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Jjimjilbang, a cultura coreana nua e crua (mais nua do que crua)

Há quase um ano atrás eu escrevi sobre os vários "bangues" que há na Coreia (PC-bang, DVD-bang, Sarang-bang, Jjimjil-bang...). Agora acabo de chegar de um jjimjilbang, e achei que deveria falar mais detalhadamente sobre esse que é um costume tão forte na cultura coreana.

Jjimjilbang (찜질방) é um tipo de sauna que usa um sistema antigo de aquecimento pelo chão. No mesmo lugar você encontra banheiras, chuveiros, piscinas e "camas" no chão para relaxar. Na verdade tem outros nomes parecidos para quase a mesma coisa: mogyoktang (목욕탕) ou simplesmente sauna (사우나)Ir ao jjimjilbang não é algo que o coreano faz só para relaxar. É também um encontro social e familiar. É muito comum ver amigos, pais e filhos indo juntos.


Deixa eu explicar como funciona o jjimjilbang. Primeiro, você precisa saber como achar um, e pra isso nem precisa saber falar coreano. Em qualquer lugar da Coreia, quando você vir uma placa como esta ao lado, com um símbolo vermelho de "fumacinha", significa que aí tem sauna. Na da foto, na verdade, tem escrito logo abaixo "motel", mas isso é porque o motel oferece também o jjimjilbang.

Depois que você já localizou um jjimjilbang, você tem que decidir se está pronto para se despir dos seus preconceitos, suas nojeiras e, claro, das suas roupas. Você chega na recepção, paga de 6 a 10 mil wons para ficar o tempo que quiser, deixa o calçado no armário, homem vai para um lado e mulher para o outro. Você mal entra e já vê aquele mundaréu de gente pelada pra todo lado! E como você é estrangeiro, todos os olhinhos puxados já detectaram a sua presença e estão atentos ao seu istripitízi. Depois de colocar as roupas no armário, você se junta ao clube dos peladões. Esse é o momento de desistir. Agora ou nunca. Mas como você já pagou, vai ter que ir né!

Brincadeiras à parte, eu acho os jjimjilbangues da Coreia bem "luxuosos". Afinal, eu sou um pobre estudante que moro num one-room e tenho apenas 20 metros quadrados para andar em casa. Imagine só o meu banheiro. No jjimjilbang, tenho pelo menos umas 5 jacuzzis para escolher, de acordo com a temperatura e o tipo da água (de barro, de ginseng, de chá verde, ou só água mesmo). Tem também umas 3 ou 4 saunas, secas ou não, com várias temperaturas. Tudo muito arrumadinho, com uma telinha mostrando a temperatura atual.

Num outro canto tem chuveiros com banquinhos. Aí vale uma explicação. Existem duas palavras para "tomar banho" em coreano: shawo-hada (샤워하다) e mogyok-hada (목욕하다). Sempre que eu queria dizer "vou tomar banho", eu usava a primeira, já que é mais fácil e vem do inglês "shower". Mas um amigo me explicou a diferença: tomar um "shower" é só passar uma aguinha (sem trema!), é como nós dizemos "tomar uma ducha". E é mais ou menos isso que os coreanos fazem todo dia: passam uma água no corpo. Já o mogyok é mais intenso, é "a arte de tomar banho". E para isso, os coreanos vão ao jjimjilbang ou ao mogyoktang. Depois de passarem pelas várias jacuzzis, pelas saunas, duchas e piscinas, eles tomam AQUELE banho de esfregar tudo e espantar os "ispritu ruim", alguns tiram um cochilo e vão embora.

Quando falei para um coreano que esse "banho bem tomado" a gente normalmente toma todo dia no Brasil, até mais de uma vez por dia, ele ficou muito surpreso e disse que aqui na Coreia eles aprendem que usar muito sabão e esfregar com muita frequência faz mal para a pele. Manda esse pessoal pro calor do Brasil e injeta os hormônios do CC (que eles felizmente não têm) e vamos ver se eles mudam de ideia.

Obviamente que não dá para eu mostrar fotos de dentro do jjimjilbang aqui, mas garanto que é muito bom depois que você desencana com a homaiada pelada andando para todo lado, conversando com você e ajudando a esfregar seus irmãos, pais, filhos ou amigos. A gente sempre dá uma zuadinha nessas boioli... digo, nos costumes coreanos. Mas a verdade é que nossa sociedade homofóbica faz os homens em especial terem um comportamento muito travado, com medo de qualquer coisa fazer com que ele pareça ser "menos homem".

Não sei o que rola no jjimjilbang das mulheres, teria que ter alguma menina aí para contar pra gente. Ouvi dizer que isso é igual no Japão, com um plus: lá eles tem as saunas mistas! (Os leitores que moram no Japão confirmam?)


Ah, e outra. Alguns jjimjilbangues têm uma área unissex, só que ninguém fica pelado. Geralmente as famílias se reúnem, comem alguma coisa, veem a novela numa tela gigantesca, ou deitam e dormem. É uma boa opção de hotel barato para quem não tem dinheiro, já que não tem limite de tempo e fica aberto 24 horas.

Duas coisas que os coreanos dizem que é bom comer e tomar quando se sua muito na sauna: um ovo cozido meio diferente (você quebra e come na hora) e uma bebida que se chama shikhye (식혜), feita de arroz (como mais um monte de outras coisas). A bebida até que é boa, mas esse ovo não me desce muito não. Depende do momento.


Casal coreano comendo ovo e tomando shikhye.


Crianças brincando na área comum do jjimjilbang. Não me pergunte como eles enrolam a toalha nesse estilo Mickey Mouse!

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre esse "bangue" coreano. Quando vier à Coreia, lembre-se onde você pode ficar peladão/dona o tempo que quiser.

Karatê Kid coreano

Após duas semanas, cá estou para atualizar meu fofoqueiro. Aos que seguem este blog com assiduidade, desculpem a displicência. Aos que não acompanham minhas histórias, não tenho nada a dizer, afinal vocês não lerão isto. Já vou avisando: o título não tem nada a ver com o resto do que vou escrever. Só com a foto ao lado, tirada ontem.

O fato é que ando estudando feito coreano (ou japonês no Brasil, o terror dos vestibulares). Tenho aula de segunda a sexta, de 9h30 a 17h, com pausa para almoçar. E, como se não bastasse, o pessoal da universidade arranjou mais aula para os KGS students (nóis!). Agora temos aulas segunda e quinta à noite, de preparação para o TOPIK (Test of Proficiency in Korean), que é o exame que teremos que fazer para começarmos o mestrado ou doutorado. E para a gente "relaxar" inventaram uma aula na terça à noite, de música coreana. Cada semana a gente aprende a cantar uma música diferente. Bacana, né? O problema é que além disso ainda temos muito "sukje" (para-casa) e na semana que vem teremos as provas finais do Nível 1. Tá todo mundo dando pulo de 2 metros para dar conta!

O AGRAVANTE

Parece título de novela da Record, daquelas que nem os próprios produtores assistem. Mas "O AGRAVANTE" é o remanescente da minha última postagem: minhas dores nas costas. Depois de muito Jackie Chan e Raiden na cacunda (massagem automatizada e choque), as dores continuaram. Investiguei tudo o que pude sobre "lombalgias" (dores na região lombar das costas) na internet, e me surpreendi bastante. Olha só:

*80% da população mundial tem, já teve ou terá pelo menos uma vez na vida uma crise de dores na região lombar.
*Apenas 15% têm suas causas claramente identificadas e tratadas.
*Hérnia de disco é mais comum que se pensa, e muitas pessoas a têm e não sabem até que se agrave (essa me deu um arrepio na coluna, literalmente).

Estou na esperança de que esta seja apenas uma crise passageira, fruto dos meus últimos 5 anos de sedentarismo total, e meu corpo está apenas dizendo "vai com calma!" porque desde que cheguei na Coréia andei passando dos limites (do meu corpo) com atividades como corrida, futebol, ciclismo e, acreditem, pinguepongue. Tive que parar tudo por enquanto, pois o impacto que causam pode ser perigoso até que eu saiba exatamente a causa da minha lombalgia. A minha magrela ficou encostada, pois descobri que quando se anda de bicicleta a região lombar recebe muita pressão.

No fim de semana retrasado saí para me aventurar sozinho. Aliás, estávamos eu, minha bicicleta e meu iPod. A música ia ditando o ritmo. Subi a montanha, desci a montanha, fui para a lagoa, desci da bicicleta, malhei com o pessoal que tava fazendo ginástica ao ar livre, peguei a magrela, sobe montanha, desce montanha, e voltei para casa satisfeito. "Sou um cara ativo! Essa dor nas costas está com os dias contados!", pensei.

Dia seguinte: travei geral na aula depois do almoço e tive que ir embora. Só então o médico falou do esquema da bicicleta, que força a região lombar. Fiquei triste a semana toda. Essa bicicleta tinha virado parte de mim. Eu era o "brasileiro da bicicleta" aqui. Agora eu sou o "brasileiro da dor nas costas".

A ESPERANÇA

Então veio uma luz. Lembrei que o Orxan sempre ia nadar, por recomendação do médico dele devido a dores nas costas. Conversei com ele e lá fui eu conhecer a piscina.

Proporções olímpicas, limpinha, coberta, aquecida. E o esquema é simples: cada vez que eu quiser nadar lá, só preciso pagar 3.000 wons (2,50 dólares) e ficar o tempo que quiser. No primeiro dia eu nadei 1.200m em uma hora. Espero melhorar esta marca, mas vou com calma. Minhas costas responderam positivamente e esta semana já fui mais duas vezes (quarta e sexta, que é quando não tenho aula à noite). Amanhã e domingo devo ir também. Sinto que minha substância gelatinosa que um dia foi chamada de "músculo" está começando a acordar de um sono profundo.

O lado ruim é o vestiário. Ele é grande, arrumado, limpo, muitos armários, uns 40 chuveiros de água quente e até uma maquininha pra centrifugar sua sunga e secá-la antes de ir embora. O problema é a coreanada. Os caras adoram desfilar pelados para todo lado. Não é do tipo "vai, toma banho, põe a roupa e vai embora". Não. Os caras ficam pelados desfilando, secando as regiões baixas, se olhando no espelho, colocando o papo em dia, alguns até fazendo massagem um no outro... enfim, viadagens mais que pouparei meu pobre leitor de ler. O Gustavo tem um relato mais "detalhado" no blog dele sobre uma experiência mais "intensa" numa sauna coreana.

CORÉIA DO NORTE

Já que mencionei o Gustavo, lembrei que acabei de ler no blog dele algo que nem eu estava sabendo sobre a situação das relações entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul. Para resumir a história: a situação deu uma esquentada e o presidente da Coréia do Norte (o maluco Kim Jong-Il) falou que vai reduzir a Coréia do Sul às cinzas. Para mim, cão que late não morde. Mas é bom eu deixar o relato aqui, porque se eu ficar muito tempo sem atualizar o blog, pode ter sido alguma bomba que caiu aqui. Confira a história neste link.

MUDANDO DE ASSUNTO...

Falemos de coisas que não sejam dores nas costas, coreanos pelados ou bombas na cabeça. O outono tá mandando ver por aqui e estou impressionado com a beleza das árvores! Engraçado que quando estive nos EUA também vi o outono passar mas não notei tanta diversidade de cores como aqui. Talvez porque lá eu era o responsável da casa por ajuntar as folhas secas todos os dias, então não tinha muito o que admirar no outono. Aqui vai um link para as fotos que tenho tirado nos últimos dias: clique aqui.

Abraços a todos. A minha família e meus amigos chegados (os que são, sabem que são), saudades!