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Por que coreano é tão difícil?

Por que coreano é tão difícil?

Aviso. Na falta de criatividade, copiei o título acima de um post em inglês do LA Review Books. É que hoje me aconteceu algo que, na verdade, acontece sempre com os estrangeiros que vivem na Coreia, principalmente com os que falam coreano, por mais básico que seja. Algo que passa despercebido no cotidiano e acaba se tornando natural.

Agachadinha asiática

Tirando poeira do blogue! (Ih, isso parece coisa de um outro blogue brazuca-coreba morimbundo). Não, eu ainda não voltei para a Coreia. Mas bateu aquela saudade de prosear por aqui com vocês. E vou falar sobre umas das posições de descanso mais comuns entre os coreanos: a agachadinha. E depois que você dá uma volta pela Ásia, percebe isso não é uma particularidade dos coreanos. A agachadinha é o certificado de origem asiática, é a cola que une a diversidade cultural do continente ao qual chamamos de Ásia. Alguns discutem se o Timor-Leste faz mesmo parte da Ásia, já que culturalmente há muita influência portuguesa, e a ilha está quase encostada na Austrália. Mas a discussão termina quando se vê um timorense agachando. É batata! Faça o teste, e se você conseguir agachar como os asiáticos, certamente você tem um ancestral oriental.

O quê? Você não sabe a diferença entre a agachada asiática e a não-asiática? É simples: com a agachada asiática suas pernas não doem, seu calcanhar fica apoiado no chão, e seus tornozelos ficam juntinhos das nádegas. Se você tem que esperar numa fila de aeroporto por uma hora, por que esperar em pé? Mas se o chão está sujo, por que se sentar? A agachadinha asiática é a melhor solução: você fica descansando em stand-by, nem sentado nem em pé.

Chineses esperando abrir o portão no aeroporto de Bali
Qualquer um consegue agachar como os asiáticos? Não, infelizmente não é para qualquer um. Além de precisar ter um ancestral asiático que lhe transmita o gene da flexibilidade agachatória, você precisa passar por um treinamento de uns 5 anos fazendo o number 2 num buraco no chão.

Se tem alguma dúvida, assista ao vídeo abaixo com as instruções. Mas o Ministério da Saúde adverte: as primeiras tentativas de agachamento à la asiática podem causar tombos para os despreparados.

Casamento coreano

Ontem fui a um casamento coreano, o primeiro para o qual fui convidado. Lembrei que nunca tinha falado sobre isso aqui no blogue, então decidi registrar alguns momentos para comentar brevemente.

Quem me convidou foi uma colega da universidade, muito gente fina e um amor de pessoa. Por isso não fui por obrigação ou por mera curiosidade em saber como é. Mas vou contar como foi, sem a pretensão de querer dizer que todos os casamentos na Coreia são iguais.

Primeiro, é bom lembrar que há na Coreia os casamentos tradicionais e os modernos (ou ocidentalizados). Os tradicionais seguem rituais antigos durante a cerimônia, têm caráter mais religioso, e os participantes todos (noivos, pais, etc) usam roupas coreanas tradicionais (como o hanbok e outras variantes). Quem acompanha o blogue desde os idos de 2008 talvez se lembre de um vídeo que fiz, "How to make a Korean traditional wedding", que gravei quando nossa turma de Cheongju simulou um casamento tradicional num instituto confucionista.

Já os casamentos modernos são uma adaptação dos casamentos ocidentais em geral: noivo de terno, noiva de vestido branco e as outras pessoas com roupas finas. O casamento da minha colega foi, como a maioria esmagadora dos casamentos de hoje em dia, um casamento moderno, já que o tradicional tem sido visto como "cafona" e caído em desuso. Mas ainda que superficialmente a cerimônia se pareça muito com as que vemos nas igrejas no Brasil, as daqui têm suas particularidades, como por exemplo:

  • Na Coreia praticamente nunca se casa numa igreja, ainda que os noivos sejam cristãos.
  • A cerimônia geralmente não é dirigida por um padre, pastor ou monge, pois não tem um caráter religioso. Não é dirigida nem mesmo por um juiz ou autoridade do Estado. Nesse casamento da minha colega, por exemplo, quem "abençoou" o matrimônio foi ninguém menos que o patrão do noivo!
  • O local é quase sempre um Wedding Hall (웨딩홀), onde acontecem a cerimônia e a comilança - durante ou logo após a cerimônia.
  • Os convidados nunca dão presentes (como móveis ou eletrodomésticos), mas espera-se que dêem uma quantia razoável de dinheiro, principalmente se o convidado tem uma posição hierárquica no trabalho superior a do noivo ou noiva.
  • Eles não têm a superstição do noivo não poder ver o vestido da noiva antes da hora. Ele inclusive a ajuda na escolha.
  • Não há padrinhos ou madrinhas.
  • A maioria dos convidados é desconhecida do próprio casal, pois os pais dos noivos são quem decidem a lista final.
  • A cerimônia em si geralmente não dura mais do que 20 minutos. Provavelmente porque o aluguel do local é caro e logo em seguida outros casamentos já estão marcados.
  • A maioria dos convidados não presta muita atenção no que acontece, e ainda conversam o tempo todo.
Essa lista foi feita sem muito critério, baseada apenas no que observei ontem, que confirmou muito do que já havia lido e ouvido falar sobre os casamentos por aqui. Eu, particularmente, vejo os "shows" de casamentos da atualidade (tanto aqui quanto aí) como um exibicionismo desnecessário de uma sociedade que sonha em viver contos de fadas e tem aversão a coisas simples e íntimas. Isso, claro, não impede que eu participe das celebrações e deseje toda a felicidade aos meus amigos que se casam.

Aqui vão algumas cenas que registrei, com mais algumas curiosidades:

A noiva ficou numa salinha para tirar fotos com cada convidado antes do casamento começar
As coroas de flores na Coreia são usadas para comemorar o início de algo (casamentos, inauguração de loja, etc) e não o fim (como no Brasil, em que as usamos em velórios)
Essa foi minha contribuição, junto com a Ji Young e a Jun Hui. Repare que escrevemos o cartão na vertical, como manda o costume. Inclusive, a lista de convidados foi toda assinada na vertical, com três caracteres. Isso não importa muito, mas é bom preparar seu nome em hangeul com apenas três sílabas, como o meu: 엥히키
Corredor matrimonial
Comida servida durante a cerimônia
Apesar de ser um casamento moderno, as mães do noivo e da noiva optaram por usar o hanbok


A objetividade do casamento aqui é um ponto positivo para mim. Não tem aquela lenga-lenga que cansa os convidados que ficam sentados escutando o padre falar por duas horas (repare no vídeo a rapidez em que o noivo entrou! Quase uma corrida de 50m). Também acho que dar dinheiro em vez de presente é algo que facilita muito a vida das pessoas. O ponto negativo é a impessoalidade, já que os próprios noivos não conhecem a maioria dos convidados. Mas a verdade é que minha opinião não importa em nada se minha colega encontrou o amor de sua vida e decidiu se casar com ele. O que vem depois vale muito mais do que o evento de um só dia. E que sejam muito felizes! :)

Dá pra contar nos dedos?

"Quantos primos você tem?", alguém te pergunta. Se a resposta não estiver na ponta da língua e você precisar contar nos dedos, você vai contar como na figura abaixo, né?

Um, dois, três, quatro, cinco
Claro! Mas na Coreia, não tão claro assim. Aqui, quando contam pessoas ou unidades, geralmente não começam com a mão fechada ("zero"), mas com a mão aberta. De forma que os dedos contados são os que estão "dentro" da mão, não os que ficaram "de fora". E eles começam subtraindo o polegar, depois o indicador, e assim por diante. Mas lembre-se: eles só fazem isso para contar "cabeças". Se uma ajumma quiser te dizer que algo custa 2 mil wons, ela vai mostrar 2 dedos, ao nosso modo, porque é um número estático, e não uma contagem.

Comentei isso com um coreano outro dia e ele disse que aqui eles é que têm que aprender o oposto nas aulas de inglês, para não confundir a outra pessoa. Mas se for pego desprevenido, um coreano de fato conta subtraindo os dedos, em vez de adicionar. Por isso, se alguém aqui te disser que tem 3 primos e mostrar só 2 dedos, não vá pensar que ele não sabe contar! :)

Bom, pelo menos no caso do Lula o número 2 não causaria problemas.

Namorado(a) estrangeiro(a) e a família coreana

Tem gente que me pergunta sobre o assunto, então resolvi traduzir um post de um dos meus k-blogues favoritos, o Stuff Korean Moms Like (Coisas de que as Mães Coreanas Gostam). O blogue é escrito por uma americana-coreana, cujos pais são 100% coreanos, só para entender o contexto. A autora do blogue (Chiyo) enumera os posts em tópicos bem-humorados, e o que vou traduzir abaixo é o número 20.

#20 Casando as pessoas
Elas adoram isso. Se você é solteiro e tem entre 24 e 40 anos, sua Mãe Coreana está tentando te casar com alguém. Não negue. O quanto antes ela te casar, mais cedo ela vai se tornar uma halmeoni (vovó) e deixar de ser uma mera ajumma (mulher coreana casada e mais velha). Mas você não pode se casar com qualquer um. Sua Mãe Coreana está planejando te casar com um médico ou advogado coreano, e talvez se ela for mais liberal e aberta, um empresário coreano. 
À medida que você envelhece, as tentativas de te casar vão crescer. Ela vai recorrer até mesmo a um casamento arranjado com alguém na Coreia que está querendo ter um greencard. Alguém que você nem conhece e cujas fotos foram "photoshopadas" (...aquele cara da foto que ela te mostrou? O que mora em Daejeon e trabalha na Samsung? Na verdade ele é careca, tem 1,50m e o dente torto... mas você não vai ficar sabendo disso antes do dia do casamento).
Ela não vai nunca nunca nunca, repito... nunca... ficar feliz com você se casando com alguém de uma destas categorias: branco, negro, japonês, sul-asiático, alguém que esteja "tentando descobrir o que quer da vida", artistas ou pastores. Ela pode até dizer no final das contas que está OK... mas bem no fundo não está. Principlamente porque ela nunca mais vai poder contar vantagens sobre você (veja o #18). 
A última categoria da lista é considerada sentença de morte para uma Mãe Coreana que não quer ver sua filha sofrer nas mãos das outras mães coreanas na igreja do pastor. Se a filha realmente escolher se casar com um pastor e sua mãe de alguma forma aceitar, ela vai reclamar, mas secretamente vai gostar do fato de que "deu à luz uma filha santa". Se você escolhe se casar ou namorar uma pessoa de qualquer outra categoria da lista, prepare-se para ver seu/sua parceiro(a) experimentar rejeição e uma elevada forma de tratamento silencionso sempre que estiver na presença da Mãe Coreana.
Se você atualmente namora ou é casado(a) com qualquer um da lista cima... eu te saúdo. Você é meu herói.

É claro que a autora, por ter "sangue coreano", se sente na liberdade de escrever coisas que, vindas de outra pessoa, soariam mais pejorativas. Num outro post ela até diz que "toda Mãe Coreana é racista", não importa o quanto ela negue. E ela sempre escreve com bom-humor, o que torna tudo mais leve.

Então vamos ao que me perguntam: "Os pais da sua namorada te aceitam na boa?" Resposta: "Não. Você não leu o post acima?"

A resposta é "não" por causa do "na boa"... Não interessa o quão aberta a família coreana seja. O ideal para eles é que seus filhos se casem com coreanos. Ponto. Os motivos podem ser raciais, culturais, linguísticos ou geográficos (todos os quatro pontos pesam contra mim), mas a verdade é que um relacionamento intercultural/interracial está longe de ser aceito como "normal" na Coreia.


Eu ainda nem conheço os pais da minha namorada. Um dos motivos é que aqui normalmente não se apresenta o namorado para os pais tão cedo, mesmo que seja coreano, porque isso pode significar que o casal já tenha planos de se casar logo. Sendo um namorado estrangeiro então, cuidado redobrado. Outro motivo é o preconceito (o conceito pré-formado) sobre os homens estrangeiros na Coreia: o cara que vem pra cá só pra se divertir, comer as menininhas e depois sumir. Inclusive programas de TV contam essas histórias, sendo a maioria sobre professores de inglês ou soldados estadunidenses.

A minha sogra quase chorou quando soube que sua preciosa filha tinha arrumado um namorado brasileiro. Fez o maior drama. Segundo ela, a primeira imagem de brasileiro que lhe veio à cabeça foi o Ronaldinho Gaúcho. Depois um índio, com um toco atravessado no queixo, que viu no documentário da MBC sobre a Amazônia. Não entendia por que, com tanto homem coreano solteiro neste país, a filha dela tinha que se engraçar logo com alguém que (pra ela) saiu da floresta amazônica, que fica logo atrás do sambódromo do Rio, cheio de gente pelada rebolando.

Mas depois ela me viu na TV, quando apareci na KBS. Não deve ter me achado muito bonito, mas achou que foi melhor que o Ronaldinho Gaúcho. Viu também que eu me esforçava para falar coreano. No aniversário dela, mandei flores. A resposta foi positiva: no ano novo lunar, ela me mandou comidas que tinha preparado, como forma de agradecimento.

E por enquanto estamos nesse telefone sem-fio. Contudo, tenho outros amigos brasileiros que também moram aqui, que estão casados ou namorando coreanos(as), e já venceram essa difícil barreira da aceitação por parte da família. Na maioria dos casos levou anos, mas agora são até mais bem tratados pelos sogros do que esperavam.

Agora, se você quer uma relação de poder fazer xixi de porta aberta, esqueça. Tá pensando que tá na casa da sogra?

Ttong-chim

Lembro-me como se tivesse sido ontem quando um coreano me contou sobre o ttong-chim. Não pude acreditar. Não quis acreditar! Mas depois, no inverno congelante de Gapyeong, um brasileiro chamado Juca (nome fictício, para proteger a identidade da fonte), contou-me sobre a primeira vez em que um ttong-chim japonês o pegou em cheio. Depois disso, andei pela Coreia com medo do ttong-chim. Minha paz acabou. Tive pesadelos com ele. Acordava suando... "ufa! foi só um sonho..."

Os que já sabem o que é o ttong-chim (똥침) devem estar achando que estou fazendo drama por nada. Mas os que vão descobrir agora, provavelmente ficarão tão assustados quanto eu nos meus primeiros meses aqui. (Ou não, dependendo das brincadeiras que fazem - ou fizeram - com seus amiguinhos...) :P

Vamos lá: ttong (똥) significa cocô (m*rd* também, mas cocô é mais bonitinho). E chim (침) significa agulha. Ou seja: ttong-chim é uma agulha de cocô. É uma das brincadeiras mais comuns entre as crianças coreanas. O moleque junta as mãos e põe os indicadores pra frente, como um revólver. Essa é a "agulha". Depois procura um amiguinho para "alfinetar". Se pegá-lo desprevinido, melhor: os dedinhos (com unhas por cortar) invadem o reto da vítima e voltam com aquele cheirinho da vitória.

Não, não é mentira. Quisera Deus que fosse! Basta ir a qualquer escola primária da Coreia e observar as brincadeiras das crianças. Se ficar na posição em que Napoleão perdeu a guerra, já era!

Graças a Deus ainda não me pegaram em cheio no ttong-chim. Meu sistema de defesa bundal foi mais rápido. Mas tem que tomar cuidado com os moleques, principalmente se você é professor de coreaninhos até uns 12 anos. Conheço professores de inglês aqui que já foram "ttong-chimados" por darem muita liberdade às crianças. Ouvi falar também de casos que foram parar na TV: crianças que levaram uma ttong-chimada tão forte que tiveram seus ânus rasgados. E aí? Dá pena de morte pra um moleque de 8 anos por estuprar seus coleguinhas com o dedo?

Tentando me ajudar, o Gustavo me deu uma camiseta da Babo Shirts com um símbolo de "proibido fazer ttong-chim". Usei-a em público umas duas ou três vezes, só para constatar o efeito inverso: o cara que nem lembrava que ttong-chim existia vinha fazer gracinha pra me encher. De dedo.

Abaixo vai um vídeo dos alunos do English Camp onde eu estava trabalhando. Pedi para uma menina mostrar como se faz o ttong-chim. Pelo jeito, os coreanos gostam muito de fazer sopa de tteok com mandu para os outros... (leia este post se você não entendeu a piada).


Veja também algumas fotos que peguei na internet:

Desde pequenos eles já aprendem. O coitado nem pode tomar água tranquilo!
E cuidado ao tirar fotos!
Esse tá no jeito.
E esta é uma estátua em Jeju-do (se não me engano).
A menininha descontou pra vítima.

Trabalho que faz sentido

Vi esse vídeo do TED num post do blogue Roboseyo e não pude deixar de repostar. A palestra é interessante para qualquer um no mundo capitalista, mas os sul-coreanos deveriam assisti-la mais de uma vez e tentar colocar em prática.

Os coreanos trabalham mais, muito mais, que os brasileiros. Também estudam mais, muito mais. Mas isso não significa, necessariamente, que trabalhem e estudem bem! O palestrante fala exatamente de uma pesquisa científica que comprova o quão ineficiente é o sistema de meras recompensas e punições nas empresas, e como é importante ter sentido no que você faz, em vez de simplesmente obedecer como a turma do lado de cá faz. Confira você mesmo a palestra, porque vale a pena (e você pode selecionar a legenda em português).


PS1: Ao comparar Coreia e Brasil, não quero dizer que os brasileiros saibam trabalhar melhor. Mas acho que a Coreia já chegou a um ponto em que pode questionar seu próprio sistema e dar um salto ainda maior para o futuro. Não sei se uma palestra de 20 minutos mudaria algo que está tão enraizado na cultura coreana, mas se pegar a turma que manda nesse país já tá ótimo.

PS2: Também concordo com o autor do Roboseyo, quando ele diz que a maior parte dos problemas culturais na Coreia seria magicamente resolvida se 50% das pessoas que comandam o governo e as empresas sul-coreanas fossem mulheres. Elas com certeza seriam mais sensíveis a outros valores que não sejam os corporativos sangue-suga.

Jogos para beber soju

Como o blogue Blackout Korea mostra bem, a Coreia do Sul é um país em que os "rituais" da bebida são bem fortes e fazem parte da cultura. Eu já disse aqui antes como é importante saber as regras quando se bebe com alguém mais velho ou alguma autoridade. Tem que segurar o copo com as duas mãos, virar para o lado na hora da golada, enfim, essas coisas coreanas. E rejeitar um copo de soju de um professor ou superior no seu trabalho é um grande absurdo!

Entre amigos, no entanto, a coisa é um pouco diferente. Bebe-se tanto quanto os mais velhos, mas sem muita "nove horas". E para descontrair, jogam-se muitos jogos para decidir quem toma a golada da vez. Acredito que jogos do tipo existam em todo país onde se bebe muito, mas aqui parece ser particularmente mais popular. Principalmente quando se tem na turma pessoas que não gostam ou não têm costume de beber muito, os jogos são uma chance de se ver tal pessoa mais "alegrinha" com uns copos de soju.

Abaixo tem um vídeo que gravei quando brincava com meus amigos. A lista de jogos parece ser infinita, mas decidi gravar alguns para compartilhar com vocês. Caso queiram aprender a jogá-los, vou tentar explicar as regras, apesar de ser sempre difícil explicar regra de jogo sem jogar. Quem fala um pouco de coreano pode entender melhor pelo vídeo.

"Baskin Robins 31"
Para quem não sabe, Baskin Robins é uma rede de sorveterias que está em todo lugar na Coreia. E uma propaganda famosa, na qual divulgavam 31 sabores de sorvetes, acabou gerando a brincadeira. É bem fácil: numa roda, seguindo a ordem, cada um diz 1, 2 ou 3 números, começando do 1. Quem cair no 31 tem que beber. Geralmente os últimos é que têm o poder de escolha e decidem quem bebe na rodada. A musiquinha no ínicio diz, em inglês, "Baskin Robins thirty-one"♪.

"Frying Pan Game" (후라이팬 놀이)
Não tem frigideira nenhuma na brincadeira, é só um nome ilustrativo. É um jogo que exige atenção e coordenação motora. A musiquinha no início diz "ting-ting-ting-ting / teng-teng-teng-teng / ting-ting / teng-teng / huraipen nori" (띵띵띵띵 / 뗑뗑뗑뗑 / 띵띵 / 뗑뗑 / 후라이팬 놀이♬).

Basicamente segue um ritmo de quatro batidas (como no vídeo) no qual alguém diz nas duas últimas batidas o nome de outra pessoa e um número de 1 a 4. Esse número decide quantas vezes a pessoa tem que dizer o próprio nome, no ritmo das batidas. Por exemplo, se disserem "João Três", o João tem que dizer logo em seguida "João, João, João" nas três últimas batidas e logo em seguida colocar alguém na frigideira: "Zé Quatro"... "Zé, Zé, Zé, Zé". Quem errar, claro, bebe soju.

"Bunny-Bunny Game" (바니바니 당근당근 게임)
Bunny, em inglês, signfica "coelhinho". Já ouvi um papo aqui na Coreia de que eles falam de um tal coelho na lua. Não sei se é o formato das crateras que dão essa impressão ou se é só uma lenda conhecida. Mas acho que esse jogo tem a ver com a história. É que a musiquinha que inicia o jogo diz o seguinte: "Palavras do coelho que desceu..." (토끼 내려온 하는 말♬). E eu perguntei "desceu de onde?" e me falaram "do céu, ora!"

Depois é só alguém começar dizendo "bunny-bunny" para si, e em seguida "bunny-bunny" para alguém. Esse alguém tem que responder com o mesmo "bunny-bunny" e escolher outra pessoa. Quem estiver do lado do escolhido tem que dizer "danggeun-danggeun" (cenoura-cenoura) ao mesmo tempo. Tudo isso com os devidos gestos. Nesse jogo dá pra mais de uma pessoa errar, então mais gente bebe.

"Corrida de Cavalos" (경마 게임)
Este jogo é bem simples, mas tem que ficar atento o tempo todo. A musiquinha de início diz "Esse é um que gostamos muito: Corrida de Cavalos!" (어떤 많이 좋아하는 경마 게임!♬). Depois é só fazer uma rodada estabelecendo os número: "Número 1, número 2, número 3...". O "cavalo" número 1 começa chamando outro cavalo, dizendo "número 1, número 7" e o 7 responde para quem quiser: "número 7, número 3". Quem errar ou demorar, bebe.

"Jogo do Bobo" (바보 게임)
Esse não tem nada de mais, e até bobo mesmo. Mas confesso que dá pra confundir a cabeça se você não se concentrar. Tudo o que você tem que fazer é dizer um número (de 0 a 10) e mostrar outro número com a mão para a pessoa ao lado. A pessoa tem que dizer o número que você mostrou e mostrar outro diferente. Se você disser e mostrar o mesmo número, erra. E quem erra... bebe!


Convidou, pagou!

Muito cuidado ao convidar um coreano para fazer qualquer coisa! Pense muito se você vai ter dinheiro pra bancar o convite. Aqui na Coreia, quando se convida alguém para comer, ir ao cinema, a um jogo, qualquer coisa, quem paga é quem convidou. Isso mesmo! O famoso "fazer uma vaquinha" é coisa de brasileiro, e aqui é a exceção à regra.

Já me dei mal algumas vezes por não saber disso quando cheguei aqui. Lembro que uma vez, no ano passado, chamei o Yosep pra ir ao cinema, e o cara ficou feliz da vida. Daí veio me perguntar se podia chamar mais alguém, e eu disse "claro, ué!". E ele repetia "muito obrigado! muito obrigado!". Depois veio me dizer que na verdade queria chamar mais DOIS amigos, mas que estava preocupado comigo. E eu só dizia: "deixa logo de frescura e chama quem você quiser!!!". Quando ele percebeu que a esmola tava demais, perguntou: "mas você vai ter dinheiro pra pagar pra todo mundo?"

"Como assim?! Ficou maluco?", pensei. Cada um que pague o seu. Afinal era cada um mais liso que o outro. A gente faz umas graças dessas só com namorada ou amigo muito chegado, e mesmo assim se tiver dinheiro sobrando. Aqui não. Conheço nego que se endivida pra manter o status, e paga pra galera.

O lado bom é quando alguém te convida pra comer alguma coisa. Ô, maravilha! ^^ Principalmente se for mais velho: o cara paga tudo, é batata!

Mas ontem caí na armadilha de novo. Tava aqui no departamento até altas horas pra terminar uns trabalhos. Na sala de estudos estavam eu e mais uns dois chegados, e uma turma mais longe um pouco. Meu estômago roncando, todo mundo com fome, e ninguém falava nada. Não aguentei: "pessoal, vamos pedir uma pizza?". A alegria foi geral! Procurei na internet, e achei um delivery aqui perto. Promoção: 1 pizza era ₩12.000 e duas eram ₩16.000 (com uma coca incluída). Como tava com muita fome mas meio quebrado, já calculei duas pizzas e uns 5 milzinho pra cada.

Quando chegou a bendita, os coreanos não só não pagaram, como chamaram todo mundo que tava na sala pra comer junto e anunciaram "o Henrique é quem convidou!" e todo mundo aplaudiu e me agradeceu. E eu com aquela dor no bolso... ai, Jesus... logo esse mês que eu tô vendendo o almoço pra comprar a janta!

Às vezes me sinto o ser mais egoísta nessa Coreia. Mas aos poucos eu tô aprendendo. Quando se vai comer ou beber, você nunca se serve primeiro. Alguém tem que se levantar e servir a todos, um por um, e no final alguém tem que se oferecer para te servir. Sem esquecer de observar as boas maneiras com os mais velhos: segure sempre a garrafa com as duas mãos.

Na hora de pagar, se não teve ninguém que "convidou" ou se a conta for visivelmente cara, dá pra dividir de boa. E se você for o mais velho mas não tiver muito dinheiro, é bom torcer para que o coreano saiba que em outros países o sistema é diferente. Já teve coreano que não deixou eu pagar tudo, mesmo sendo mais novo, só porque morou nos Estados Unidos e sabe que o normal é rachar a conta.

E já que estamos falando de dinheiro, olha só a carinha do dinheiro coreano (won):



Para fins de comparação, ₩1.000 é como R$1. As moedas de ₩1 e ₩5 já nem são usadas mais, de tão insignificantes que seus valores se tornaram. Aqui na Coreia não houve os cortes de zero que houve no Brasil na época da hiperinflação. Mas o mais interessante é que até este ano, a nota mais alta que eles tinham era a de ₩10.000. Dá pra imaginar se R$10 fosse a nota mais alta no Brasil? Pois é. Às vezes eu tinha que sacar uma quantia alta e sair com aquele bolo na mão. Ainda bem que aqui é mais seguro, porque em terras tupiniquins esses bolos de notas são farejados de loooonge pelos assaltantes.

O motivo pelo qual não podiam fazer uma nota de valor mais alto, segundo o Juliano, é que a figura impressa nela é do Rei Sejong ("o Grande"), o cara mais idolatrado na Coreia. Foi ele que inventou o alfabeto coreano (hangul) para substituir os caracteres chineses. Portanto alguns acreditavam que não poderia haver um valor mais alto.

Porém, decidiram que precisavam fazer a nota de 50 mil wons, mas que personalidade usariam? Bom, ela finalmente saiu em junho, espia só:



Colocaram a foto de uma mulher! Sociedade moderna, não? Pois é, mas quando fui ler sobre o porquê dessa mulher, olha o que achei: "Seu nome é Shin Saim-dang, grande escritora e artista, também mãe de Lee Yul-gok (impresso na nota de 5 mil). [...] O Banco da Coreia afirma que ela foi escolhida pelo seu talento e porque ela incorpora os ideais culturais de ser obediente aos pais, devota ao marido e dedicada a educar seus filhos." (korea4expats)


Achei a justificativa meio estranha, mas bem coreana. Apesar de não corresponder muito à realidade da Coreia moderna, os "ideais" ainda são fortes. Até agora não consegui botar meus dedinhos na nota de 50 mirréis... Se eu conseguir, não convido ninguém pra sair! :D

Balé Nacional da Coreia no Brasil

Finalmente um anúncio para quem está no Brasil, mais especificamente em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Para celebrar os 50 anos de relações Brasil-Coreia, o Balé Nacional da Coreia apresentará o espetáculo Fantasia Coreana.

*Brasília: 15 e 16 de outubro (Teatro Nacional)
*Rio de Janeiro: 20 e 21 de outubro (Teatro João Caetano)
*São Paulo: 23 e 24 de outubro (Teatro Santo Agostinho)


O espetáculo conta parte da cultura milenar coreana em 10 atos, numa viagem deslumbrante com bailarinos e acrobatas premiados mundialmente.

Para quem mora em Brasília, o valor do ingresso será R$80,00 ou R$40,00 (meia-entrada, se levar um quilo de alimento). Quem mora no Rio ou em São Paulo tem que procurar o telefone do teatro para saber detalhes.

Taí uma boa oportunidade para quem se interessa pela Coreia e quer conhecer mais sobre sua cultura.


Você tem um amigo coreano?

Lá vou eu varando a madrugada, preparando trabalho para apresentar e lendo livros e mais livros até virar o "zóio". Exatamente como previsto... Mas pra eu não ficar louco com menos de um mês de aula, uma passadinha aqui no blogue sempre me faz bem. Principalmente quando vocês, queridos leitores, estão inspirados para comentar. Já os preguiçosos que nem dão sinal de vida, aqui vai um puxãozinho de orelha: comenta aí, ô trem!


Bom, o assunto na verdade é outro. Muita gente me pergunta se tenho muitos amigos coreanos. Já vi um artigo do Caruso em algum lugar fazendo a mesma pergunta, só que com os japoneses. E a resposta é sempre difícil, a começar por uma questão linguística: a palavra que corresponde a "amigo" - em coreano chingu (친구) - é muito mais restrita na língua coreana. Ela se refere apenas às pessoas que têm a mesma idade que você, independentemente se vocês são superchegados ou apenas colegas de faculdade. Por isso é muito comum, ao conversar com um coreano em inglês ou outra língua, e perguntar "Ele é seu amigo?" e o cara responder "Não, é meu 'irmão mais velho'" (detalhe: vocês não têm qualquer parentesco, se conhecem há 10 anos, saem juntos nos fins de semana e trocam confidências, mas não são "amigos").

Em compensação há uma variedade imensa de outras palavras para definir especificamente qual a relação entre a pessoa e você no que diz respeito à idade.

Em português, por exemplo, a gente tem tio e tia né? Em coreano tem uma palavra para tio-irmão-mais-velho-do-meu-pai, tia-irmã-mais-velha-da-minha-mãe, tio-irmão-mais-novo, e por aí vai...

A mesma coisa para primo: as palavras são diferentes se for primo mais velho ou mais novo, se for homem ou mulher.

E como é que fica o amigo então?

Se é da mesma idade, é chingu (친구), para homem e mulher.
Se você é mulher, seu amigo mais velho é seu oppa (오빠), que também significa "irmão mais velho (de mulher)".
Se você é mulher, sua amiga mais velha é sua onni (언니), ou "irmã mais velha (de mulher)".
Se você é homem, seu amigo mais velho é seu hyeong (형), ou "irmão mais velho (de homem)".
Se você é homem, sua amiga mais velha é sua nuna (누나), ou "irmã mais velha (de homem)".

E a regra é rígida: vale para todos os coreanos, mesmo que seja apenas um ou dois anos mais velho. Com esses, não se recomenda usar linguagem informal - mas eles podem usar linguagem informal com você. Se vocês são íntimos, pode até ser mais informal, mas o título depois do nome sempre tem que ser dito. Se o cara se chama Cholsu e é mais velho que eu, tenho que chamá-lo de "Cholsu Hyeong", e as meninas de "Cholsu Oppa", e nunca somente o nome.

Os estrangeiros têm o benefício da isenção na Coreia. Se a diferença de idade não for muito grande, eles toleram a "falta de respeito", e os mais novos podem te chamar só pelo nome também. Mas se você quiser imergir na cultura coreana, é bom entrar na dança.

Estou contando isso, porque desde que minhas aulas começaram no mestrado é que senti que eu entrei na dança de vez. Isso porque antes eu só estudava com outros estrangeiros, e não passava o dia inteiro com coreanos como agora.

Agora já vi que se eu não chamar meus amigos mais velhos de "hyeong", eu perco moral com os caras. Como dizia o Yosep, se não mostrar respeito, "o coração dói" (마음이 아프다)! E como os coreanos (homens) perdem muito tempo servindo o exército, a maioria dos meus colegas homens são mais velhos do que eu.

A vantagem é que as meninas são quase todas mais novas, o que significa que eu sou o Rique Oppa (히키오빠) delas!^o^ E não é que estou gostando desse negócio? Mostrar respeito com os amigos mais velhos é um saco, mas quando você é respeitado a coisa muda. O pronome de tratamento parece que te dá poderes especiais, e mostra que ficar velho, pelo menos na Coreia, tem lá seus benefícios...

Uma geral no racismo coreano

Depois que postei no twitter sobre o "desconvite" de casamento que recebi, teve gente até perdendo noite de sono (né Paula? rs). Então deixa eu esclarecer essa história e dar uma geral na questão racial na Coreia.

1. O que aconteceu?

Um amigo francês que estudou coreano com a gente em Cheongju vai se casar com uma coreana mês que vem, com quem namorou durante 4 anos e que morou na França durante 7 anos. Como já era de se esperar, a família dela não aceitou o namoro facilmente. A mãe ficou sem dormir durante 3 noites quando soube que a filha namorava uma francês (ou seja, um não-coreano). Mas no final das contas, quando viu que a filha não voltaria atrás, a família acabou engolindo a história e aceitou o casório, que todos nós esperávamos ansiosamente. O francês já havia nos enviado convites informais, dizendo o local e a data, mas enviaria os convites oficiais essa semana.

No entanto, o pai da noiva se opôs ao convite de estrangeiros para o casamento, porque seria uma cerimônia tradicional coreana, e achou que a cerimônia seria tratada como uma piada pelos estrangeiros, em especial os de pele escura (segundo as palavras que recebi no "desconvite").

2. Isso é comum na Coreia?

Sei lá, esse seria o primeiro casamento ao qual compareceria na Coreia. Estatisticamente, fui desconvidado de 100% deles! :P

3. Qual o motivo da discriminação?

O mesmo de toda discriminação pelo resto do planeta: ignorância. Os coreanos, além de extremamente nacionalistas, alimentam uma sutil e perigosa de ideia de superioridade racial, que foi muito motivada pelo complexo de inferioridade que surgiu das trocentas invasões e tentativas de extinção da nação coreana. Isso tem diminuído muito entre os jovens, mas é ainda forte entre os mais velhos. Daí a razão de se ver esse tipo de atitude partindo de coreanos mais velhos. Infelizmente, frases que enfatizam a suposta superioridade coreana é ainda encontrada até mesmo nas entrelinhas de jornais, como mostra esse vídeo do Youtube.

4. Então o coreano é um povo racista?

Olha a pergunta perigosa aí. Se eu disser que não, vou estar mentindo. E se eu disser que sim, também vou estar mentindo! Além de ser injusto com muitos coreanos que tenho certeza que não são racistas e não apoiam esse tipo de atitude.

A verdade é que o conceito de "raça pura" ainda é comum, mas com fortes tendências de diminuir nas próximas gerações. A Coreia foi um país extremamente fechado durante muitos séculos, e os únicos momentos da história quando ela se "abriu" e teve um intercâmbio racial e cultural, foi quando ela foi invadida por outros povos. O resultado foi esse povo coreano vacinado, cabreiro e desconfiado com qualquer estrangeiro.

Até 15 anos atrás, quase não havia estrangeiros na Coreia, até que o país se abriu e começou a oferecer oportunidades de estudo, trabalho e moradia para quem quisesse vir. De lá pra cá, muito mudou. As crianças que cresceram vendo Seul se tornar uma cidade cosmopolita se tornaram jovens que namoram estrangeiros e aceitam as diferenças com mais facilidade - apesar desse processo ser desigual em diferentes regiões do país.

5. Você já sofreu com o preconceito do povo coreano?

Já. Mas ri de dó do retartado do ajoshi que me discriminou, como contei aqui antes. A discriminação aqui atinge diferentes pessoas, de diferentes países, em intensidades e por motivos diferentes. No meu caso, eu fui discriminado porque acharam que eu fosse do Irã, que por sua vez é discriminado, junto com o restante do megagrupo árabe-muçulmano, por ser visto como terrorista, ainda que eu não saiba de nenhum ataque de muçulmano fundamentalista na Coreia.

Os negros são discriminados por terem pele negra. Os do sudeste asiático são discriminados por serem mais escuros e pobres. Os japoneses são discriminados por serem japoneses. Os americanos são discriminados por serem muitos e por serem vistos como os comedores de coreaninhas que depois as abandonam.

Resumindo, se você não é coreano, em alguma categoria discriminatória você tem que se encaixar!

Até coreano que foi criado em outro país é discriminado: são os traídores que abandonaram o país quando este mais precisava do seu povo!

6. Nossa, que bosta hein?

Tá bom, eu exagerei um bocado. Isso não acontece assim. Os casos em que coreanos discriminam descaradamente não são tão frequentes. É mais uma ideia sutil que permeia o subconsciente coletivo coreano, e, como já disse antes, muito mais entre os mais velhos.

Eu, por exemplo, além da vez em que o ajoshi me aprontou aquela, e desta vez em que fui "desconvidado" para o casamento coreano, nunca me senti rejeitado e mal tratado pelo povo coreano em geral. Muito pelo contrário.

Mas é bom saber que esse tipo de coisa acontece por aqui antes de cair de paraquedas achando que tudo são rosas. Assim como é um engano acreditar que o Brasil também seja um paraíso da harmonia entre as raças. Só que aí são outros 500... literalmente.

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Primeiro coreano indiciado por racismo na história da Coreia: veja aqui.
Outros casos de discriminação sofrida por estrangeiros, aqui. Desculpem, os links estão todos em inglês.

Observação: Nós brasileiros até que somos sortudos. Apesar de uma possível prévia discriminação pela aparência (como no meu caso, com cara de árabe), isso logo é quebrado assim que nos identificamos como brasileiros. Aí tudo é festa e todo mundo te ama! :)