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Subindo as montanhas da Coreia

"Qual é o seu hobby?" é uma das perguntas mais comuns de se ouvir aqui na Coreia. E você tem que escolher uma coisa. Uma só. Tem que ter algo que você adore fazer quando não está trabalhando. Não vale dizer que gosta de dormir, brincar com os filhos, dançar ou ler um livro. Não. Tem que estar na lista oficial dos hobbies tradicionais registrados e beatificados na Coreia: jogar futebol, beber, jogar golfe, esquiar, beber, jogar jogos de computador, yut-nori, beber... e, claro, caminhar na montanha!

Papai do céu, pra compensar a pequeneza na península coreana, encheu-a de montanhas. Dizem que apenas 30% de toda a península seja plana. Assim, se você "esticar" o país todo, deve dar o dobro de superfície. Questão geométrica, sabe como é né...

Por isso, se seu hobby for caminhar na montanha, seus problemas estão resolvidos, porque tem uma em qualquer canto. Só não dá pra pensar que "montanha" aqui vai ser uma K2. A palavra para "montanha" em coreano, san (산), pode se referir a uma montanha, um pico, um monte ou só um morrinho. Esse pessoal aqui quer me impressionar com uma subidinha qualquer, esquecendo que sou de Campo Belo, cidade que tem morros que faziam meus parentes de Brasília acharem que o carro viraria para trás na subida.

Mas uma coisa eu tenho que admitir. Os coreanos aproveitam os montes deles muito mais que os mineiros que também vivem cercados deles. Em praticamente todo monte aqui há uma trilha para caminhada limpa, com placas, bancos para descansar e até corrimão nos pontos mais críticos. E mesmo com uma boa infra-estrutura é comum ver gente com roupas de alpinista, botas especiais e vara de trekking. No verão, então, as ajummas se vestem de Darth Vader pra subir a montanha. Não há mosquito que toque sua pele e saia ileso. Não há raio de sol que produza vitamina D. Com exceção do cabelo de permanente pra fora do boné, é tudo lacrado.

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Outro dia fui caminhar no monte que cerca a minha universidade. Aliás, toda universidade aqui fica ou ao lado ou em cima de um monte. O da Universidade Kyung Hee de Suwon se chama Maemisan (매미산), que significa Monte da Cigarra. E faz juz ao nome no verão... ô bicho escandaloso dos infernos!

Mas no dia em que subi o monte (na semana do Chuseok), me impressionou o número de árvores caídas por causa do tufão que tinha passado aqui duas semanas antes. Contei umas vinte árvores grandes que caíram pelo caminho.

Olha o estrago do tufão lá atrás

E aqui vai o vídeo que fiz:


Há um ano e meio também fiz um vídeo no Monte Uam (우암산), que fica ao lado da Universidade de Cheongju. Lembro que gravei numa manhã de inverno, após uma noite de nevasca, e ainda assim tinha gente na montanha! Vamos relembrar:


Praia em Sokcho e o monte Seorak

Semana passada finalmente tirei férias de verdade. Fui para uma cidade no litoral leste chamada Sokcho (속초), que é famosa por abrigar o Parque Nacional de Seoraksan, onde obviamente fica o monte (san) Seorak.

De Seul a Sokcho: mais ou menos 3h30 de ônibus.
Eu gosto tanto de praia quanto de montanha. Eu só não gosto de muvuca. E a Coreia do Sul, por razões demográficas, não é um país em que seja fácil fugir das multidões. No entanto, Sokcho me pareceu uma bela alternativa para quem procura sossego. Talvez porque não fosse fim de semana e ainda não começou a alta temporada oficialmente (que são as 3 primeiras semanas de agosto).

Para quem quer ver um bom exemplo de praia lotada na Coreia, aqui vai a mais famosa, a praia Haeundae, em Busan:

Tubarão aqui tem até dor de barriga!
E agora compare com a praia Seorak, em Sokcho:

Tubarão aqui precisa do Bolsa Família pra sobreviver.
Não tem nem comparação né? Mas há coisas que não mudam, não importa a que praia você vá na Coreia. Note por exemplo, na foto da praia de Busan, quantas boias amarelas (que aqui eles chamam de "tube", 튜브). Acho que nunca vi no Brasil gente grande usando essas boias na praia. É coisa mais de criança, ou estou enganado? Pois aqui é normal. E até regra: vai para a praia, tem que alugar uma boia amarela. É que eles têm uma preocupação enorme com a segurança. Até cercam a área em que se pode nadar. Nessa praia, por exemplo, não nadei em nenhum lugar que não desse pé. A cerquinha não deixava!

O motivo é óbvio: muita gente já se afogou antes. Eu mesmo já conheci muitos coreanos que não sabem nadar, e pelo jeito isso é comum aqui. Em Cheongju, eu fazia natação numa piscina de proporções olímpicas, porém eles colocavam um "palco" no fundo, de modo que desse pé para todos! Só uma ou duas raias não tinham o fundo elevado. É mole? Lembro que tinha uma fila de uns 30 adultos numa raia só, fazendo exercícios bem infantis, de quem está aprendendo nadar do zero. Não sei se vocês leitores tiveram experiências parecidas, mas lembro que quando eu era criança, quem não soubesse nadar até os 10 anos era uma vergonha na minha cidade (que fica beeeem longe do mar). Todo mundo dava um jeito de aprender nem que fosse o nado de cachorrinho, e mesmo que engolisse uns bons litros de água.

Ji Young, a criança feliz com sua boinha amarela!

Mas voltando à praia. Outra coisa que qualquer brasileiro não deixa de notar e estranhar é o fato de as pessoas simplesmente não tirarem suas roupas para entrarem na água. Minha mãe se espantou quando viu as fotos. Nunca tinha visto nada igual. Sim, os homens usam sunga, e as mulheres, biquíni... por baixo das roupas! Os homens mais ousados tiram a camisa, e apenas as mulheres totalmente confiantes de que seus corpos se enquadram no padrão de beleza coreano usam só o biquíni (que nem de longe é pequeno como os que vemos no Brasil). O restante entra na água com bermuda, camiseta, óculos, chapéu, enfim, o que der pra proteger! Outro motivo para fazerem isso é o medo horroroso que as mulheres coreanas têm de ficarem morenas. Aqui, quanto mais "branco azedo" (como diria minha avó), melhor.



Outra coisa que gostei em Sokcho foi a proximidade das praias e do monte Seorak. A cidade em si é como muitas cidades pequenas do interior coreano: não muito moderna, menos desenvolvida, mais pobre. Mas, sinceramente, o preço que paguei por uma pousada de frente a essa praia é muito menor do que eu teria que pagar numa pousada do mesmo nível a 3km da praia Haeundae em Busan.

Pousada Yemesong (propaganda)
Site: http://www.yemesong.co.kr/
Varanda e outras pousadas ao fundo.
Mesinha para tomar café.
E como quase toda pousada na Coreia (que aqui eles chamam de "pension", 펜션), tem sempre um local apropriado para você fazer um churrasquinho. Só não tirei a foto do lugar, mas é sempre muito conveniente.

No último dia, finalmente fomos ao monte Seorak, que fica a apenas 15 minutos de ônibus da praia, e custa só ₩1,000. A entrada no Parque Nacional de Seoraksan custou uns ₩2,000 (acho) e o bondinho até o topo da montanha ficou em ₩8,000 por pessoa.




Ajoshi dando uma espiadinha.

E lá em cima ainda tem um bocado pra escalar por conta própria! 
Mas a vista com certeza compensa o sacrifício.
E na volta paramos para refrescar no riacho ao pé da montanha.

Mais um vídeo primaveril

Esse vídeo foi gravado no início deste mês de abril, quando as cerejeiras estavam desabrochando, inaugurando a estação. Mas eu gravo tanta coisa, que esqueço de postar, e só agora me lembrei que tinha editado esse vídeo também. Os "atores" são quase os mesmos do vídeo anterior - os felizes que, em vez de ir dormir depois da aula, vão ver as flores.

Note que no início do vídeo eu me confundi todo com o nome da árvore. Só depois é que me esclareceram. O negócio é que, mundialmente, o nome dessa árvore é mais conhecido como "Sakura", que é uma palavra japonesa. E como os coreanos fazem de tudo para evitar o uso de palavras japonesas, o nome da árvore em coreano é 벗꽃 (beot-kkot). Mas eu achei que a professora se referia ao "desabrochar das flores...". Bom, vê aí a sakurada com bossa nova. Abraços!

Primavera com sakura

Nunca pensei que ficaria tão feliz e de bom humor só porque o sol resolveu fazer seu trabalho decentemente: esquentar a gente! A primavera está "bombando" na Coreia. As folhas começam a nascer de novo, trazendo vida às ruas da cidade. Aproveitei e fui à montanha Uam, que fica aqui atrás do dormitório, porque ao longo da estradinha que contorna a montanha tem inúmeras "sakuras" (se não me engano, o nome em português é "cerejeira"). É uma árvore japonesa famosa por suas flores brancas meio rosadas. Nesta época todo mundo vai aos lugares com grandes números de sakuras para apreciar o espetáculo que elas proporcionam. Mas infelizmente suas flores não duram muito, porque elas dão lugar às folhas que vem vindo. Aí vão algumas das fotos que tirei ontem.