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Kim Jong-Il

Primeira foto oficial de Kim Jong-un (o herdeiro de Kim Jong-il) publicada

Kim Jong-il está com pressa de fazer o que seu pai, Kim Il-sung, fez com ele há mais de 30 anos. Kim Il-sung, o fundador da Coreia do Norte com um modelo de comunismo diferente da China e da União Soviética, nomeou Kim Jong-il general do exército nos anos 70. Para ele, ter a autoridade sobre o exército garantiria a legitimidade da transição de poder quando fosse necessária.

Além disso, Kim Il-sung aos poucos eliminou toda oposição política dentro do PT norte-coreano (노동당) para abrir caminho para seu filho Kim Jong-il assumir o poder.

Kim Il-sung, o que criou a ideologia "Juche", que difere a Coreia do Norte de outros modelos comunistas
Kim Jong-il, quando era jovem

Kim Jong-il, que anda com cara de doente e pode ter tido um derrame no ano passado, está com pressa de fazer o mesmo com seu filho caçula. A diferença é que a transição do primeiro Kim para o segundo demorou mais de 20 anos. Kim Il-sung morreu em 1994, mas Kim Jong-il não virou presidente logo em seguida. Kim Il-sung recebeu o título de "Presidente Eterno", uma espécie de beatificação, típica do modelo de culto à autoridade na Coreia do Norte.

Durante 3 anos, Kim Jong-il ficou como "líder provisório" e em 1997 virou um tipo de "Primeiro Ministro" (do Presidente Eterno, seu pai). Mas na prática e internacionalmente ele é o presidente da Coreia do Norte.

Acredito que, apesar do que aconteceu no leste europeu todo, a transição não culminou no colapso do regime norte-coreano por dois motivos principais: 1) Kim Il-sung se tornou um deus que salvou a Coreia do Norte do domínio imperialista americano e 2) Kim Jong-il ficou 20 anos sendo "abençoado" por esse deus em público.

A pergunta é: será que Kim Jong-il tem cacife pra fazer o mesmo com o caçula Kim Jong-un que tem apenas 27 anos? O primeiro passo ele já tomou na terça-feira (dia 28): nomeou-o general do exército, cargo importantíssimo num regime totalmente dependente do poderio militar.

Kim Jong-un à esquerda, um outro oficial importante no meio, e seu pai, o playboy comunista Kim Jong-il à direita

Mas duas coisas pesam contra: 1) Kim Jong-il não é deus, mas apenas filho do deus Kim Il-sung; será que ser neto desse deus é o suficiente? 2) Se as pragas ocidentais pegarem em Kim Jong-il (ao contrário do que aconteceu com Fidel Castro) e ele morrer logo, será que um moleque que não tem experiência política nenhuma vai ter respaldo do partido para governar o país?

Eu, particularmente, duvido de um colapso do regime todo. Mas acredito ser possível um golpe das elites norte-coreanas para manter seus privilégios. Principalmente porque há rumores de que Kim Jong-un seja "cabeça aberta demais" pra eles. Ele estudou na Suíça, fala inglês, alemão, e poderia levar o país a uma abertura nos moldes chineses, o que seria bom para o povo norte-coreano e o mundo. Só não seria bom para a elite deles.

É esperar e ver no que vai dar.

Reunião do Partido dos Trabalhadores norte-coreano, que aconteceu no dia 28 de setembro. Uma reunião desse porte não acontecia há quase 40 anos na Coreia do Norte.

Será a Segunda Guerra da Coreia?


Então a mídia internacional tá prevendo guerra por aqui... de novo? Eu já falei e vou repetir. Os sul-coreanos já estão tão vacinados contra qualquer alarme da mídia que ninguém liga mais pra nada. Sério, pergunte a qualquer coreano que viva na Coreia do Sul. Nem tchum!

Tenho a impressão que eles se mobilizariam só se o presidente fosse em rede nacional, olhasse pra lente da verdade e dissesse: "pessoal, estoquem muito miojo e kimchi e não saiam de casa, porque agora a guerra vai começar." Mas o máximo que a gente ouve é: "se as provocações continuarem, algo poderá acontecer!" Fala sério né. Imagina um povo ouvindo a mesma ladainha durante quase 60 anos? Tem dó.

Mas o que tem de diferente dessa vez? Vamos relembrar os fatos recentes:

Março: Uma explosão afundou o navio sul-coreano, Cheonan, que patrulhava o mar próximo da Coreia do Norte, matando 46 tripulantes e paralisando o país em choque. Não se sabia ao certo o motivo da explosão, por isso não podiam fazer acusações diretas.

Abril: Investigações começaram e suspeitas de que a Coreia do Norte teria afundado o Cheonan cresciam. Kim Jong-il, no entanto, só dizia que não tinha nada com isso.

Maio: Conclusão das investigações. Encontraram um torpedo no fundo do mar com caracteres em hangeul. Informaram oficialmente que não havia outra explicação que não fosse a Coreia do Norte a culpada. O anúncio levou a Coreia do Sul a suspender o comércio com a Coreia do Norte, o que já é uma sanção unilateral que faz um bom estrago na já pobre economia norte-coreana. Os EUA deram total apoio à ação e juntos já estão movendo os pauzinhos para aprovarem mais sanções no Conselho de Segurança da ONU. Em reação, a Coreia do Norte decidiu cortar não só o comércio, mas também toda e qualquer relação com a Coreia do Sul, retornando ao patamar da Guerra Fria.

A guerra psicológica voltou. O Sul já colocou alto-falantes na fronteira acusando o regime stalinista de Kim Jong-il de perverso e vai soltar balões para o Norte jogando panfletos para informar o povo norte-coreano que eles estão sendo enganados.

Os treinamentos militares conjuntos dos EUA e Coreia do Sul foram retomados próximos da fronteira, e o Norte só avisa: "ai de vocês se chegarem mais perto!"

No entanto, tem alguns fatos que me deixaram com a pulga atrás da orelha e me fazem desconfiar mais da Coreia do Sul do que da do Norte neste caso. Pensa comigo.

1. Por que é que a Coreia do Norte afundaria um navio sul-coreano e negaria a autoria? Se era pra ameaçar, teriam que mostrar a cara, não?

2. Apesar das investigações (que foram feitas apenas por aliados da Coreia do Sul), o próprio comandante da Marinha sul-coreana disse que não tem tanta certeza de que o torpedo seja norte-coreano. E outra: disse que seus radares não detectaram nenhum movimento estranho no Norte e muito menos um torpedo. Submarinos geralmente não são detectáveis, mas torpedos normalmente o são.

3. A Coreia do Norte jurou de pés juntos que não fez nada. E em uma atitude inédita, ofereceu seus técnicos para participarem de uma segunda investigação conjunta, para eles verem de perto as tais "provas incontestáveis". O que a Coreia do Sul respondeu? Nada. Já foi logo cortando o comércio.

Eu não sou advogado de regimes autoritários, muito menos de um stalinista pirado feito o Kim Jong-il. Mas as peças não se encaixam. A Coreia do Sul não deu ao Norte a chance de se explicar, nem de ver com os próprios olhos as tais provas (que nem o comandante da Marinha sul-coreana acreditou!).

Sempre acusam Kim Jong-il de usar o medo com seu povo para manter o regime. "Eu protejo vocês dos invasores que querem destruir nosso país!" Mas, desta vez, quem é que está usando o mesmo truque? Lee Myung-bak (o tio que eu conheci na Casa Azul) está com a popularidade no chão. Qualquer passo em falso e é perigoso o cara sofrer um impeachment. Mas não se ele estiver "protegendo" o seu povo!

Um político de direita ultraconservadora e que tem tomado medidas antidemocráticas (como reprimir protestos), e que agora age sem ouvir o que os outros têm a dizer. Me parece que a península coreana é governada por dois ditadores malucos. Mas não se podia esperar algo muito diferente de um cara como Lee Myung-bak. Pra mim, a maior decepção é Obama, que prometeu diálogos ao vento, e não soube lidar nem com o Irã nem com a Coreia do Norte.

Se mandarem o Lula pra fechar um acordo de paz na Coreia, é perigoso o Obama jogar uma bomba no dia seguinte. Só pra melar.

Documentário sobre a Coreia do Norte

Para quem entende inglês, aqui vai um mini-documentário-informal sobre a Coreia do Norte que andam divulgando pela internet. O cara que o fez se chama Shane Smith, estadunidense, que conseguiu entrar na Coreia do Norte indo pela China no ano passado. Ele deu uma grana alta para os oficiais do consulado norte-coreano na China e planejaram um "tour" na terra do Kim Jong-il. Surpreendentemente, deixaram ele gravar muita coisa com uma câmera pequena.

Minha opinião: esse vídeo é muito bom para se ter uma ideia de como são as coisas no nosso vizinho do norte, mas ainda está muito longe de mostrar a realidade do povão. O tal do Shane me pareceu bem ignorante e idiotado em alguns momentos. Não soube separar bem o que é característica da cultura coreana como um todo do que é coisa do regime comunista. Acredito que os poucos ocidentais que conseguem entrar lá deveriam levar uma mensagem mais humilde e de reconciliação, e não só "vocês são um bando de malucos!" (apesar de que são mesmo).

Bom, assistam aí e tirem suas conclusões. É um pouco longo, mas vale a pena ver até o final.



Morre Kim Dae-Jung, ex-presidente da Coreia do Sul

Agora é que a Coreia vai chorar mesmo. As duas Coreias nunca se aproximaram tanto de uma reconciliação como no governo de Kim Dae Jung. Confiram a notícia pelo G1:

"O ex-presidente da Coreia do Sul e Prêmio Nobel da Paz Kim Dae-jung, de 85 anos, morreu nesta terça-feira (18) em um hospital de Seul, vítima de um problema cardíaco derivado de uma pneumonia, informou a agência de notícias local "Yonhap".


Kim foi presidente entre 1998 e 2003, anos em que impulsionou uma política de reconciliação com a Coreia do Norte. Essa liderança lhe rendeu o Nobel da Paz em 2000, mesmo ano da histórica reunião com o ditador norte-coreano, Kim Jong-Il.


O ex-presidente era muito respeitado pela classe política sul-coreana por seu histórico de luta pela democracia em um país que viveu uma ditadura até meados dos anos 1980, período em que foi torturado, condenado à morte e exilado.


O político sul-coreano foi o primeiro presidente a chegar ao poder desde a oposição progressista, já com mais de 70 anos, após passar duas décadas preso pela ditadura.


Kim foi hospitalizado recentemente devido a uma pneumonia, e foi visitado nos últimos tempos pelo atual presidente, Lee Myung-Bak, e pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, além de ter recebido uma homenagem de Kim Jong-Il por ocasião do aniversário da primeira reunião entre líderes das duas Coreias.


Kim Dae-Jung se reuniu com o ditador norte-coreano para assinar um acordo histórico em 2000, que favoreceu a reconciliação nacional, a diminuição das tensões militares e a cooperação econômica, além de ter aberto as portas para o reencontro de famílias separadas à força pela Guerra da Coreia (1950-53).


Seu sucessor, Roh Moo-Hyun, continuou a política de aproximação com a Coreia do Norte, que rendeu vários projetos bilaterais de cooperação econômica, até sua saída do poder em 2007.


Roh se suicidou em maio deste ano por um escândalo judicial, o que desencadeou grandes atos de luto em todo o país, o que deve se repetir agora com a morte de Kim."

Bill Clinton mostra como é que se faz

Link para o vídeo aqui

Apesar de ser muito lembrado pelo caso Lewinsky, admiro muito o Bill Clinton e acredito que ele seja um dos políticos norte-americanos que mais sabe negociar. Lembro-me de quando fiz intercâmbio na Universidade do Texas, em Austin, e uma das matérias que peguei era na área de Ciências Cognitivas. Estudávamos como a língua influencia a maneira de pensar, e vice-versa. E para verificar o poder da retórica, um dos modelos que investigamos foi nada menos que o próprio Bill Clinton.

E por quê? Clinton, ao contrário de Bush (os dois), tem uma personalidade um tanto quanto estável, o que já ajuda muito na hora de improvisar. Mas o que o torna um negociador e diplomata de primeira linha é seu conhecimento de mundo e das partes em jogo. Todo presidente tem uma assessoria enorme que o ajuda nos discursos, no que se pode ou não falar. Mas os políticos não vivem de discursos preparados, e é no tête-à-tête que se vê a diferença.

Anteontem, o Bill Clinton, que nem presidente é mais, deu um show de diplomacia. Fez o Kim Jong-Il posar para as câmeras e sorrir feliz, até porque conseguiu o que queria - atenção. Ele entrou no país mais fechado do mundo e convenceu o ditador norte-coreano a cancelar o que já estava decidido - as duas jornalistas americanas estavam condenadas a 12 anos de trabalhos forçados.

Não sou político, mas na medida do possível tento ser otimista e esperançoso. E espero que o Obama siga esse exemplo, quebre os paradigmas e enterre os fantasmas da Guerra Fria de uma vez por todas. Para superar 8 anos muito bem "embushados", Obama vai precisar de muito mais carisma e humildade. Para fazer o mundo confiar que os Estados Unidos não têm mais a cara do imperialismo, e que querem parcerias de igual para igual. Missão difícil essa. "O pepino do Obama é muito maior que o meu", disse Lula...

Tenho esperança também de que eu veja a reunificação das Coreias. E se eu ainda estiver morando na Coreia do Sul, melhor ainda. Vista de camarote!

Mas se eu conseguir ver uma abertura da Coreia do Norte, ainda que no nível de Cuba, já me alegraria muito. Esse pessoal da Terra da Manhã Tranquila tá precisando aprender um pouco com o comunismo latino-americano, que é duro, implacável, mas dá suas reboladinhas. O mundo está mudando. Torçamos que seja para melhor.