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brincadeiras coreanas

Sadari tagi

Num grupo de várias pessoas, o que você faz nestas situações?

  • Sobrou uma garrafa de vinho numa festa, e só uma pessoa vai levar para casa.
  • Terminaram de comer na casa de alguém, mas só duas pessoas vão lavar as louças.
  • Alguém oferece apenas dois ingressos de cinema para um grupo de cinco amigos.
  • Numa sala de aula o professor quer definir duplas de maneira isenta, mas divertida.
  • Cinco amigos querem jantar juntos, mas cada um quer ir a um restaurante diferente.
  • Num campeonato de pingue-pongue, precisam definir oito duplas para jogar.

Enfim, qualquer situação em que se deva fazer escolhas. Que recurso usamos no Brasil? Acho que quando é para escolher só uma pessoa, tem o esquema dos palitinhos. Na minha infância também usamos muito a famosa "adedanha" (você usam esse nome também?). Mas quando é escolha de duplas ou de um número específico de pessoas ou coisas, não conheço nenhum jogo popular no Brasil que usamos para decidir.

Na Coreia, quando a disputa é entre poucos, tudo se resolve no kawi-bawi-bo (pedra-papel-tesoura). Mas no meio de muita gente, todos fazem o sadari tagi (사다리 타기), ou "desce-escada". As situações que citei no início foram algumas que presenciei aqui na Coreia, nas quais meus amigos (ou professores) resolveram tudo num rápido sadari tagi.

Funciona assim: no caso de decidir quem lava as louças (entre cinco pessoas), você escreve os cinco nomes na parte de cima de uma folha e, embaixo, três opções "não lava" e duas "lava". Desenha uma linha vertical ligando cada nome a um item e depois faz quantos degraus quiser em cada escada. Vira tipo um labirinto, onde você vira em cada esquina.

Confuso? Olha só um vídeo que achei na internet. A coreana do vídeo queria escolher a quem dar um prêmio, por isso escreveu os nomes em cima e várias opções "perde" (꽝) e uma opção "ganha" (당첨!) embaixo.


E é impressionante como eles gostam de usar esse método aqui. Já vi algumas escolhas até agitadíssimas, com torcida e tudo! :)

Ttong-chim

Lembro-me como se tivesse sido ontem quando um coreano me contou sobre o ttong-chim. Não pude acreditar. Não quis acreditar! Mas depois, no inverno congelante de Gapyeong, um brasileiro chamado Juca (nome fictício, para proteger a identidade da fonte), contou-me sobre a primeira vez em que um ttong-chim japonês o pegou em cheio. Depois disso, andei pela Coreia com medo do ttong-chim. Minha paz acabou. Tive pesadelos com ele. Acordava suando... "ufa! foi só um sonho..."

Os que já sabem o que é o ttong-chim (똥침) devem estar achando que estou fazendo drama por nada. Mas os que vão descobrir agora, provavelmente ficarão tão assustados quanto eu nos meus primeiros meses aqui. (Ou não, dependendo das brincadeiras que fazem - ou fizeram - com seus amiguinhos...) :P

Vamos lá: ttong (똥) significa cocô (m*rd* também, mas cocô é mais bonitinho). E chim (침) significa agulha. Ou seja: ttong-chim é uma agulha de cocô. É uma das brincadeiras mais comuns entre as crianças coreanas. O moleque junta as mãos e põe os indicadores pra frente, como um revólver. Essa é a "agulha". Depois procura um amiguinho para "alfinetar". Se pegá-lo desprevinido, melhor: os dedinhos (com unhas por cortar) invadem o reto da vítima e voltam com aquele cheirinho da vitória.

Não, não é mentira. Quisera Deus que fosse! Basta ir a qualquer escola primária da Coreia e observar as brincadeiras das crianças. Se ficar na posição em que Napoleão perdeu a guerra, já era!

Graças a Deus ainda não me pegaram em cheio no ttong-chim. Meu sistema de defesa bundal foi mais rápido. Mas tem que tomar cuidado com os moleques, principalmente se você é professor de coreaninhos até uns 12 anos. Conheço professores de inglês aqui que já foram "ttong-chimados" por darem muita liberdade às crianças. Ouvi falar também de casos que foram parar na TV: crianças que levaram uma ttong-chimada tão forte que tiveram seus ânus rasgados. E aí? Dá pena de morte pra um moleque de 8 anos por estuprar seus coleguinhas com o dedo?

Tentando me ajudar, o Gustavo me deu uma camiseta da Babo Shirts com um símbolo de "proibido fazer ttong-chim". Usei-a em público umas duas ou três vezes, só para constatar o efeito inverso: o cara que nem lembrava que ttong-chim existia vinha fazer gracinha pra me encher. De dedo.

Abaixo vai um vídeo dos alunos do English Camp onde eu estava trabalhando. Pedi para uma menina mostrar como se faz o ttong-chim. Pelo jeito, os coreanos gostam muito de fazer sopa de tteok com mandu para os outros... (leia este post se você não entendeu a piada).


Veja também algumas fotos que peguei na internet:

Desde pequenos eles já aprendem. O coitado nem pode tomar água tranquilo!
E cuidado ao tirar fotos!
Esse tá no jeito.
E esta é uma estátua em Jeju-do (se não me engano).
A menininha descontou pra vítima.

Baguncinha coreana depois da janta

Na Coreia, as noitadas começam sempre com um jantar e podem terminar em: soju, noraebang (karaokê), brincadeiras ou todas as alternativas anteriores. Quando se trata de uma viagem da universidade, da empresa ou algum evento num hotel em outra cidade, é praticamente certo que a noite após o jantar seja beeeem longa.

Aqui já participei de pelo menos umas cinco viagens nas quais contrataram um "animador" bem no estilo apresentador de TV coreano, cuja missão é destravar o pessoal e fazer o maior número de pessoas presentes pagarem micos. O nível das brincadeiras variam entre ultra-infantis e X-rated. Portanto, tudo pode acontecer. TUDO. Principalmente se tais brincadeiras forem antecedidas por muito soju. Aí, meus amigos, sai de baixo. Já presenciei, por exemplo, um professor que se embebedou e saiu beijando os outros professores (homens!) e alguns alunos (homens!) na boca. Ele não é gay (porque não existe coreano gay, só moderno), tem até mulher e filhos, mas depois de uns sojus decidiu que beijar outros homens na boca fazia parte da brincadeira. (Caso estejam se perguntando: não, ele não me molestou. Consegui escapar!)

No entanto, quando o pessoal maneira na bebida e as brincadeiras não passam dos limites, dá pra se divertir e rir bastante. Semana passada participei de uma conferência em Busan com vários estudantes coreanos e estrangeiros, e após um longo e cansativo dia, terminamos com um jantar e... brincadeiras, claro!

Apesar de ser tudo muito parecido com o que eu já tinha visto antes, dessa vez teve uma brincadeira que eu não conhecia e que foi simplesmente hilária. Os escolhidos para participar tinham que gritar "ma" para a pessoa ao lado, e quem errasse ou deixasse a voz enfraquecer, saía da disputa. O vídeo abaixo mostra como foi a gritaria, com as únicas duas estrangeiras sendo minhas queridas amigas brasileiras Agatha (a carioca) e Briza (a mineira que chegou nas "quartas de final" da gritaria).


Além disso rola muita dança, porque coreano só dança em festa se estiver sob pressão. Para minha surpresa, teve um casal coreano que mandou muito bem. Bom, pelo menos eles mexeram o corpo de verdade! Rebolaram mais que muito brasileiro no carnaval! Notem que no vídeo eu estou atrás batendo palminha, aguardando minha vez.


Mas se vocês acharam que eu postaria o vídeo da minha dança, esqueçam. E acreditem: vocês não gostariam de me ver dançando. E eu preciso manter um mínimo de respeito neste blogue, senão ninguém me leva a sério mais.

Jogos para beber soju

Como o blogue Blackout Korea mostra bem, a Coreia do Sul é um país em que os "rituais" da bebida são bem fortes e fazem parte da cultura. Eu já disse aqui antes como é importante saber as regras quando se bebe com alguém mais velho ou alguma autoridade. Tem que segurar o copo com as duas mãos, virar para o lado na hora da golada, enfim, essas coisas coreanas. E rejeitar um copo de soju de um professor ou superior no seu trabalho é um grande absurdo!

Entre amigos, no entanto, a coisa é um pouco diferente. Bebe-se tanto quanto os mais velhos, mas sem muita "nove horas". E para descontrair, jogam-se muitos jogos para decidir quem toma a golada da vez. Acredito que jogos do tipo existam em todo país onde se bebe muito, mas aqui parece ser particularmente mais popular. Principalmente quando se tem na turma pessoas que não gostam ou não têm costume de beber muito, os jogos são uma chance de se ver tal pessoa mais "alegrinha" com uns copos de soju.

Abaixo tem um vídeo que gravei quando brincava com meus amigos. A lista de jogos parece ser infinita, mas decidi gravar alguns para compartilhar com vocês. Caso queiram aprender a jogá-los, vou tentar explicar as regras, apesar de ser sempre difícil explicar regra de jogo sem jogar. Quem fala um pouco de coreano pode entender melhor pelo vídeo.

"Baskin Robins 31"
Para quem não sabe, Baskin Robins é uma rede de sorveterias que está em todo lugar na Coreia. E uma propaganda famosa, na qual divulgavam 31 sabores de sorvetes, acabou gerando a brincadeira. É bem fácil: numa roda, seguindo a ordem, cada um diz 1, 2 ou 3 números, começando do 1. Quem cair no 31 tem que beber. Geralmente os últimos é que têm o poder de escolha e decidem quem bebe na rodada. A musiquinha no ínicio diz, em inglês, "Baskin Robins thirty-one"♪.

"Frying Pan Game" (후라이팬 놀이)
Não tem frigideira nenhuma na brincadeira, é só um nome ilustrativo. É um jogo que exige atenção e coordenação motora. A musiquinha no início diz "ting-ting-ting-ting / teng-teng-teng-teng / ting-ting / teng-teng / huraipen nori" (띵띵띵띵 / 뗑뗑뗑뗑 / 띵띵 / 뗑뗑 / 후라이팬 놀이♬).

Basicamente segue um ritmo de quatro batidas (como no vídeo) no qual alguém diz nas duas últimas batidas o nome de outra pessoa e um número de 1 a 4. Esse número decide quantas vezes a pessoa tem que dizer o próprio nome, no ritmo das batidas. Por exemplo, se disserem "João Três", o João tem que dizer logo em seguida "João, João, João" nas três últimas batidas e logo em seguida colocar alguém na frigideira: "Zé Quatro"... "Zé, Zé, Zé, Zé". Quem errar, claro, bebe soju.

"Bunny-Bunny Game" (바니바니 당근당근 게임)
Bunny, em inglês, signfica "coelhinho". Já ouvi um papo aqui na Coreia de que eles falam de um tal coelho na lua. Não sei se é o formato das crateras que dão essa impressão ou se é só uma lenda conhecida. Mas acho que esse jogo tem a ver com a história. É que a musiquinha que inicia o jogo diz o seguinte: "Palavras do coelho que desceu..." (토끼 내려온 하는 말♬). E eu perguntei "desceu de onde?" e me falaram "do céu, ora!"

Depois é só alguém começar dizendo "bunny-bunny" para si, e em seguida "bunny-bunny" para alguém. Esse alguém tem que responder com o mesmo "bunny-bunny" e escolher outra pessoa. Quem estiver do lado do escolhido tem que dizer "danggeun-danggeun" (cenoura-cenoura) ao mesmo tempo. Tudo isso com os devidos gestos. Nesse jogo dá pra mais de uma pessoa errar, então mais gente bebe.

"Corrida de Cavalos" (경마 게임)
Este jogo é bem simples, mas tem que ficar atento o tempo todo. A musiquinha de início diz "Esse é um que gostamos muito: Corrida de Cavalos!" (어떤 많이 좋아하는 경마 게임!♬). Depois é só fazer uma rodada estabelecendo os número: "Número 1, número 2, número 3...". O "cavalo" número 1 começa chamando outro cavalo, dizendo "número 1, número 7" e o 7 responde para quem quiser: "número 7, número 3". Quem errar ou demorar, bebe.

"Jogo do Bobo" (바보 게임)
Esse não tem nada de mais, e até bobo mesmo. Mas confesso que dá pra confundir a cabeça se você não se concentrar. Tudo o que você tem que fazer é dizer um número (de 0 a 10) e mostrar outro número com a mão para a pessoa ao lado. A pessoa tem que dizer o número que você mostrou e mostrar outro diferente. Se você disser e mostrar o mesmo número, erra. E quem erra... bebe!


Vamos brincar?

Amados leitores e leitoras, é verdade. Ando meio sumido. Postagens como a última são só para não abandonar o blogue, porque de uns dias pra cá a coisa tá preta! Estamos na época das provas de meio de semestre, e a coreanada se enclausura nas bibliotecas para estudar. Para se ter ideia, as bibliotecas da universidade ficam abertas 24 horas e não são poucos que viram a noite por lá. Meus amigos coreanos, pelo menos, pegam mais leve um pouco. Dividimos os assuntos de algumas matérias e ajudamos uns aos outros a entender e revisar.

Mas para arejar a cuca, no último fim de semana tive muitas boas surpresas. No sábado, Briza, Gustavo, Juliano, Eun Bee e Giovanna fizeram um "parabéns" pra mim, com bolo e tudo, já que no dia 12 foi meu aniversário. Não tenho as fotos ainda, porque a fotógrafa Gi não me enviou - ela também virou escrava da semana de provas. Então aqui vai meu obrigado aos queridos amigos que se lembraram de mim! êêêêê! ^o^ (Isso inclui a Agatha, que apesar não estar tão perto mais, me ligou e cantou o parabéns da Xuxa INTEIRO, o que me matou de rir!).

Recebi também visita dos meus amigos coreanos, quando fiz comida brasileira e todo mundo adorou, claro... Também "brincamos" muito! Vale até uma explicação: em coreano, o verbo que significa "brincar" é usado por todo mundo o tempo todo. Sujeito com 30 anos nas costas chega pra você e fala "vamos brincar?". No início eu achava estranho, mas para eles é normal. Mesmo que você não faça nenhuma brincadeira, qualquer coisa que não seja estudo ou trabalho já é "brincar" (놀다)!  Se você vai sair com alguns amigos, alguém vai te dizer "brinque bem!" (잘 놀아!) ou "brinque divertidamente!" (재미있게 놀다와!).


E muitas das vezes a gente brinca mesmo, literalmente. Marmanjo aqui faz brincadeira pra beber, brincadeira pra ver se consegue dar um beijinho (na bochecha!) da menina (Caiu no Poço?), ou só para se divertir mesmo. Aqui em casa fizemos uma brincadeira interessante, que se chama "Zero" (제로). Meio difícil explicar as regras, mas vou tentar.

Numa roda, todos colocam as mãos fechadas, como na foto. Cada um diz um número, de zero até o dobro de pessoas na brincadeira. No exato momento em que a pessoa diz o número, todos levantam um, dois ou nenhum dedão. Se a soma dos dedos for o número exato que a pessoa falou, ela tem direito a "espancar" cada um, dando o mesmo número de "petelecos" (ou "tapa com dois dedos no braço"). No final sai todo mundo com o braço vermelho, de tanto apanhar. O problema é que quem apanha quer continuar jogando para ter a chance de descontar as porradas que levou! Se você for rápido, disser "zero" e ninguém levantar os dedos, você tem direito a bater em cada um o número máximo de vezes! o.O


Voltando ao meu aniversário, essa mesma turma me fez uma bela surpresa segunda-feira, dia 12. Me chamaram para almoçar, como qualquer outro dia, mas nem imaginei que fariam uma festa para mim.

Para comprovar que coreano não tem preconceito com cor-de-rosa, eles me deram um bolo rosinha, com vários "coraçõesinhos" em diferentes tons de rosa. E para ficar tudo rosa, um dos presentes que me deram foi um moletom... rosa! :D

Bom, eu não tinha costume de usar roupa rosa antes de vir pra Coreia, mas aqui estou entrando na moda. E sendo presente, menos problema ainda. Mas tive que ouvir comentários idiotinhas de outros estrangeiros no dia seguinte, quando usei o moletom para mostrar aos meus amigos coreanos que fiquei feliz com a surpresa. Uma finlandesa não parou de fazer piadas na frente dos coreanos. Ji Young ficou me olhando com cara de "não tô entendendo", e eu deixei quieto.

Só espero não ganhar calças "skinny" ou os chapeuzinhos coreanos. Esses, eu ainda me recuso a usar! ^^ AINDA...


Eu, Ji Young, Sun Joo, Jin Soon (metade da cabeça), Won Seok (Marcelo), Ji Young (Yoo), Ga Young, Joon Hee e Hyeok Jin. Desde que me mudei para Suwon, essa tem sido minha turma de todo dia.