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K-pop

K-pop Norte-Coreano?

Ultimamente tenho falado tanto da Coreia do Norte que tem gente perguntando o porquê. Ora, a prosa é na Coreia - o que inclui a do norte e a do sul. Mas acima de tudo, porque, ao contrário da maioria dos sul-coreanos jovens, eu me interesso pelo que se passa por lá, e passo horas lendo sobre e tentando imaginar o que pode mudar aqui na península nos próximos anos (ou décadas).


Conjeturas à parte, a cada momento em que o mundo descobre uma coisinha mínima sobre aquele país tão fechado causa espanto. Como a questão da maconha, no post anterior. E como a questão da música popular norte-coreana: o k-pop do Norte. Ou talvez o "NK-pop". Alguns amigos coreanos (e a leitora Vanessa) me mandaram um vídeo com um grupo feminino norte-coreano que dizem ser o equivalente ao Girls' Generation de lá. E aqui vai o tal vídeo com as belezuras acima do paralelo 38 da península:


O grupo se chama Yeoshin (여신), que, traduzido, seria "Deusas". Ele foi lançado no primeiro semestre de 2012 com um único objetivo: animar o exército norte-coreano. Isso fica claro na letra da música, extremamente nacionalista. Para quem não sabe, as menininhas do Girls' Generation também já rebolaram muito para o exército sul-coreano, por isso a comparação faz sentido.

O estilo, no entanto, é bem... norte-coreano. As músicas têm elementos antigos, que parecem mais os trotes sul-coreanos dos anos 70. E o figurino também não é dos mais reveladores, em nome da moral e dos bons costumes, mas com certeza muito mais ousado do que a média no país. Porém, em um quesito não dá para comparar: as norte-coreanas são muito superiores no que diz respeito seu talento com os instrumentos musicais. Não é um mero playback, como na maioria dos grupinhos aqui do Sul. A mulherada sabe mesmo tocar violino, violoncelo, guitarra, bateria, enfim, tem mais substância musical. As vozes não variam muito por causa do estilo, mas quanto a isso não há o que se fazer.

Agora, para quem acha que esse grupinho é uma revolução feminina norte-coreana, muito se engana. Desde os anos 80 já havia um grupo chamado "Wangjaesan Light Music Band" (왕재산 경음악단), formado por mulheres dançarinas que faziam apresentações muito bem coreografadas, com um quê de mágica no meio. Inclusive, dizem que a atual esposa de Kim Jong-un foi integrante desse grupo. Aí vai um vídeo delas:


Ainda descubro como é que elas terminam com um vestido maior do que começaram...

Um outro vídeo, que gravou a TV de um hotel em Pyongyang, mostra como é a música pop dos norte-coreanos. Realmente, um grupo de mulheres que realmente tocam todos os instrumentos é algo que a TV sul-coreana não mostra com frequência. Aliás, apesar de todas as mazelas do comunismo, um mérito há que se reconhecer: eles estão à frente na igualdade de gêneros. Na Coreia do Norte, as mulheres também prestam o serviço militar e não são cheias de frescuras como as japonesas e as sul-coreanas. Logo depois da retirada dos japoneses, os norte-coreanos aprovaram a Lei de Igualdade de Gêneros que dava direitos iguais às mulheres, e as favorecia na posse de terras. O fato de uma mulher ter sido eleita aqui no Sul não significa que no geral elas tenham resolvido o problema da desigualdade de oportunidades. Mas aqui estou eu divagando e falando de política outra vez...

Encerro com o tal vídeo da TV norte-coreana:

Ká-Pópi

Vamos jogar o joguinho dos sete(centos) erros? Então assistam à reportagem do programa Leitura Dinâmica (da RedeTV!) sobre música coreana. O cuidado com que o texto do programa foi escrito foi tão grande que dispensa meus comentários. Até porque o Renato já deu uma geral no blogue dele.

Trouble, trouble, trouble...

Com exceção aos fins de semana, tenho vivido confinado no campus da universidade ultimamente. E tem uma rádio aqui, que se pode ouvir pelas várias caixas de som escondidas nas árvores, que toca as maravilhas do k-pop 24 horas por dia, 7 dias por semana, 31 dias por mês (inclusive fevereiro), 366 dias por ano (inclusive anos não-bisextos).

E a pérola k-popística deste ano que repetem sem parar, tipo as "músicas carnaval do ano xxxx" no Brasil, é a tal da "Hoot", das menininhas do grupo "Geração das Raparigas" (versão português de Portugal). E por que é que eu tenho que escutar isso todo dia, e ninguém compartilha do meu sofrimento? Então fica aí o clipe. Assista-o de hora em hora e seja solidário a mim.


E tem uma análise técnica do vídeo-clipe, feita pelo casalzinho colorido do Eat Your Kimchi. Vê aí.

O papa é pop. A Coreia é K-pop!

Esta postagem é para os milhões de leitores que já me enviaram e-mail pedindo para eu publicar algo sobre K-pop (para quem não sabe, K-pop é a música pop coreana, que toca em tudo quanto é canto deste país).

Vou explicar o porquê de eu ainda não ter falado quase nada sobre o assunto aqui no blogue.

Primeiro, porque eu nunca fui fã apaixonado de música pop de lugar nenhum do planeta. E como pop eu me refiro a este estilo musical que mistura uma barulheira feita por um computador e uma performance dançarinística feita pelo suposto cantor ou grupo de cantores. Não me refiro ao pop que originalmente significava popular, mas acabou mudando o sentido. Até porque ouço MPB, que ao pé da letra seria o pop brasileiro, mas acabou ficando menos pop que funk.

Eita, que popaiada!

Segundo, porque eu não sei muito sobre o K-pop além do que ouço tocando nos quatro cantos da Coreia ou vejo na TV de vez em quando. Não procuro baixar a ficha dos artistas e descobrir tudo sobre a carreira deles, porque tenho muita preguiça da falta de qualidade e variedade musical que assola este país, devido ao poder aquisitivo das megagravadoras pop que dominam o mercado coreano e decidem o que eles devem ouvir.

No entanto, contudo, porém, todavia...

Eu sei de uma coisa: ouvir e cantar músicas em uma língua estrangeira ajuda muito no seu aprendizado. Por este motivo, tenho me esforçado em aprender algumas músicas que estão na moda ou que eu ache engraçadas, como os "trotes" dos ajoshis, até mesmo para me divertir com os coreanos no noraebang (karaokê).

Penso também que K-pop e outros pops asiáticos, ainda que não sejam bem elaborados como o pop de Michael Jackson, por exemplo, são divertidos para se dançar e fazer uma farra de vez em quando. O que eu fico abismado de ver é a coreanada no ônibus ou no metrô ouvindo o MP3 com aquela barulheira de K-pop tocando no ouvindo o tempo todo! Raramente - ou nunca - ouvem uma música com instrumentos reais e com letras um pouquinho mais criativas. E quando vão a um show pop, o pessoal não dança: eles ficam balançando a mão, gritando ou "apreciando" a música. Para mim, isso é comparável ao cara que vai a um baile funk no Rio para apreciar a beleza musical ou observar a maravilhosa performance dos artistas.

Isto dito, deixa eu relaxar um bocado.


Pra vocês verem que não sou tão chato assim, há duas semanas fui ao Asia Song Festival em Seul com o Gustavo e Briza, e lá ainda encontramos outros amigos latinos. Era um festival pop asiático, com bandas de todo canto da Ásia. Só não entendi por que tinha também uma cantora ucraniana... (?).

Como era de graça e, como já disse, de graça pra mim tudo é diversão, lá fomos nós ver de qual era. Gravei algumas cenas para vocês terem uma ideia de como foi. Observem o que eu disse: além dos estrangeiros, ninguém dança; só chacoalham um bastãozinho luminoso, um pompom ou uma bexiga (que nem no "Xou da Xuxa"). E as meninas gritam. MUITO!

Degustem o vídeo! ^_^


http://www.youtube.com/watch?v=heqV2RlH9Vw