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moradia

Minha casa nova!

Terça-feira eu juntei meus trapos, despedi de Cheongju e me mudei para Suwon, de onde vos falo agora. Só a minha magrela é que ficou pra trás, porque não deu para trazê-la de uma só vez. Deixei minha fiel companheira aos cuidados do Galileo, até ter tempo de ir buscá-la ou até algum Cheongjunita se enfiar num ônibus ou trem com ela rumo a Seul.

Como já disse antes, encontrei um one-room (kitnet) para morar em Yeongtong-dong, o bairro da Universidade Kyunghee, campus de Suwon. Minha vida na Coreia vai ser bem diferente agora por causa dessa mudança. A maior vantagem é que agora tenho um cantinho meu, sem as regras dos dormitórios feitos para ficar de olho na vida dos estudantes coreanos. Saio e chego quando quiser, posso cozinhar, lavar roupa e trazer amigos para passar uns dias sem problema. O outro lado da moeda é que vou pagar quase 3 vezes mais do que pagava no dormitório e não vou ter tantos amigos morando no mesmo prédio.

Olha só as fotos que tirei logo que terminei de me mudar. Não repare a bagunça. Aos pouquinhos vou ajeitando tudo pra ficar mais aconchegante.

Isso é o que você vê logo que entra. Banheiro à esquerda, cama grandinha e closet à direita.

Porta da entrada. Os brindes que vieram com o one-room foram o sofá e esse pintinho amarelinho (que tá mais pra "pintão amarelão", mas pega mal né...).

A cama é uma "magavilha"! E ao contrário dos meio-subterrâneos baratos que tinha achado, entra muita luz do sol aqui.

O banheiro é minúsculo. Mas também, queria o quê? O chuveiro, como em todo lugar na Coreia, é um daqueles chuveirinhos que você pendura na parede. O treco grudado no espelho é meu "porco-guarda-escova-de-dente", engenhoquinha prática!

Cozinha enorme também...

O prédio visto de fora.

Vista da janela da cozinha/área de serviço para a rua.

Para inaugurar a casa nova já tive duas festinhas, que os coreanos chamam de jibdeuri (집들이). Ontem veio o pessoal do yoga de Cheongju com a Agatha e hoje vieram o Juliano com a Eun Bee e o Gustavo. Ganhei vários presentes, inclusive um microondas do professor Jeon (uhuu!^^). Também aprendi a jogar Go-Stop (고스톱), um jogo de cartas coreano muito interessante, que usa um baralho chamado Hanafuda, e mais conhecido na Coreia como Hwatu.

Então é isso. Meu canto já está oficialmente inaugurado, de portas abertas pra quem quiser me visitar na Coreia! Abraços a todos e boa semana.

Um canto pra morar na Coreia

Depois de Mópi ter feito a festa comigo, o processo de renovação do visto aparentemente correu bem. Agora é esperar.

Hoje vou falar sobre minha experiência procurando um canto para viver que não fosse nosso querido kisuksa (dormitório).

No entanto, para se ter uma ideia do drama imobiliário na Coreia - pelo menos para a maioria dos ocidentais que moram aqui - saibam que já há muitos anos os coreanos não sabem o que é viver em uma casa, casa mesmo. Com exceção dos estupidamente ricos, a maioria esmagadora das famílias coreanas vivem em apartamentos (아파트). Os prédios não variam muito na arquitetura, e são bem desinteressantes por fora. Eles tendem a construir dezenas deles idênticos, lado a lado.

Mas não se deixe enganar. Apesar de serem muito simples do lado de fora, muitos deles são luxuosos por dentro. Ou pelo menos de alta qualidade. Já entrei em alguns prédios aqui que, sem exagero, pareciam ser feitos de papelão e, quando entrei... uuááá! (som de coreano quando fica espantado). Aqui não se pode dar ao luxo de encarecer o prédio ainda mais construindo fachadas de granito, como se vê no Brasil.

Não é preciso pensar muito para entender o principal motivo da população quase toda viver em apartamentos. Com uma área de cerca de 100.000km2 (para se ter ideia, o estado de Santa Catarina tem 95.000km2) e uma população de 50 milhões de pares de olhos puxados (ou não né, depois das cirurgias plásticas), já dá pra imaginar que comprar uma casa aqui seria um delírio.

E você aí achando que eu estava procurando um apartamento pra morar? HA HA HA. Além de não saber o que é um quintal de casa há um ano, também não sei mais o que ter uma sala, uma copa, uma cozinha e vários quartos num mesmo lugar, de modo que eu possa dar pelo menos uns 20 passos para ir de um lado ao outro. Que nada!

A alternativa ao dormitório para pobres como eu é o one-room (원룸) ou "one-loom", como os coreanos dizem. É o que a gente chama no Brasil de kitnet: um quarto com um banheirinho, uma piazinha, um fogãozinho, uma geladeirinha... tudo -inho!

E nem por isso o preço é baratinho. Lógico que varia muito de acordo com a localização, mas acho que posso comparar meu caso porque eu morava ao lado da UFMG em Belo Horizonte e aqui vou morar ao lado da Universidade Kyunghee. Em BH, meu apartamento tinha 2 quartos, copa, cozinha, área de serviço 2 banheiros e uma sala grande. Aluguel: R$330,00. Meu one-room aqui é só o quarto, banheiro e uma areazinha para lavar roupa e cozinhar. Aluguel: 350,000W (ou R$600,00). E quando contei para meus colegas que também estão procurando one-room pra alugar, todo mundo ficou surpreso: "Como você achou algo tão barato perto de Seul?".

Isso sem mencionar o esquema de depósitos na Coreia. Aqui, esteja preparado para dar uma grana alta quando quiser alugar um imóvel. Existem basicamente dois sistemas: jonse (전세), que é um pagamento apenas, e weolse (월세), que são pagamentos mensais. No primeiro, você paga à imobiliária uma quantia absurdamente alta (algo a partir de 40,000,000W (=R$70.000)) e não precisa pagar aluguel, ou paga um aluguel baixíssimo. No weolse, mesmo pagando o aluguel mensalmente, você tem que dar um depósito, que no caso de one-room na região de Seul, varia entre 2,000,000W e 10,000,000W (=R$3.500 ~ R$17.000). Quanto maior o valor do depósito, menor o valor do aluguel. Eles usam essas quantias para investir e gerar lucros, e no final do contrato te devolvem o exato valor que foi pago.

Sem nem uma balinha na agulha, aqui só dá pra viver em dormitório, hasukjib (pensão) ou quartos que não têm nem janela, e por isso são baratos. Outra opção que me tentou também foram os one-rooms que são "meio subterrâneos" (반지하), como o da foto ao lado. O agente da imobiliária me mostrou um que era muuuuito grande, com tudo incluído, e o preço era bem mais acessível. Mas fiquei receoso, porque afinal não entra muita luz, não se tem muita privacidade, e sei lá se dá alguma infiltração quando chove.

Bom, é isso. Espero que esta postagem tenha sido pelo menos informativa para os brasileiros que pensam em aterrisar em solo coreano por um bom tempo. Abraços!