joque a chave fora". Os mais fanfarrões devem ter uma coleção de cadeados com seu nome.

No mesmo dia nos separamos em três grupos que queriam fazer coisas diferentes. Uns foram fazer compras, outros foram ao Lotte World (tipo Disneylândia) e eu, Orxan, Galileo, Wilson e Hugo fomos ao Estádio da Copa do Mundo de 2002. A surpresa ruim foi que justamente naquele dia o estádio estava fechado para visitas, porque estavam arrumando o palco para um show que aconteceria. Mas do lado de fora havia várias telas mostrando cenas daquela Copa. O Orxan, que é do Azerbaijão e apaixonado por futebol e, como Azerbaijão não tem time próprio que o represente na Copa do Mundo, torce vorazmente pela Turquia, que, segundo ele, é a "mãe" do Azerbaijão. E, coincidentemente, na Copa de 2002 o Brasil enfrentou a Turquia duas vezes, numa das quais o Rivaldo mostrou a sem-vergonhice brasileira para o mundo e fingiu ter levado uma bolada na cara quando a bola na verdade tinha acertado seu joelho (na frente de quatrocentas câmeras). O juiz, que não suspeitou de nada, deu cartão para o turco e o time ficou prejudicado. O pobre do Orxan está magoado até hoje, pois acredita piamente que a Turquia teria sido a campeã do mundo se tivesse passado pelo Brasil. Mas lá estávamos nós, assistindo a "flashes" dos gols do Brasil em cima da Turquia. Seu coração azerbaijano se despedaçou. E eu lá, vibrando os gols! Ele só voltou a brincar comigo nesta semana, quando uma coreaninha estava conversando com a gente e perguntou de onde éramos. Cada um foi dizendo seu país, até que eu falei que era da América do Sul, pra ela adivinhar. Ela, nem chute deu. Dei uma dica: "o MAIOR país da América do Sul". Nada, coitada. Outra dica: "meu país é famoso por ser muito bom em FUTEBOL!". Ela fez cara de quem se lembrou: "Ah! Já sei! É a Argentina!!!". A comunidade latino-americana, que assistia à cena com o Orxan, riu até cair no chão. Fiquei desconsolado! Culpa do Dunga.


Essa foto aí em cima foi no último fim de semana, quando fui para Daejeon com o Yo Sep. Achei a cidade muito parecida com Cheongju, só que maior. Mas para mim o melhor mesmo foi ter a experiência de estar numa família coreana por alguns dias. Além de aprender várias expressões (como dizer "boa noite" e "bom dia" para os mais velhos, pois o tratamento é diferente), quebrei também alguns conceitos errados que eu tinha. O primeiro foi a respeito do cachorro. Sim, eles têm um! E para surpresa dos desinformados, não é para comer no almoço. Maltês, como a Sissy. Gente finíssima o cachorro. Chama-se Teng-chil-i e se deu superbem comigo! Os pais do Yo Sep me trataram como um rei! Comi até sair comida pelo nariz. E me fizeram um zilhão de perguntas sobre o Brasil e nossos costumes. Acham que sou o cara mais inteligente da face da Terra, só porque tenho bolsa pra estudar aqui, onde a educação é supervalorizada e almejada por todos. No final eu lhes dei uma orquídea como agradecimento (pois eles tinham uma área no apartamento só com plantas), e com uma plaquinha escrito 히키 (Rique), um dos meus muitos nomes na Coréia. A mãe dele me deu uma Bíblia Inglês/Coreano e na dedicatória assinou "sua mãe coreana". Agora, sempre que ligam pro Yo Sep, perguntam como é que eu estou!

Neste mundo fica sozinho só quem tem medo.

Até a próxima postagem!


Banheiros, ah! Banheiros!

Tem muita coisa que eu poderia postar agora. Estive ausente durante mais de uma semana porque meu computador deu um problema na tela e tive que mandar trocar. Enquanto isso tivemos dias bem ocupados por aqui, com algumas burocraciazinhas e, graças a Deus, algumas viagenzinhas também. Fomos para Seul para uma orientação do NIIED, órgão do governo coreano que nos concedeu a bolsa de estudos, como a CAPES ou o CNPq no Brasil. Mas sobre esta viagem eu conto em detalhes depois.

Agora quero apenas compartilhar minha intensa experiência com os banheiros coreanos. Banheiro (e suas variações), em qualquer lugar do mundo, é parte essencial da vida do ser humano (ou "cero mano", segundo pérolas do ENEM). Por isso minha relação com o dito cujo aqui tem sido de amor e ódio. Seguem abaixo alguns breves relatos.

Dia 27 de agosto: o primeiro contato. Entrei no dormitório, deixei minhas coisas no quarto e fui à procura do bendito banheiro. Lá estava ele, de portas abertas, sorrindo para mim. Entrei, mas antes de "reinar", procurei o interruptor para acender a luz. Nada. Cadê o treco? Minutos de tensão (mental e física!). Não acreditei quando descobri que o interruptor que acende a luz dos banheiros aqui fica do lado de fora! "Jesus que me abana", como diria a Ludy. E se alguém apaga a luz enquanto você está trabalhando pesado? Como vou saber se fiz o serviço bem feito? E como vou saber se ficou limpinho?!

Dia 20 de setembro: o susto. Fui para Seul sozinho, por conta própria, para sentir o gostinho da aventura e para levar meu computador na assistência da Apple de lá. Peguei o ônibus, cheguei na rodoviária em Seul e, graças ao Juliano (gente fina, visitem o blog dele para mais aventuras brasileiras na Coréia: Kimchi com Café, link do lado direito), eu decidi que pegaria o metrô para chegar aonde precisava. Depois de muito rodar no sistema, indo de linha em linha, meu intestino decidiu que era hora de uma relaxada. Entrei num banheiro masculino da linha 7, que, premonitoriamente ou não, segundo o Juliano era a linha "cor de cocô" (pra eu não errar). Primeira cabine: sem papel higiênico. Segunda cabine: sem papel higiênico. O mesmo se repetiu nas outras cinco cabines. Poxa! Tanto papel higiênico nas mesas de restaurante aqui, e nenhum no banheiro. Mas na cabine para deficientes físicos, ah!, essa sim tinha papel. Mas para minha surpresa era um vaso eletrônico, o que, àquela altura, não importava tanto.
O problema foi quando terminei minha empreitada. Quem disse que eu achei o botão da descarga? O vaso eletrônico tinha uns 8 botões, e todos em coreano! Tentei o primeiro. Um barulho. Algo surgiu de dentro do vaso. Um caninho, que veio devagarinho, virou a pontinha pra cima e... zássss!!! Espirrou água com uma pressão que dava pra lavar as nádegas de um elefante! E se eu não tiro a cabeça curiosa da frente, dava-me uma esguinchada na cara! O pior é que não parava de sair água e ela começou a escorrer pelo banheiro a fora. "Faça alguma coisa", pensei. Outro botão. Parou? Não. O caninho virou pra baixo e começou a rodar! Até que apertei um botão e parou tudo. Desisti da descarga. Deixei de herança uma obra prima brasileira, para coreano nenhum botar defeito.

Dia 25 de setembro: o quase-susto. Fomos a um bar aqui em Cheongju. Lugar bacana. Sofá em todas as mesas, com um buraquinho congelador pra colocar o copo em cada lugar pra bebida não esquentar. Hora de ir ao banheiro. Agatha e eu, procurando o bendito. Segue a plaquinha com os bonequinhos, né. A plaquinha deu no mesmo lugar. Ahn? Isso mesmo. O banheiro era um só! Detalhe: não tinha porta. Banheiro aberto. Com os mictórios na entrada e os vasos mais adiante. A rapaziada faz xixi ali, na frente das meninas. Lá fui eu vivenciar o momento único (ou não, porque gostei do bar e devo voltar). A sensação é muito estranha! Você lá, liberando o líquido que vem do fundo da sua bexiga, com meninas indo e vindo atrás de você. A Agatha, do outro lado: "Já terminou?". Eu: "Não, peraí". Ela esperou eu terminar pra não ter que me ver urinando na hora de sair. Agora vai entender uma coisa dessas em um país onde rapazes e moças mal se tocam. Ver o xixizinho do cara, tudo bem. Beijinho na bochecha, não. Que fique claro que foi o único banheiro do tipo que vi na Coréia. Mas ele existe.

Bom, outra hora volto com mais histórias banheiris. Termino a postagem com uma foto que tirei no banheiro da Torre de Seul. Esse, pra mim, foi o melhor de todos. Dá vontade de beber água o dia todo só pra usar um mictório com uma vista dessa.

Abraços!