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música coreana

Dokdo é terra coreana!

Quer um assunto sensível para discutir com um coreano? Fale sobre Dokdo. Quer que a conversa dê pano pra manga, fale sobre Takeshima. As duas palavras se referem à mesma coisa: duas ilhotas pedregosas que ficam no Mar do Japão ("Mar do Leste", para os coreanos) e que são disputadas entre a Coreia do Sul e o Japão. Cada país tem seus argumentos históricos quanto à nacionalidade das ilhas, mas isso não vem ao caso aqui. A ocupação de facto é sul-coreana (com uma população enorme: dois habitantes), e acho que devia mesmo ficar mesmo com os coreanos. Só que o pessoal aqui faz tanto barulho por causa dessa briga, que só resta aos estrangeiros se divertirem.


E nos divertimos mesmo! Os coreanos acreditam estar fazendo uma campanha extraordinária para comover as comunidade internacional, e eu fico me perguntando: num mundo onde ainda temos uma Palestina sem território soberano, que tipo de apoio internacional eles querem para esfregar na cara dos japoneses que Dokdo é Dokdo, e não Takeshima? Ativistas nus protestando em Tóquio contra a o terror da pressão japonesa?

A grandiosa Dokdo. Ou seria Takeshima? 
A grandiosa Dokdo. Ou seria Takeshima? (foto)

Implicações políticas à parte, o bom dessa história toda é uma musiquinha que ensinam pras crianças coreanas aqui, chamada "Dokdo-neun uri ddang" (독도는 우리 땅), que significa "Dokdo é terra coreana". A explicação lógica para dizer que Dokdo pertence à Coreia é fantástica: "O Havaí é americano, Daemado é japonês"... consequentemente, Dokdo é da Coreia. Tão simples! Não sei como esses japoneses não entendem isso...

Aqui vai a música original em coreano:


Mas o melhor MESMO é a campanha que fizeram para traduzir a música para diversas línguas. Eles pegaram alunos estrangeiros na Coreia, devem ter dado alguns trocados ou pagado um samgyeopsal, e zás! Temos a maravilhosa tradução dessa belíssima composição coreana até em português! Desativaram a opção de classificar no vídeo no YouTube (não faço ideia do porquê!), mas aqui posto a versão à la Latino de 독도는 우리 땅! Fica a dica para a Argentina quando quiser apoio internacional na questão das Malvinas. :)

Ká-Pópi

Vamos jogar o joguinho dos sete(centos) erros? Então assistam à reportagem do programa Leitura Dinâmica (da RedeTV!) sobre música coreana. O cuidado com que o texto do programa foi escrito foi tão grande que dispensa meus comentários. Até porque o Renato já deu uma geral no blogue dele.

Trouble, trouble, trouble...

Com exceção aos fins de semana, tenho vivido confinado no campus da universidade ultimamente. E tem uma rádio aqui, que se pode ouvir pelas várias caixas de som escondidas nas árvores, que toca as maravilhas do k-pop 24 horas por dia, 7 dias por semana, 31 dias por mês (inclusive fevereiro), 366 dias por ano (inclusive anos não-bisextos).

E a pérola k-popística deste ano que repetem sem parar, tipo as "músicas carnaval do ano xxxx" no Brasil, é a tal da "Hoot", das menininhas do grupo "Geração das Raparigas" (versão português de Portugal). E por que é que eu tenho que escutar isso todo dia, e ninguém compartilha do meu sofrimento? Então fica aí o clipe. Assista-o de hora em hora e seja solidário a mim.


E tem uma análise técnica do vídeo-clipe, feita pelo casalzinho colorido do Eat Your Kimchi. Vê aí.

O papa é pop. A Coreia é K-pop!

Esta postagem é para os milhões de leitores que já me enviaram e-mail pedindo para eu publicar algo sobre K-pop (para quem não sabe, K-pop é a música pop coreana, que toca em tudo quanto é canto deste país).

Vou explicar o porquê de eu ainda não ter falado quase nada sobre o assunto aqui no blogue.

Primeiro, porque eu nunca fui fã apaixonado de música pop de lugar nenhum do planeta. E como pop eu me refiro a este estilo musical que mistura uma barulheira feita por um computador e uma performance dançarinística feita pelo suposto cantor ou grupo de cantores. Não me refiro ao pop que originalmente significava popular, mas acabou mudando o sentido. Até porque ouço MPB, que ao pé da letra seria o pop brasileiro, mas acabou ficando menos pop que funk.

Eita, que popaiada!

Segundo, porque eu não sei muito sobre o K-pop além do que ouço tocando nos quatro cantos da Coreia ou vejo na TV de vez em quando. Não procuro baixar a ficha dos artistas e descobrir tudo sobre a carreira deles, porque tenho muita preguiça da falta de qualidade e variedade musical que assola este país, devido ao poder aquisitivo das megagravadoras pop que dominam o mercado coreano e decidem o que eles devem ouvir.

No entanto, contudo, porém, todavia...

Eu sei de uma coisa: ouvir e cantar músicas em uma língua estrangeira ajuda muito no seu aprendizado. Por este motivo, tenho me esforçado em aprender algumas músicas que estão na moda ou que eu ache engraçadas, como os "trotes" dos ajoshis, até mesmo para me divertir com os coreanos no noraebang (karaokê).

Penso também que K-pop e outros pops asiáticos, ainda que não sejam bem elaborados como o pop de Michael Jackson, por exemplo, são divertidos para se dançar e fazer uma farra de vez em quando. O que eu fico abismado de ver é a coreanada no ônibus ou no metrô ouvindo o MP3 com aquela barulheira de K-pop tocando no ouvindo o tempo todo! Raramente - ou nunca - ouvem uma música com instrumentos reais e com letras um pouquinho mais criativas. E quando vão a um show pop, o pessoal não dança: eles ficam balançando a mão, gritando ou "apreciando" a música. Para mim, isso é comparável ao cara que vai a um baile funk no Rio para apreciar a beleza musical ou observar a maravilhosa performance dos artistas.

Isto dito, deixa eu relaxar um bocado.


Pra vocês verem que não sou tão chato assim, há duas semanas fui ao Asia Song Festival em Seul com o Gustavo e Briza, e lá ainda encontramos outros amigos latinos. Era um festival pop asiático, com bandas de todo canto da Ásia. Só não entendi por que tinha também uma cantora ucraniana... (?).

Como era de graça e, como já disse, de graça pra mim tudo é diversão, lá fomos nós ver de qual era. Gravei algumas cenas para vocês terem uma ideia de como foi. Observem o que eu disse: além dos estrangeiros, ninguém dança; só chacoalham um bastãozinho luminoso, um pompom ou uma bexiga (que nem no "Xou da Xuxa"). E as meninas gritam. MUITO!

Degustem o vídeo! ^_^


http://www.youtube.com/watch?v=heqV2RlH9Vw

Festanças de fim de ano

Tá bom. Lá vai.
O NIIED resolveu fazer uma "festinha" de final de ano em Seul, com todos os estudantes estrangeiros que receberam a bolsa do governo. É também uma maneira de exibir a gente por aí, porque coreano adora mostrar os estrangeiros que vieram pra cá. Mas o que deu o que falar mesmo foram as apresentações. Se não me engano, ao todo são 14 universidades que receberam a nós, os "KGS students", para aprender coreano durante o primeiro ano. E cada universidade deveria fazer uma apresentação, que concorreria com as outras universidades.
Pra resumir a história: aqui em Cheongju escolheram euzinho aqui pra liderar a galera pra fazermos alguma coisa. Uma boa parte da turma quis tirar o deles da reta, mas dei um jeito de constrangê-los e não abandonarem o barco, de forma que nossa apresentação foi a que reuniu o maior número de estudantes. Não tivemos tempo de ensaiar, mas tivemos quórum pra animar! Mixamos trechos curtos de músicas de 11 países/culturas diferentes e encerramos com duas músicas coreanas. Resultado: mobilizou a platéia toda e ficamos com o terceiros lugar (o que só ficou claro pra mim depois que voltamos pra Cheongju)! E ainda rendeu uns trocadinhos: 200 mil wons pra galera fazer uma festinha. Confira o surto coletivo abaixo, com a minha tapeação dançarinística.


Essa viagem pra Seul foi especialmente lucrativa para mim. Além dos 200 mil pra turma toda, ainda ganhei um "prêmio de excelência" do NIIED, com mais 200 mil. É um certificado super chicoso que diz que fui "honrado pelo meu excelente achievement no programa de língua coreana em 2008". A minha dúvida foi o critério da escolha, porque foram escolhidos 2 alunos em cada universidade, e eu tenho certeza de que minhas notas não são as melhores da turma, porque tem o Alex, o francês pomposo cujo hobby é estudar, fica triste quando tira 98, corrige o inglês de todo mundo e diz que não devíamos sair nos fins de semana, pois devemos estudar para chegar no nível 5. Quando ele viu meu prêmio, não escondeu a indignação: "How come you got an excellent achievement? You haven't achieved anything yet!". Desconfio que a escolha tenha sido subjetiva, com critérios das próprias professoras, que claramente não gostam da arrogância dele, e preferem minhas cantadas matinais embutidas: "Professora, como você está bonita hoje!" e "Cortou o cabelo hein, professora! Muito bonito!". De modo que estão chamando meu "prêmio de excelência" de "excelente galanteador"! haha.

Ainda em Seul aproveitamos bastante, porque a Briza, o Gustavo, a amiga paraguaia deles Cláudia, Juliano, sua fiel escudeira Eun Bee e eu saímos pra um bar, seguido de um karaokê, seguido de conversa fiada no apartamento do Juliano, seguido de um breve cochilo para descobrirmos a padaria que dá pão à vontade se você comprar um café entre 9h e 11h da manhã no sábado. Eu que não sabia o que era padaria há um bom tempo me empanturrei de pão! No blog do Juliano tem um post antigo sobre a descoberta desse paraíso panificatório. Minha felicidade será completa quando eu finalmente encontrar o famoso lugar onde se vende pão-de-queijo em Seul!

Mudando de assunto. Ontem à noite nevou bastante e hoje de manhã levei um tombo ao sair de casa. Neve no passeio, onde todo mundo pisa, é um perigo! Vira um rinque de patinação. Descobri da pior maneira. Tudo bem, bunda grande serve pra alguma coisa. Acabei me atrasando e encontrei o resto da turma no caminho, fazendo guerra de neve. Aí que atrasamos mesmo! Minha primeira guerra de bola de neve foi muito boa. No final, quem vinha chegando? O Biru! Pra quem não se lembra, é o indiano que dividiu quarto comigo nas primeiras duas semanas aqui. A galera é fã dele! Nos bons e maus momentos... hehe. Espia só o que aprontamos com o pobrezinho.