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Natal

Patinando, comendo e pegando o bondinho de Namsan

Patinando, comendo e pegando o bondinho de Namsan

Esse foi meu oitavo Natal pós-mudança para a Coreia, em 2008, mas se contarmos os Natais que eu passei na Coreia mesmo, esse foi o quinto. É uma época do ano confusa para estrangeiros ocidentais, porque o calendário te diz que é hora de dar aquela parada, de estar com a família, de dar mais sorrisos que de costume aos vizinhos, de tentar ser muito gente boa pelo menos nessa época do ano.

Mas aqui, o Natal é apenas mais um feriado religioso pra minoria cristã do país, ou mais um feriado meramente comercial pro restante da população. Tá, o Natal já é mais comercial que qualquer coisa no mundo todo, mas aqui eu arriscaria dizer que tá quase no nível do Pepero Day (tirando o fato de que o Pepero Day não é vermelho na folhinha). No dia 24 à noite os casais de namorados procuram um lugarzinho romântico pra sair e trocar presentes e comer um bolo. Sim, um bolo. Nada de ceia com a família, panetone, comilança à meia-noite.

Por isso chamei um casal de amigos brasileiros, a Leila e o Vinícius, para fazer algo diferente (pelo menos para eles, que se mudaram para cá esse ano): patinar no gelo. A prefeitura de Seul abre uma pista de patinação bem em frente ao prédio deles, e custa míseros mil wons (mais ou menos 3 reais) para patinar durante uma hora. Se não tiver patins, pode alugar por mais milzinho. O problema é que esquecemos de fazer a reserva pela internet, chegamos e pegamos uma fila enorme, e quando chegamos no guichê tinha ingresso só pra depois de 7 horas...

Hora de ativar o plano B: fomos andando da prefeitura até Myeongdong, onde almoçamos e em seguida pegamos o bondinho para a Torre de Seul (ou Torre de Namsan). É o tipo de trajeto que hoje em dia só faço com turistas ou recém-chegados à Coreia, mas que é sempre bom, pra dar aquela renovada no espírito de viajante. O chato de fazer tudo isso no dia do Natal é que as ruas ficams todas lotadas, com fila pra tudo, então ficamos só ao pé da torre mesmo, porque a fila pra subir no observatório estava quilométrica.

No final, montei esse vídeo pra registrar o momento. Preciso de mais ânimo pra gravar coisas corriqueiras e postar por aqui. O resultado final sempre me deixa feliz, especialmente quando assisto depois de alguns anos, mas não é fácil sacar a câmera e depois não deixar os arquivos juntarem poeira. Quem sabe agora com o blogue de cara nova?

Feliz Natal atrasado para todos os leitores! :)

Imagens dos últimos dias

Época de Natal na Coreia não tem aquele climão que toma conta de todo mundo como nos países ocidentais. Já contei aqui antes que, como não é um país tradicionalmente cristão, a Coreia basicamente importou alguns elementos seculares do Natal celebrado no ocidente e fez do feriado basicamente mais um dia dos namorados. Sim. Aqui ninguém se preocupa em estar com a família no Natal, pois é época dos casais saírem pra comemorar. Caramba, haja feriado pros namorados: é um dia só DELE ganhar presente, outro dia só DELA ganhar presente, Ppeppero Day pra dar chocolate e Natal pra dar mais presente!

Café com leite da Paris Baguette

Ah, e tem o bolo. No Natal aqui tem que comprar bolo pra comer de casalzinho

Eu, tentando patinar no gelo

Custa só mil wons perto da prefeitura
Mas, claro, não podia deixar de celebrar à la brasileira. Pelo segundo ano consecutivo tivemos uma ceia  excelente na casa da Selma e do Renato, que mais uma vez aderiram à Campanha da Fraternidade coreana e acolheram os brasileiros perdidos por aqui - literalmente, pois a galera dormiu lá. Faltou mais gente, mas também tivemos recém-chegados na turma pra animar
Esse foi meu presente de amigo oculto, comprado pelo Gustavo :)

E tem também alguns vídeos que gravei aqui perto da minha nova casa na última semana, como este, com uma bandinha tocando nas ruelas de Daehangno. Contratados pela Paris Baguette, que competia com o piu-piu da Tous Les Jours que abriu logo em frente.


E, para finalizar, um que gravei agora há pouco numa rua aqui perto. Nevou essa semana e, se não removerem a neve ou não jogarem sal antes dos carros passarem, ela fica compactada de tal forma que vira uma pista de patinação. Resultado: festival de tombos! Eu mesmo levei um tombo outro dia que meu cóccix nunca mais vai esquecer. Qualquer hora ainda pego minha filmadora e deixo o dia todo num tripé nesses pontos críticos. Por enquanto vai só esse videozinho de agorinha.

A superstição do sapato

Estou precisando comprar uns sapatos novos. Os meus, além de estarem ótimos pra patinar na neve de tão lisos, estão também com aquela cara de cachorro pulguento e cansado. Aí o que eu faço? Dou umas indiretas na namorada. "Natal tá aí, né... Papai Noel bem que podia me dar uns sapatos novos..." Como às vezes ela não capta minhas ironias ou "mensagens subliminares" tem que ser indireta bem direta: "Não aguento mais esse par de sapato velho!"

Mas ela, nada. Quando eu já ia deixar pra lá, dar um de que não liga pra presente, ela me pergunta:

"Então... você precisa de sapatos novos, né?"
"É, vou na loja qualquer hora ver se compro um par novo..." (João-sem-braço total)
"Pois é. Eu posso até te dar um par de presente de Natal... mas..."

Foi então que lembrei. Na Coreia tem um ditado popular que diz que "se você der sapato para a(o) sua(seu) namorada(o), ela(e) vai fugir pra sempre." E o povo aqui leva essa superstição tão a sério, que ninguém dá sapato de presente pra ninguém. Cada um que compre o seu.

"Sobrei. Vou ter que realmente comprar meu sapato", pensei.

Mas ela continuou:

"Eu não vou te dar o sapato. Mas posso te dar um vale-compras de uma loja, e você gasta como quiser. Se escolher sapato, a culpa não é minha."

Rá! Isso rendeu boas risadas e umas zoadinhas com as superstições coreanas. Só que ela nega ser supersticiosa. Ela só não abusa. É como a famosa manga com leite no Brasil, que, segundo a lenda, mata. E ainda que todo mundo esclarecido hoje em dia diga que isso é uma grande bobagem, você não vê ninguém, nem quem adora manga, tomando uma vitamina de manga com leite no café da manhã todo dia. Matar não mata, mas não é bom abusar.

Andong, Natal e Reveillon

Uma atualizadinha de vez em quando é bão, né? Primeira postagem de 2010! Feliz Ano Novo pra todo mundo que tá de prosa na Coreia comigo: minha família, meus amigos, e meus fieis leitores. Muita paz para todos!


Agora vamos às notícias, porque esta postagem não pretende ser nenhum debate pesquisado acerca de um assunto, mas só um diário de bordo.


Andong


A viagem do NIIED para Andong (especificamente com bolsistas que estudam na Kyung Hee) foi diferente do que eu esperava. Para mim, seria apenas um roteiro turístico numa cidade histórica. Mas acabamos ficando "internados" num instituto de cultura tradicional coreana, aprendendo sobre o dia-a-dia e os costumes da turma de olhos puxados há séculos atrás.


Teve muita coisa interessante e algumas coisas chatas (no sentido entediante da palavra). Entramos em casebres antigos, imitamos rituais de reverência, mas também tivemos que conhecer túmulos dos ancestrais coreanos, incluindo o carinha da nota de mil wons. Fala sério né? Conhecer túmulo, a menos que seja um belo de um túmulo, é programa de índio. Prefiro conhecer o que o cara fez, e não onde os seus restos mortais descansam e eu nem posso ver (porque se fosse uma múmia, ou algo do tipo, já seria mais interessante). Até brinquei com uma guia que contava as histórias: "Se você fosse ao Brasil, o que gostaria de visitar?", e ela respondeu "As praias, florestas, cachoeiras, as belezas naturais..." "Ah é? Pois então. Se você for ao Brasil comigo, vou te levar ao túmulo do Tancredo Neves, beleza?". Ela deu uma risadinha sem graça e continuou no roteiro.



Nossa turma reverenciando o carinha da nota de mil. Os túmulos aqui são assim: uma pelota na terra.

Eu, vestido de hanbok, roupa tradicional coreana.

Só tava tentando ajudar o ajoshi na roça...

Aprendemos a fazer máscaras, um costume típico de Andong.

Natal brasileiro

De Andong fui direto pra casa do Renato e da Selma, onde encontramos a brasileirada para comemorar o Natal decentemente. Agatha e Briza, as metidas, deram o bolo na gente e não apareceram. Mas foi muito bom: ceia deliciosa, "inimigo oculto", e muita prosa boa. De quebra, alguns folgados (como eu) ainda passaram a noite por lá, com direito a ronco de 6 graus na escala Richter! :P Só tenho a agradecer muito aos nossos anfitriões, que têm dado uns tapas na saudade do Brasil em datas especiais.

A turma toda no Natal. Bem que tentamos fazer o Renato sentar no lugar da Rebeca, pra ficar com cara de foto patriarcal.

Aí no Brasil ninguém comeu nada disso no Natal né?



O presentinho que a Eun Bee ganhou no "inimigo oculto".


Ano Novo

Essa virada foi um pouco diferente pra mim. É que há alguns dias me ligaram da KBS (canal de TV coreano), convidando para fazer uma pequena reportagem, por causa do PCNB (o esquema lá que deu o prêmio para o blogue, por divulgar a Coreia no exterior). Perguntaram se eu poderia gravar no dia 31, e eu disse que sim. Mas eu imaginava que seria algo rápido. Algumas perguntinhas, imagens, e pronto.

Que nada! Passei o dia inteiro com um câmera na minha cola! Ainda bem que pude compartilhar o papparazzo com Gustavo, Juliano (os dois), Carol e Eun Bee. O cara me levou a vários lugares de Seul (restaurantes, templos budistas, videntes, etc) para eu fingir que estava gravando vídeos para postar no blogue. É mole? Bom, acabei gravando alguma coisa mesmo, mas assim não tem muita graça. Topei mesmo para guardar a participação na TV como lembrança (e porque fiz tudo de graça). Vai passar amanhã no programa 생방송 오늘 (Live Today) na KBS 2TV, e provavelmente vão editar o dia todo em uns 4 minutos.

Eu e um "sábio coreano". O cara leu a minha mão, fez duzentos cálculos e disse que vou me casar em 2012. Interessante é que perguntei pro câmera (solteiro) se ele já tinha feito a tal consulta. Ele disse que sim: "Era pra eu ter me casado no ano passado".

Carol e Juliano (os mais novos brasileiros a se aventurarem por aqui), o Juliano de sempre e eu. A Eun Bee ficou com frescura pra tirar foto. Nunca passei tanto frio na minha vida (sensação térmica de -20!). Reveillon congelante!

Abaixo segue um vídeo que gravei em alguns momentos antes, durante e depois da virada. Foi um pouco decepcionante, porque não teve queima de fogos. Uma coreana me disse que foi proibida a queima de fogos no centro de Seul, por considerarem perigoso! :P Ficamos só nos balõezinhos, nos mini-foguinhos que o pessoal levou e na batida do sino em Jongga, que tocam para trazer boa sorte para o ano que se inicia.


http://www.youtube.com/watch?v=apuo7hxkJgA

E vocês, onde passaram o Réveillon?