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Comida coreana barata e que enche: budae jjigae

Primeira postagem de 2011, e para começar bem vou falar de comida. Já ouviu falar de budae jjigae? Em coreano se escreve 부대찌개 e se pronuncia "pudê djiguê". É um prato que surgiu durante a Guerra da Coreia, quando havia escassez de alimentos no país, principalmente carne, o que fez com que as pessoas que moravam perto das bases estadunidenses aproveitassem os ingredientes que usavam para fazer a comida dos soldados. O resultado é que o prato é uma mistura de tudo o que acharam pela frente: salsicha, bacon, cebola, alho, tofu, broto de feijão, miojo... e por aí vai. Até hoje não se tem uma receita única do budae jjigae, mas é basicamente uma sopa pesada que dá "sustança".

Sopa de peão: budae jjigae

Mas eu resolvi postar sobre isso agora, porque acabei de jantar num restaurante aqui perto que oferece apenas um prato, e é uma variação do budae, só que sem o jjigae (ensopado). Não sei se eles inventaram o tal prato, mas foi a primeira vez que o comi aqui na Coreia. Batizaram-no de budae bokkeum (부대볶음), pois, em vez de sopa, é feito numa chapa e se come com arroz.

Budae bokkeum, arroz, kimchi e salada

Gostei tanto da versão que já virei freguês, com três carimbos no meu "cartão fidelidade" (que, aliás, te dão em quase todo lugar na Coreia). O preço? 5 conto! (ih, tá parecendo o blogue do Renato)

Agora, o que acho interessante na Coreia é o orgulho que eles têm da comida deles, mesmo quando se trata de uma gororoba feita pra encher a pança dos soldados. A culinária coreana não é nem de perto o tipo pelo qual a maioria dos estrangeiros ocidentais se apaixonam de cara. Comigo não foi diferente: levou um tempinho até eu comer kimchi com vontade, e sentir falta quando não me serviam. Os pratos aqui quase não variam nos ingredientes. Não dá pra comparar a variedade de temperos que usam na Índia com o que usam na Coreia, por exemplo. Mas, impressionantemente, eles conseguem preparar um bendito nabo de quatrocentas maneiras diferentes que te fazem pensar que é outra coisa, e no final é apenas o bom e velho nabo.

E você encontra restaurantes especializados em tudo. Restaurante só de kimpab, só de bokkeum bap (mexidão), só de budae jjigae... sendo que muitos restaurantes são tão bem decorados, que você acredita que tá comendo algo muito especial, quando é apenas aquela mesma comidinha que você compra na barraquinha da esquina. Imagine, por exemplo, um restaurante brasileiro, com decoração bacaninha, garçons simpáticos e bem treinados, um bom cozinheiro, e o único prato que eles servem se chama "marmita de bóia-fria". Daí te servem arroz, feijão, ovo, abóbora e couve misturados numa marmita, e fazem parecem que é comida chique.

No final, o que eu mais gosto nos restaurantes coreanos: pra fazer render aquele restinho de comida, eles trazem mais arroz, kim e outras coisinhas, misturam e você desabotoa o botão da calça pra caber mais.

O nome do restaurante é 서병장 대 김일병 (Sargento Seo vs. Soldado Kim)

5000 wons!
Detalhe do nome do restaurante no copo

Apesar da dificuldade em se ajustar para muitos, ainda acho que comer na Coreia é mais divertido. E saudável. Tá, budae jjigae não é o prato mais saudável deles, mas pelo menos o sal passa longe.

Comida coreana não combina com prato descartável

Anteontem à noite estava eu aqui no departamento, com a coreanada toda, preparando-me para mais uma bateria de provas no dia seguinte. Nessa época, os estudantes coreanos praticamente se enclausuram na universidade. A biblioteca central, com capacidade nas cabines de estudo pra uns mil alunos, fica aberta 24 horas por dia, e para achar vaga tem que chegar cedo e reservar na telinha touchscreen que fica logo na entrada.

E para não perder tempo, o pessoal não sai nem para comer. Eles ligam para um dos panfletos que os restaurantes penduram aqui e pedem a comida - coreana, claro. Mas agora vem o mais interessante: o entregador não traz a comida em embalagens descartáveis! Vem tudo numa caixa, com talheres e pratos de cerâmica, metal, pedra... praticamente nada descartável!

Minha janta de anteontem

Dependendo da quantidade que se pede, a caixa fica pesadíssima! Mas ainda assim eles trazem os pratos de pedra. Praticidade zero. Mas consciência ecológica total! Bom, na verdade eu não sei se os restaurantes coreanos pensam no meio ambiente quando entregam comida nesses pratos e potes não-descartáveis. Acredito que seja algo mais simbólico, pois na Coreia, cada tipo de comida tem seu recipiente específico, e algo diferente seria estranho aos olhos coreanos. Na foto acima, por exemplo, pode-se ver que pedimos três coisas diferentes: à esquerda, no prato branco, temos um omurice (오므라이스), acima um ensopado de tofu (순두부찌개) e à direita bibimpab na pedra (돌솥비빔밥). No meio estão os acompanhamentos, e no potinho de metal, arroz. Com exceção dos acompanhamentos, que geralmente vêm cada um num pote de cerâmica, cada prato está no seu... prato.

Na hora da entrega, já se combina com o entregador onde se vão deixar as coisas depois de comer. Aqui, colocamos numa sacola e deixamos na porta do departamento, pra mais tarde ele ir buscar. E, não, ninguém rouba prato e talher aqui, acho.

Copinho de metal que tem em todo lugar

Outro hábito ambientalmente saudável aqui na Coreia é oferecer, em muitos estabelecimentos, água à vontade, com copos de metal à disposição que ficam geralmente dentro de um "armário esterilizador". No bandejão aqui da universidade, ninguém bebe nada em copo descartável. Só se usam os copinhos acima.

Mas como prova de que o consumismo descartável americano já chegou aqui também, se você pedir qualquer comida tipicamente não-coreana para entrega, ela virá em embalagens descartáveis. Isso vale para pizza, frango frito, refrigerantes, hambúrguer e outras mazelas que entopem nossos vasos (sanguíneos e sanitários).

Espero não viver para ver um bibimpab na pedra ser entregue no papelão.

Você já experimentou tteok-mandu-kuk?

AVISO: Este post contém linguagem imprópria para menores.

Semana passada, um amigo coreano chegou para mim e falou: "Vi uma reportagem sobre o Brasil na TV e aprendi uma expressão em português!". Eu: "Ah, é? Que expressão?". "Tomá no **!". Eu fiquei perplexo. Tentei imaginar por que motivo o sujeito aprenderia tal expressão num programa de TV.

Depois até esqueci do assunto, mas no fim de semana conversamos sobre isso com o Juliano, que parece ter visto o programa, e explicou sobre o que era. É que tem um prato coreano que se chama tteok-mandu-kuk (떡만두국), mas quando se pronuncia rápido, soa exatamente como "tomá no **".

Tteok (떡) é o bolinho de arroz, que inclusive vão comer muito aí no Ano Novo Chinês que está por vir. Mandu (만두) é um tipo de pastelzinho que se vende em todo lugar, cozido ou frito. Eu mesmo sempre como aqui em casa. E kuk (국) significa "sopa". Ou seja: tteok-mandu-kuk é uma "sopa de tteok com mandu". Agora, imagina a confusão que isso não deve dar nos restaurantes coreanos no Brasil?

É sobre isso que o tal programa fala. O Juliano achou o vídeo no Youtube e compartilhou pelo Twitter. Notem como eles repetem e repetem e repetem a expressão sem o menor pudor, já que para eles não faz sentido nenhum.


E você? Já experimentou tteok-mandu-kuk? ^_^

Meu primeiro samgyeopsal nas férias

Enfim, férias! Só esperem que eu não tire férias do blogue também, porque a vontade de ficar longe do computador tá grande. Fiquei traumatizado passando tanto tempo com ele, digitando trabalhos e mais trabalhos...

A boa nova é que logo no primeiro dia de férias já juntamos a turma e fomos para Anmyeondo para "brincar" (no sentido coreano da palavra). Eu já tinha ido lá em junho, mas foi muito legal ver que em estações opostas alguns lugares mudam completamente, então nem fica repetitivo.

Nossa turma em frente à casa onde nos hospedamos em Anmyeondo 



A minha filmadora trabolhilda está de volta à ativa, e espero ter tempo de mostrar muita coisa bacana aqui pra vocês. O lugar em que ficamos era muito tranquilo e bonito, e como nevou bastante ficou melhor ainda. À noite, depois de nevar, o céu se abriu e pela primeira vez vi uma noite estrelada na Coreia como no interiorzão do Brasil. Quem mora em cidade grande sabe como é difícil ver um céu limpo de dia e até as menores estrelas à noite. Essas pequenas coisas recarregam minhas baterias!

Mas hoje eu selecionei um pequeno trecho que gravei para falar sobre a comida coreana. Mais especificamente o sampgyeopsal (삼겹살), o churrasco coreano.

Vou ser sincero. A comida coreana, para mim, não é daquelas que descem fácil logo de cara. Ela tem muitas semelhanças com a comida japonesa, mas, ao contrário da japonesa, que pega bem leve nos temperos, a comida coreana manda ver na pimenta. Um brasileiro que queira viver na Coreia e comer só a comida local tem que ter o estômago muito bom pra comer de tudo, ou então gastar tempo provando e descobrindo os pratos que o agradam.

Com o samgyopsal, no entanto, a coisa geralmente é diferente. É a típica comida que ocidental come aqui sem maiores problemas. Sam (삼) significa três, gyeop (겹) significa dobrasal (살) significa carne. É um tipo de corte da carne do porco que tem três camadas de gordura. O dia 3 de março é também o Dia do Samgyeopsal, só por causa da data (3/3). Mais uma ideia comercial, bem no estilo do Dia do Pepero (11/11).

Uma coisa que eu gosto na comida coreana é que, em geral, ela é tem mais verduras e legumes que a deliciosa comida mineira, por exemplo. Uma típica "comida de domingo" na minha casa em Minas, seria ou lasanha, ou churrasco (carne, carne, carne, carne... e pão-de-queijo!), e talvez um feijão tropeiro. E de sobremesa, doce, claro. Doce-de-leite, doce-de-cidra, goiabada com queijo, doce de figo, arroz-doce, enfim... tem que injetar açúcar na veia!

Parece uma coisa óbvia a equação "sobremesa = doce". Mas não na Coreia. Aqui o conceito de sobremesa praticamente se resume às frutas. Às vezes até alguma "papa" de algum legume pode ser considerada "sobremesa". E no prato principal, enfia-se verdura onde der!

Apesar dos hábitos alimentares dos jovens estarem sendo bem ocidentalizados, considero a alimentação aqui ainda infinitamente mais saudável em alguns aspectos. Na hora da refeição, por exemplo, você não vê ninguém reclamando que não tem refrigerante. Geralmente é um copinho d'água ou uma sopa aguada.

Eu, chocólatra e criado à base de doces mineiros, tenho um paladar que sempre implora por doce depois das refeições. Mas, pensando mais racionalmente, vejo o quanto minha alimentação tem melhorado, afinal de contas, desenvolver um diabetes não está nos meus planos futuros...

Pra vocês que estão daí e podem comer churrasco "de verdade", aqui vai um vídeo da gente fazendo o samgyeopsal. Bom apetite! :)

http://www.youtube.com/watch?v=yWgBMy6hiaM

Feliz Chuseok!

Hoje é feriado na Coreia, o Chuseok (추석). Na verdade o dia do Chuseok mesmo é amanhã, dia 2 de outubro, mas aqui não se trabalha nem no dia antes nem do dia depois desse feriado. Na verdade, a data segue o calendário lunar: dia 15 do mês 8, de modo que em cada ano cai em uma data diferente. E neste ano o pessoal ficou triste porque caiu num sábado. Bom seria cair na quinta, para emendar de quarta a domingo!

Mas afinal, o que é o tal do Chuseok?

Sua origem é incerta, pois já é celebrado desde o Reino Silla (57a.C.-935d.C.). Mas o que dizem por aqui é que o Chuseok começou com as celebrações da Lua da Colheita, quando as famílias se reuniam para venerar seus antepassados e agradecê-los pela fartura do que colheram.

Na Coreia moderna, que deixou de ser um país de pequenos agricultores, a ideia da colheita ficou de lado, mas a reverência aos antepassados permanece forte. Eles se reunem na casa de seus pais, e na manhã do feriado fazem um banquete típico, com muitas frutas e tteoks (떡, ou "bolinhos de arroz"), que neste dia é também chamado de songpyeon (송편). Nessa hora eles relembram seus antepassados - principalmente aqueles que eles conheceram, mas que já se foram, como avós ou bisavós - e prestam-lhes homenagens. Muitos também vão aos túmulos levar flores.


Banquete típico da manhã do Chuseok



Songpyeon, o bolinho de arroz do Chuseok

O interessante é que, para nós, isso pode parecer um "Dia de Finados" católico, que tem sempre um tom muito triste. Mas para os coreanos o clima é mais de reverência e gratidão. Eles até jogam alguns jogos com a família ou fazem danças típicas que variam de acordo com a província.

Feliz Chuseok para todos! 추석 잘 보내세요!

Quando o kimchi não arde mais

Essa é a foto do jantar coreano que meus novos colegas fizeram aqui em casa ontem.

Estou postando isso para divulgar um dado preocupante: o nível de percepção "pimentística" do meu paladar está indo pro beleléu com a comida coreana.

Quando aqui cheguei, não podia nem colocar um miojo coreano na boca: era sair correndo pra cuspir fogo! Kimchi então... foi uma novela. Pra quem não sabe, kimchi é a comida mais comum, barata e popular da Coreia. Eles comem com tudo, e em qualquer refeição. É basicamente um tipo de acelga com muita pimenta.

Ontem, pela primeira vez, não senti o ardor da pimenta ao comer kimchi. E mais: achei o treco gostoso!

Acho que esse foi meu grito de independência... ou de "Socorro! Estou virando coreano!".

Kkultarae, um doce bem coreano

Mais um episódio do nosso fim de semana em Seul. Estávamos andando pelas barracas dos países na Seoul Friendship Fair, quando vimos a barraca da Coreia. Até ri. Pensei: "pra que uma barraca da Coreia se já vivemos aqui cercados delas?". Mas foi bom, porque fiquei conhecendo o kkultarae.

Kkultarae (꿀타래, que na pronúncia tupiniquim é "kultaré"), é um doce coreano tradicional, feito basicamente de mel e malte, com recheios variados. No passado, ele era servido ao rei ou a convidados nobres. Fazer esse doce envolve uma habilidade artesanal que atrai a curiosidade de muitos, porque o objetivo é fazer com que a massa vire 16 mil fios, finos como seda. Acreditava-se que esses fios traziam longevidade, saúde e boa sorte.

O doce é servido gelado, e na minha opinião é uma delícia! Só vale lembrar que "doce" na Coreia não é tão doce quanto "doce" no Brasil. Acho até que se um coreano comer nosso doce-de-leite ou uma bela rapadura, o cara desenvolve um diabetes "tipo fatalíssimo" em 2 minutos, porque seu organismo não está acostumado com tanto açúcar.

Mais uma vez, gravei um vídeo. Ficou meio picado, porque nessa hora a memória da câmera tava acabando.

맛있게 드세요! (Bom apetite!)

Longo compacto das últimas notícias

Finalmente, atualizando o blog decentemente (apesar de tentar ser breve). Manchetes da minha vida coreana nos últimos 30 dias:

NIIED: Resolveu pegar todo mundo de surpresa, e a prova de proficiência em coreano, em vez de ser em julho vai ser dia 28 de março! Ninguém entendeu direito. Dizem que precisam dos resultados para sermos aceitos nas universidades, mas o que já era impossível de se conseguir em apenas um ano (nível 5), agora precisamos, teoricamente, atingir em 6 meses de estudos.

DAEGU: Vou mencionar Daegu de novo por dois motivos: 1) porque eu estive lá dois finais de semana consecutivos, pra calar a boca do Gustavo, que duvidava da minha volta àquelas bandas lá de baixo...=) e 2) porque a Briza reclamou que esperava uma postagem gigantesca contando sobre a viagem. Bom, eu me diverti muito em Daegu, porque estava com uma turma "fantárdiga": Briza, Gustavo, Cláudia, e ainda conheci a turca Emek e o finlandês Alex (ou Alecsi, algo do tipo). Fizemos em Daegu o que se faz na Coreia toda: fomos ao Noraebang e cantamos até secar a goela! Chegamos em casa tarde pra chuchu e ainda acordamos cedo no dia seguinte para ir para a próxima manchete...

BUSAN: O esquema de ir para Busan foi excelente. Não vou dar detalhes num blog público como este, mas garanto que a aventura nos trens da Coreia dão muitas emoções! Para mais detalhes, entre no blog do Gustavo e poste uma pergunta, até porque o blog dele tá sofrendo com o baixo índice de audiência. Ajudem a mantê-lo no ar! =P

Chegando em Busan encontramos uma coreana que o Gustavo (de novo) conheceu pela internet, e a bichinha estuda português. A coitada ficou de guia turístico pra gente o dia todo. Fomos à praia Haeunde e à ponte de Busan, que por sinal é uma maravilha. Na praia eu fiquei admirando o sossego. Bom, para ser honesto, a palavra "sossego" é alvo de contradições na Coreia. Porque às vezes sinto muita tranquilidade aqui por alguns motivos, dentre: segurança, a discrição e o silêncio das pessoas e a cultura introspectiva do país. Mas o sossego some quando a gente se depara com: música pop coreana, centenas de placas de neon piscando à noite e multidões andando pra todo lado (imagine só uma população que é apenas 1/4 da do Brasil em uma área que é 1/3 da do estado de São Paulo!).

Mas voltando à praia Haeunde: o sossego foi por causa do dia perfeito. A temperatura estava em torno de 16 graus, o que, no inverno foi uma dádiva! Para se ter ideia da nossa sorte, no dia seguinte já despencou pro zero grau de novo. Então se viam algumas pessoas se divertindo, meninas correndo com suas amiguinhas (tem hora que menina coreana parece lésbica, porque anda só de braço dado com as amigas e não desgrudam um segundo), e a criançada solta, brincando na areia. E ainda demos comida no bico das gaivotas, que passavam voando e pegavam na mão da gente. Muito bacana!

A bacanice deu uma moderada na hora de jantar, que foi quando uma amiga da coreana ofereceu o restaurante da mãe dela para comermos de graça! Todo mundo topou, afinal de graça... já viu né. Mas eu estava varado de fome, e só serviram frutos do mar. O primeiro prato já "abriu" meu apetite: tentáculos de lula, que tinham acabado de ser cortados e, portanto, ainda se debatiam para sobreviver. A Briza e o Gustavo, que comem até capim se deixar, mandaram ver na lula, que ainda se mexia dentro da boca deles. O Gustavo come tudo porque diz que não pode deixar sobrar nada, mas no fundo é porque ele é o maior pão-duro da paróquia e não perde uma boca livre! hahaha. Já a Briza, eu sei lá... vai ver ela passou tempos difíceis quando morou na África. Eu fiquei só admirando. Minha experiência no oriente tem alguns limites. Já me adaptei MUITO à comida coreana, mas moluscos que ainda se mexem... vai me desculpar, não desce.

A volta para Daegu e depois para Cheongju foi muito tranquila. Aprendi o esquema de andar de trem pela Coreia e andei explorando as estações perto de Cheongju. De agora em diante, como bom mineiro que sou, só vou pegar esse trem, uai!

YOGA: Minha memória se apagou sobre o que aconteceu entre Busan e a semana passada, então vamos à última nova. Uma amiga da Agatha chamou ela para fazer uma aula experimental de yoga e eu fui junto. A experiência foi maravilhosa, mas como eu não tinha dinheiro para continuar, deixaram eu fazer durante as duas últimas semanas de fevereiro de graça. Já tenho sentido os benefícios para as minhas costas e meu preparo físico. Junto com a natação e minhas tapeadas na academia do dormitório, meu corpo agradece. Já fazia tempo que minhas mãos não conseguiam encostar nos meus pés com as pernas esticadas, e agora tá moleza. Meu calcanhar conheceu meu umbigo pela primeira vez na vida, e algumas outras partes do meu corpo estão sendo apresentadas também. Os professores são super gente fina, e o bom é que não falam inglês, então somos obrigados a nos virar com nosso coreano. Outra vantagem é que tem muito mais mulher do que homem na aula! =)

Hoje fomos à aula de yoga de novo e logo em seguida o professor juntou todo mundo pra brincar com argila e beber chá verde. Aquele lugar, que se chama You & Me Yoga (com o "you" escrito em inglês, o "me" em chinês e o "yoga" em coreano), foi um presente de Deus. Tanto eu quanto a Agatha estamos superfelizes em ter encontrado um lugar tão tranquilo e ainda poder cuidar da nossa saúde.

Fico por aqui com as últimas notícias. Beijo pra todo mundo!

PS: Não deu outra. Com a última postagem contendo tantas palavras de nudez e afins, os tarados de plantão estão despencando por aqui! o.O