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Ttong-chim

Lembro-me como se tivesse sido ontem quando um coreano me contou sobre o ttong-chim. Não pude acreditar. Não quis acreditar! Mas depois, no inverno congelante de Gapyeong, um brasileiro chamado Juca (nome fictício, para proteger a identidade da fonte), contou-me sobre a primeira vez em que um ttong-chim japonês o pegou em cheio. Depois disso, andei pela Coreia com medo do ttong-chim. Minha paz acabou. Tive pesadelos com ele. Acordava suando... "ufa! foi só um sonho..."

Os que já sabem o que é o ttong-chim (똥침) devem estar achando que estou fazendo drama por nada. Mas os que vão descobrir agora, provavelmente ficarão tão assustados quanto eu nos meus primeiros meses aqui. (Ou não, dependendo das brincadeiras que fazem - ou fizeram - com seus amiguinhos...) :P

Vamos lá: ttong (똥) significa cocô (m*rd* também, mas cocô é mais bonitinho). E chim (침) significa agulha. Ou seja: ttong-chim é uma agulha de cocô. É uma das brincadeiras mais comuns entre as crianças coreanas. O moleque junta as mãos e põe os indicadores pra frente, como um revólver. Essa é a "agulha". Depois procura um amiguinho para "alfinetar". Se pegá-lo desprevinido, melhor: os dedinhos (com unhas por cortar) invadem o reto da vítima e voltam com aquele cheirinho da vitória.

Não, não é mentira. Quisera Deus que fosse! Basta ir a qualquer escola primária da Coreia e observar as brincadeiras das crianças. Se ficar na posição em que Napoleão perdeu a guerra, já era!

Graças a Deus ainda não me pegaram em cheio no ttong-chim. Meu sistema de defesa bundal foi mais rápido. Mas tem que tomar cuidado com os moleques, principalmente se você é professor de coreaninhos até uns 12 anos. Conheço professores de inglês aqui que já foram "ttong-chimados" por darem muita liberdade às crianças. Ouvi falar também de casos que foram parar na TV: crianças que levaram uma ttong-chimada tão forte que tiveram seus ânus rasgados. E aí? Dá pena de morte pra um moleque de 8 anos por estuprar seus coleguinhas com o dedo?

Tentando me ajudar, o Gustavo me deu uma camiseta da Babo Shirts com um símbolo de "proibido fazer ttong-chim". Usei-a em público umas duas ou três vezes, só para constatar o efeito inverso: o cara que nem lembrava que ttong-chim existia vinha fazer gracinha pra me encher. De dedo.

Abaixo vai um vídeo dos alunos do English Camp onde eu estava trabalhando. Pedi para uma menina mostrar como se faz o ttong-chim. Pelo jeito, os coreanos gostam muito de fazer sopa de tteok com mandu para os outros... (leia este post se você não entendeu a piada).


Veja também algumas fotos que peguei na internet:

Desde pequenos eles já aprendem. O coitado nem pode tomar água tranquilo!
E cuidado ao tirar fotos!
Esse tá no jeito.
E esta é uma estátua em Jeju-do (se não me engano).
A menininha descontou pra vítima.

Os catataus coreanos

Ontem fizemos um City Tour (que, na pronúncia da nossa professora, é shitty tour) aqui em Cheongju. Essa cidade é maior que eu pensava: andamos mais de uma hora de ônibus e ainda estávamos em Cheongju.

Fomos a Cheong Nam Dae, ou "Vila Presidencial". É uma casa toda chicosa onde o presidente vai passar as férias, mas que fica aberta para turismo durante o resto do ano em que o presidente lá não está.

Logo que chegamos, vimos vários grupos de crianças com suas professoras, fazendo excursão escolar para se divertirem no local. Não deu outra: a criançada parou o trânsito dos estrangeiros (nós!). As coitadas das professoras estavam pelejando pra gente largar a meninada para elas fazerem as brincadeiras com elas, mas não teve jeito. Juntou todo mundo para tirar fotos com esses catatauzinhos que parecem de brinquedo!

E a recíproca é verdadeira: crianças coreanas têm muita curiosidade quando veem estrangeiros, porque a maioria delas só vê cara como a nossa na TV, e olhe lá. É como se elas estivessem tendo contato imediato de terceiro grau com ET's. De fato, é um contato com EC's (extracoreanos). O bacana é que eles não disfarçam como os adultos daqui, que muitas vezes têm a mesma curiosidade mas abaixam a cabeça de vergonha de olhar pra gente. A criançada fixa o olho e se deixar fica horas olhando pra nossa cara.


Outra coisa que me impressiona acerca das crianças coreanas é a relativa autonomia que elas têm, comparadas às crianças brasileiras. Essa cena que você vê na foto é muito comum de se ver por aqui. As crianças aprendem a andar em duplas ou grupos, e muitas vezes as professoras somem de vista e deixam os pimpolhos sozinhos num lugar público. E não raramente vemos criancinhas assim indo para a escola sem pai nem mãe. Desde cedo elas aprendem a pegar ônibus sozinhas. O perigo maior é atropelamento, porque roubo e sequestro são coisas raríssimas por aqui.

Para variar, gravei um vídeo. Vocês acharam que eu resistiria a filmar essas coisinhas tão engraçadinhas? Juro que se tivessem um botão ON-OFF eu trazia umas 3 pra casa!

No vídeo vocês vão ver também o Huguinho, filho do Hugo, nosso amigo do Paraguai. A esposa e o filho vieram pra cá nesse ano, e o Huguinho tem sido o mascote da turma. Sem falar que as ajummas TODAS da Coreia babam horrores em cima dele, porque "ele tem olhos tãããooo grandes!".


Dia das Crianças na Coreia

5 de maio é o Dia das Crianças, ou 어린이날 (orininal), aqui na Coreia. Parece que o feriado surgiu quando o escritor infantil Bang Jeon Hwan, no dia 5 de maio de 1923, escreveu uma carta para os pais coreanos, descendo o cacete na galera e pedindo para serem mais dóceis com as crianças.

Mas parece que até uns 40 anos atrás a data era só para os meninos. Era "Dia dos Crionços" apenas.

O Dia das Crianças na Coreia gera a expectativa que normalmente se vê no Ocidente na época do Natal, em relação aos presentes que se ganham. Como aqui o Natal é meio xoxo, é no dia 5 de maio que a criançada lava a égua. Além dos presentes, os pais também levam seus filhos para parques de diversão, zoológicos, salas de jogos, etc.

Hoje passamos o dia com o professor de yoga Jeon, e vimos a festança da criançada na volta, quando passamos em frente ao zoológico. A foto do coreaninho acima foi tirada hoje mesmo, quando tomávamos sorvete.

E já que é para postar os bochechudinhos da Coreia, aqui vai um vídeo também. Esse foi gravado pela Agatha, depois da aula de yoga na sexta passada. A gente sempre se senta ao redor daquela mesinha e fica tomando chá e batendo papo. A menininha, Hyunjin, é filha de uma das nossas colegas e é o xodó da turma. Abraços e feliz Dia das Crianças!