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Namorado(a) estrangeiro(a) e a família coreana

Tem gente que me pergunta sobre o assunto, então resolvi traduzir um post de um dos meus k-blogues favoritos, o Stuff Korean Moms Like (Coisas de que as Mães Coreanas Gostam). O blogue é escrito por uma americana-coreana, cujos pais são 100% coreanos, só para entender o contexto. A autora do blogue (Chiyo) enumera os posts em tópicos bem-humorados, e o que vou traduzir abaixo é o número 20.

#20 Casando as pessoas
Elas adoram isso. Se você é solteiro e tem entre 24 e 40 anos, sua Mãe Coreana está tentando te casar com alguém. Não negue. O quanto antes ela te casar, mais cedo ela vai se tornar uma halmeoni (vovó) e deixar de ser uma mera ajumma (mulher coreana casada e mais velha). Mas você não pode se casar com qualquer um. Sua Mãe Coreana está planejando te casar com um médico ou advogado coreano, e talvez se ela for mais liberal e aberta, um empresário coreano. 
À medida que você envelhece, as tentativas de te casar vão crescer. Ela vai recorrer até mesmo a um casamento arranjado com alguém na Coreia que está querendo ter um greencard. Alguém que você nem conhece e cujas fotos foram "photoshopadas" (...aquele cara da foto que ela te mostrou? O que mora em Daejeon e trabalha na Samsung? Na verdade ele é careca, tem 1,50m e o dente torto... mas você não vai ficar sabendo disso antes do dia do casamento).
Ela não vai nunca nunca nunca, repito... nunca... ficar feliz com você se casando com alguém de uma destas categorias: branco, negro, japonês, sul-asiático, alguém que esteja "tentando descobrir o que quer da vida", artistas ou pastores. Ela pode até dizer no final das contas que está OK... mas bem no fundo não está. Principlamente porque ela nunca mais vai poder contar vantagens sobre você (veja o #18). 
A última categoria da lista é considerada sentença de morte para uma Mãe Coreana que não quer ver sua filha sofrer nas mãos das outras mães coreanas na igreja do pastor. Se a filha realmente escolher se casar com um pastor e sua mãe de alguma forma aceitar, ela vai reclamar, mas secretamente vai gostar do fato de que "deu à luz uma filha santa". Se você escolhe se casar ou namorar uma pessoa de qualquer outra categoria da lista, prepare-se para ver seu/sua parceiro(a) experimentar rejeição e uma elevada forma de tratamento silencionso sempre que estiver na presença da Mãe Coreana.
Se você atualmente namora ou é casado(a) com qualquer um da lista cima... eu te saúdo. Você é meu herói.

É claro que a autora, por ter "sangue coreano", se sente na liberdade de escrever coisas que, vindas de outra pessoa, soariam mais pejorativas. Num outro post ela até diz que "toda Mãe Coreana é racista", não importa o quanto ela negue. E ela sempre escreve com bom-humor, o que torna tudo mais leve.

Então vamos ao que me perguntam: "Os pais da sua namorada te aceitam na boa?" Resposta: "Não. Você não leu o post acima?"

A resposta é "não" por causa do "na boa"... Não interessa o quão aberta a família coreana seja. O ideal para eles é que seus filhos se casem com coreanos. Ponto. Os motivos podem ser raciais, culturais, linguísticos ou geográficos (todos os quatro pontos pesam contra mim), mas a verdade é que um relacionamento intercultural/interracial está longe de ser aceito como "normal" na Coreia.


Eu ainda nem conheço os pais da minha namorada. Um dos motivos é que aqui normalmente não se apresenta o namorado para os pais tão cedo, mesmo que seja coreano, porque isso pode significar que o casal já tenha planos de se casar logo. Sendo um namorado estrangeiro então, cuidado redobrado. Outro motivo é o preconceito (o conceito pré-formado) sobre os homens estrangeiros na Coreia: o cara que vem pra cá só pra se divertir, comer as menininhas e depois sumir. Inclusive programas de TV contam essas histórias, sendo a maioria sobre professores de inglês ou soldados estadunidenses.

A minha sogra quase chorou quando soube que sua preciosa filha tinha arrumado um namorado brasileiro. Fez o maior drama. Segundo ela, a primeira imagem de brasileiro que lhe veio à cabeça foi o Ronaldinho Gaúcho. Depois um índio, com um toco atravessado no queixo, que viu no documentário da MBC sobre a Amazônia. Não entendia por que, com tanto homem coreano solteiro neste país, a filha dela tinha que se engraçar logo com alguém que (pra ela) saiu da floresta amazônica, que fica logo atrás do sambódromo do Rio, cheio de gente pelada rebolando.

Mas depois ela me viu na TV, quando apareci na KBS. Não deve ter me achado muito bonito, mas achou que foi melhor que o Ronaldinho Gaúcho. Viu também que eu me esforçava para falar coreano. No aniversário dela, mandei flores. A resposta foi positiva: no ano novo lunar, ela me mandou comidas que tinha preparado, como forma de agradecimento.

E por enquanto estamos nesse telefone sem-fio. Contudo, tenho outros amigos brasileiros que também moram aqui, que estão casados ou namorando coreanos(as), e já venceram essa difícil barreira da aceitação por parte da família. Na maioria dos casos levou anos, mas agora são até mais bem tratados pelos sogros do que esperavam.

Agora, se você quer uma relação de poder fazer xixi de porta aberta, esqueça. Tá pensando que tá na casa da sogra?

100 dias

Depois do jjimjilbang, tem gente aí "obviamente duvidando da minha masculinidade", como diria o Maçaranduba. Mas este post não tem nada a ver com isso, porque afinal não preciso ficar explicando em qual time eu jogo. Contudo, já que o DPNC tem um tom mais pessoal, deixa eu me expor mais um pouco na vitrine, atendendo a alguns pedidos, e vamos ver se dá mais ibope. A foto abaixo é da minha namorada, Ji Young, coreana. O motivo pelo qual resolvi contar sobre o namoro publicamente é que completamos no domingo 100 dias oficiais.

Eu e Ji Young

"Tá, e daí?", você pensa. O negócio é que os coreanos prezam muito pelos 100 primeiros dias de tudo, e o centésimo dia é sempre uma data a ser celebrada. No caso do namoro, dizem que os 100 primeiros dias são o teste de "compatibilidade". Se passar dessa marca, a coisa fica mais séria.

Mas a verdade é que eles simplesmente generalizaram uma celebração que fazia mais sentido na época da miséria na Coreia. Como a mortalidade infantil era altíssima, muitos bebês morriam nos primeiros dias de vida. Os que passavam dos 100 dias eram tidos como "fortes", os sobreviventes, pois já passaram pelo período de maior risco de morte.

O aniversário de 100 dias, então, tem uma importância simbólica maior ainda que o aniversário de 1 ano, mesmo nos dias de hoje. E tanto a celebração de 100 dias (백일) como a de 1 ano (돌) tem uma forte tradição de abençoar a criança para que seu futuro seja próspero. Muitos dos presentes dados ao bebê não são carrinhos, bonecas e afins - são coisas que ele só vai poder usufruir quando crescer, como anel de ouro, dinheiro, etc.

Uma família beeeeeem coreana. Aniversário de 100 dias super cute para o bebê. Repare na dinheirama à direita! (Foto tirada de um blogue coreano)

No aniversário de 1 ano, ou dol, há também o costume de se colocar objetos na frente da criança para que ela escolha e os pais possam "prever" o que o filho vai ser quando crescer. Alguns objetos usados são: lápis ou caderno (significa que a criança vai ser estudiosa), dinheiro (significa que vai ser rico), bola (significa que vai ser atleta... ou vagabundo!), estetoscópio (significa que o filho vai ser médico)... e por aí vai. Os pais mais espertinhos só colocam as opções que querem que o filho escolha.

Foto do "dol" do sobrinho da minha professora de coreano. Olhando rápido a gente até pensa que é um bolo em forma de bebê.

Domingo teve também a festa do primeiro aninho da Beatriz, do Sentada na Pia. Festança maravilhosa! Mas acho que tinham que ter feito o esqueminha pra ela escolher um objeto... Ficaram devendo hein, Renato e Selma! :)

Então, não se esqueça dos 100 dias. Se você tem um(a) namorado(a) coreano(a), faça algo especial no "centediário" que ele(a) vai ficar feliz!

Namoro, tipos sanguíneos e personalidade

Namoro na Coreia

Aqui na Coreia a vida de quem quer namorar não é fácil. Descobri que os brasileiros (e brasileiras) solteiros reclamam de barriga cheia, porque arranjar namorado no Brasil é mamão com açúcar comparado à Coreia.

Primeiro que aqui namoro não é brincadeira. De maneira geral, só se namora para casar. E a moçada (leia-se "as meninas"), fazem jogo duríssimo na hora da conquista. Como os coreanos são tímidos e tem dificuldades em abordar as meninas, o resultado é o que eles chamam por aqui de "exército dos solteiros".

Para os estrangeiros, como eu, ainda existe um empecilho a mais: namorar um estrangeiro acaba com a reputação da menina coreana. É uma mistura de racismo com machismo.

Racismo, não porque os coreanos tratem mal as pessoas baseados na raça ou nacionalidade. Pelo menos eu nunca vi isso. Muito pelo contrário, vi sempre muitos sorrisos abertos e pessoas dispostas a me ajudar com tudo, além de ouvir elogios aos montes sobre meu nariz grande, olho redondo e sobrancelha grossa. :D

O que chamo de racismo coreano é a ideia de que existe algo como "coreano raça pura", e que eles devem fazer de tudo para que essa raça permaneça pura. Tanto que quando fui a Daejeon visitar os pais do meu amigo Yosep, a primeira coisa que o pai dele me perguntou é se eu era "brasileiro de sangue puro". Eu caí na gargalhada, claro. Mais vira-lata que brasileiro, tá pra existir!

Essa é a desculpa que usam os mais velhos para pressionarem as meninas coreanas a não se deixarem seduzir pelos estrangeiros, que aumentam a cada dia aqui na Coreia. Mas é também um argumento machista, porque quando é um coreano (homem) namorando uma estrangeira, todo mundo bate palma e diz que ele é "o cara". A ideia é de possessão: uma coreana namorando um estrangeiro está sendo roubada deles, enquanto um coreano namorando uma estrangeira está roubando mulher de outro país.

Tipos sanguíneos e personalidade

Mais uma questão para dificultar a vida de quem quer namorar. "Qual é seu tipo sanguíneo?" é uma pergunta que ouvi várias vezes na Coreia e até então não sabia o porquê. Só hoje a professora nos explicou o motivo da pergunta ser tão frequente.

Os coreanos acreditam piamente que o tipo sanguíneo da pessoa afeta sua personalidade, apesar não haver ainda comprovação científica.

Aí vai uma análise de cada tipo, de acordo com os coreanos.

Tipo A

Prós: paciente, pontual, reservado, persistente.
Contras: cabeça-dura, obsessivo, excessivamente autoconfiante.

Às vezes são chamados de "caipiras", gostam das tradições e são leais.

Tipo B

Prós: criativo, flexível, otimista, passional.
Contras: esquecidinho, irresponsável, egoísta.

São considerados os piores tipos na Coreia. O tipo B é visto como o safado, cachorro, sem-vergonha coreano, e se a menina souber que o cara é tipo B no primeiro encontro, muito provavelmente essa será a última vez que se vêem. Ainda que a menina seja mais "cabeça aberta", a pressão da família para que não se case com um tipo B ainda é muito comum. Assistam o filme My boyfriend is type B (Meu namorado é tipo B), estrelado por Han Ji Hye e Lee Dong Gun, e saberão sobre o que estou falando.

Tipo AB

Prós: bacana, simpático, controlado, racional.
Contras: crítico, indeciso, não perdoa facilmente.

Chamados de "humanistas", os do tipo AB são guiados mais pela razão do que pela emoção. Lidam bem com o dinheiro, mas são imprevisíveis.

Tipo O

Prós: ambicioso, atlético, autoconfiante.
Contras: arrogante, insensível, raso.

Chamados de "guerreiros", os do tipo O são vistos como líderes e excelentes atletas. Eles são extrovertidos e divertidos, mas levam seus objetivos de vencer até as últimas consequências.

(Traduzido do site korea4expats.com)

Interessante é que eu perguntei para o Yosep qual o tipo sanguíneo dele e a resposta foi "A". Então perguntei: "A positivo ou A negativo?". Ele fez cara de interrogação e disse que nunca ouviu falar disso. Então hoje perguntei para a professora e ela disse que isso não faz diferença na Coreia, porque "todo mundo é tipo positivo". Não sei se é ignorância dela, ou se é falha do maravilhoso sistema educacional coreano que não produziu bons livros de biologia, mas até onde eu sei, uma pessoa pode morrer por causa dessa informação!

Bom, taí mais uma coreanice pra vocês. Fico por aqui porque esta postagem já ficou longa demais.