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Brasil

Eu na KBS TV e três países com bola na bandeira

Falta de tempo. Final de semestre tem que matar um leão por dia. Fica aqui então mais um vídeo que esqueci de postar antes. Foi uma breve participação minha na KBS TV no início de novembro, na qual eles falam sobre três países que têm círculos na bandeira: Brasil, Japão e Coreia do Sul. Se bem que a Coreia do Norte também tem um círculo em volta da estrela... mas enfim.

Sem querer dar um de metido a estrela de TV, já tô me cansando desse negócio de aparecer na telinha aqui. Tomaram umas duas horas do meu dia (cheio de coisa pra fazer), nem me pagaram um kimpabzinho, me esforcei com meu coreano meia-boca pra falar um monte de coisa interessante sobre as várias culturas do Brasil que não fosse carnaval, samba e índio da Amazônia, aí no final eles cortam tudo, colocam só as partes óbvias e reforçam o estereótipo.

E ainda vem a japinha logo em seguida e me humilha na fluência em coreano... :)

Coreano gosta de brasileiro?

As pessoas ainda me perguntam se sou discriminado por algum motivo na Coreia. Já contei aqui no blogue antes, há quase um ano, um caso de um ajoshi que me discriminou porque achou que eu fosse iraniano. E eu com minhas origens desconhecidas, ainda não tinha refletido sobre "cara de quê" eu tenho, a não ser que exista "cara de mineiro"... (bom, meu nome me leva a crer que meus tataravós vieram de um Portugal provavelmente bem mouranizado, de modo que o ajoshi foi um cretino racista, mas não deve ter errado tanto assim no cálculo das origens dos meus genes).

Mas fiquem tranquilos, porque o episódio da discriminação esdrúxula não se repetiu depois, e minha vida seguiu feliz pela Coreia (do Sul, por favor! o próximo que me perguntar se "é a do Norte ou a do Sul" vai ter o comentário apagado, pra aprender a dar uma passadinha na Wikipédia de vez em quando só pra ter uma noção básica do mundo).

Pois então, apesar de não ser discriminado abertamente, ninguém fica distribuindo sorrisos pra mim, a não ser que eu esteja num restaurante ou qualquer outro lugar onde eu vá deixar algum dinheiro. Aí sorriem até dizer chega! Tirando isso, na rua, no metrô, no ônibus, enfim, em lugares públicos, ninguém tá nem aí pra mim (em Seul, porque em Cheongju era diferente). Os coreanos evitam conversas com estranhos, contato olho a olho e até mesmo se sentar ao meu lado no ônibus (coincidentemente, o lugar ao meu lado é SEMPRE o último a ser tomado).

Até que tudo mudou na minha vida sul-coreana de uma semana pra cá. Com a Copa do Mundo, comprei umas camisetas com a estampa "Brazil" para torcer pela nossa seleção. Estava com preguiça de ir lááá em Namdaemun pra comprar uma imitação da seleção mesmo, por isso me contentei com essas camisetas descartáveis de "dez real" (válidas para somente uma Copa).

Com direito ao detalhe na manga! Brasil-sil-sil...

Resultado: agora sempre que saio nas ruas com a identificação de origem na embalagem, a reação dos coreanos comigo mudou da água para o vinho. O número de olhares, sorrisos e cumprimentos espontâneos aumentou 364% (DataHenrique Junho/2010). Hoje mesmo aconteceu algo inédito para mim aqui na Coreia: estranhos sorrindo pra mim e puxando conversa em todo canto! E também conheci alguns brasileiros na rua que também se disfarçam de iranianos. Um cara veio andando pro meu lado olhando pra mim eu já pensei logo "é homem-bomba!", até que ele perguntou: "brasileiro?!" ^^

Mas por que a diferença no comportamento? Tenho algumas hipóteses:

1. Os coreanos, em geral, gostam dos brasileiros. Não todos, claro. O perfil do coreano que tem uma profunda simpatia pelo Brasil é jovem, e a maioria são homens que gostam de futebol ou mulheres que gostam de dançar.

2. Há pouquíssimos brasileiros na Coreia do Sul. Ao contrário do Japão, por exemplo, que deve estar de saco cheio dos mais de 500.000 brazucas por lá, aqui na Coreia nós somos apenas cerca de 400. Isso mesmo: quatrocentos!

3. Eles conhecem muito poucos pontos negativos do Brasil. Se você perguntar para um coreano qualquer na rua o que ele sabe sobre o Brasil, ele vai dizer o de sempre: futebol, carnaval, samba e Amazônia (apesar de que a última tem um documentário na TV daqui mostrando a realidade).

Dito isso, o Brasil é uma lenda por aqui. Conheço jovens coreanos que estudam português porque dizem que querem viver no Brasil o resto da vida. Acreditam que a vida lá é mais tranquila, com menos pressão, e que "o amor acontece com mais facilidade..." (essa vale para os coreanos supertímidos, que não são poucos). Muitos nunca foram ao Brasil, não sabem o que é ter que fechar a janela do carro só porque parou no sinal, e não fazem ideia de como os salários são baixos. Alguns já visitaram o Brasil, foram às mais belas praias e cidades e viveram um conto de fadas de um mês, e são convictos de que o Brasil é o paraíso (claro, viajando com a graninha do papai tudo fica bonito). Mas conheço também alguns poucos que conhecem a fundo a realidade brasileira, e ainda assim (e talvez exatamente por isso) se apaixonaram para sempre. Tenho um amigo coreano que participou de um programa de voluntariado durante 4 meses no sertão da Bahia, passou fome um dia porque os mantimentos da equipe dele não chegaram no dia previsto, viu um outro voluntário coreano pegar dengue e conheceu nosso maravilhoso SUS. E ainda diz que quer voltar.

Com essa turma aficionada pelo nosso Brasilzão, de hoje em diante só vou andar fantasiado de brasileiro pela Coreia!^^ É simpatia na certa!

Bom, nem tão certa... Há também o oposto: coreanos que conhecem alguns brasileiros muito bem e por algum motivo não se dão bem, o que os leva a generalizarem e não se simpatizarem muito com nosso país. Hoje mesmo conheci uma coreana assim. Ela trabalha com vários brasileiros numa empresa em Seul, e já está de saco cheio deles. "Qual o motivo?", eu perguntei. A resposta: "Eles são excessivamente alegres enquanto trabalham!" Essa foi boa! Tá parecendo o Patch Adams, que quase perdeu o direito de exercer a Medicina por "excesso de felicidade." E ela continuou explicando: "Você vai me desculpar, mas os brasileiros só levam as coisas na brincadeira! Nunca fazem nada sério!" Eu, hein. Mas como eu não conheço os colegas de trabalho dela (que podem realmente ser umas pestes insuportáveis), não vou ficar aqui defendendo ninguém. Essa história foi só para dizer que não são todos os coreanos que vão morrer de amores por vocês, queridos compatriotas, por mais narigudos e zoiúdos que vocês sejam.

O bottom line deste post é: se vierem à Coreia, identifiquem-se como brasileiros para fazerem amigos coreanos (que gostam de brasileiros) com mais facilidade. Principalmente se você tem cara de iraniano, como eu.

Copa do Mundo: Brasil x Coreia do Norte no Roofers, em Itaewon!

O primeiro jogo do Brasil na Copa está chegando, e a ansiedade de quem mora no exterior vai aumentando. Afinal, onde assistir? Esperar 4 anos pra assistir pela internet já estava fora de questão! Mas o horário do jogo pra quem mora aqui na Coreia não ajuda nem um pouco: quarta-feira às 3:30 da madrugada! Fala sério, fuso horário! Na Copa de 2002 (Coreia e Japão) eu já tive que ficar acordado de madrugada várias vezes. Agora que vim pra cá tenho que repetir a dose?! Sacanagem...

Bom, mas aqui vai meu recado para os brasileiros que se encontram em terras sul-coreanas: decidi assistir ao jogo num bar em Itaewon. Confira os detalhes abaixo:


Brasil x Coreia do Norte
Local: Roofers (Itaewon)
Horário: 3:30am (quarta, dia 16)

O Roofers tem dois ambientes: um do lado de dentro e outro no "telhado", do lado de fora, com um telão de 110" em cada. E a maior vantagem: ninguém vai precisar mandar um CALA BOCA GALVÃO! :)

Como chegar lá: Saia pela saída 3 da estação de Itaewon e vire à direita, em direção ao Foreign Food Market. Veja o mapa abaixo:


 Espero ver a brasileirada lá pra conferir a goleada! Meu palpite? Brasil 5 x 1 Coreia do Norte

Brasil-sil-sil-sil!

O melhor jogador da Coreia do Norte

Ontem, depois de uma prova animal, sentei no sofá da sala dos estudantes e liguei a TV. Passava uma reportagem sobre a Coreia do Norte e a Copa do Mundo. Tudo em coreano, claro.

Bom, nem tudo...

O repórter entrevistou Jong Tae-se, o melhor jogador da seleção norte-coreana, e qual não foi minha surpresa quando ele respondeu a uma pergunta em... português! Isso mesmo: português! E mais: com um sotaque brasileiro, do tipo que dá pra acreditar que o cara seja tupiniquim.

Ahn? Como assim? Por que é que um cara que vive no país mais fechado do planeta aprenderia português brasileiro? E como é que ele fala tão bem, já que, imagino eu, não deve ter brasileiro nenhum acima do paralelo 38 da península coreana.

A história é a seguinte. Jong Tae-se não é norte-coreano 100% original. Ele é filho de sul-coreanos, mas nasceu e foi criado no Japão, em Nagoya, e morava num bairro de brasileiros. Aprendeu português com os amigos brasileiros, e é provável que tenha aprendido a jogar bola com eles também.

Peraí. Como é que um japonês, filho de sul-coreanos, é jogador na seleção da Coreia do Norte? Simples. Tem uma universidade no Japão que se chama Korea University, que não tem nada a ver com a Korea University aqui da Coreia do Sul, e foi fundada por norte-coreanos. Ela inclusive é mantida pelo governo da Coreia do Norte, e totalmente de graça para norte-coreanos que estudem no Japão. Pois então: a mãe de Jong Tae-se fez uns malabarismos para provar que tinha família na Coreia do Norte, e que apesar de ter nascido na Coreia do Sul, ela se sentia mais norte-coreana.

Jong Tae-se se formou e começou a jogar profissionalmente no time japonês Kawakasi Frontale, onde ganhou destaque da mídia. Como não tem "sangue japonês", dificilmente conseguiria se naturalizar para chegar à seleção japonesa algum dia. Sua opção seria vir pra Coreia do Sul, onde o mercado já anda meio competitivo. Ou... jogar tudo para o alto e tentar a cidadania norte-coreana. Foi o que ele fez (e conseguiu, claro). Olha só os gols que ele marcou no amistoso contra a Grécia no último dia 25.

Nas entrevistas, Jong Tae-se evita falar de política, mas disse que sentiu uma "simpatia" pelo regime comunista da Coreia do Norte, por isso desistiu da sua cidadania sul-coreana.

Ele cresceu com brasileiros e fala português, mas esperamos que as semelhanças parem por aí. Faltam 6 dias para o jogo Brasil x Coreia do Norte. Hwaiting, Bradjil!