Jovens sul-coreanos que recusam o serviço militar

Eu me lembro bem de quando me alistei no serviço militar no Brasil, aos 18 anos. Morando no interior de Minas, a opção era apenas o "Tiro de Guerra", que para mim não tinha apelo nenhum. Nem se fosse um exército "de verdade" teria algum apelo, mas o fato é que consegui escapar dessa perda de tempo -- para mim, claro. Respeito e admiro os que servem com gosto, trabalham na seguranças das fronteiras, em ajuda humanitária e em missões multilaterais internacionais. Mas não era para mim, e o pequeno contingente brasileiro, relativo à população do Brasil, me ajudou a pular fora dessa.


Agora, imagine um jovem sul-coreano que também não queira prestar o serviço militar. Aqui, colega, não tem desculpa. Óbvio, casos extremos de problemas de saúde dispensam o sujeito, mas em regra, ninguém escapa desse destino. O tempo de serviço já foi de três anos, caiu para dois, e no momento me parece que, somando tudo dá um pouco menos de dois anos (porque tem umas férias no meio). Só que no vizinho do Norte o período de serviço é de DEZ anos, por isso conseguem ter um dos maiores exércitos do mundo, em número de tropas.

Porém, o que me dá pena ao ver a meninada aqui partindo para essa aventura, é que isso geralmente acontece não antes, nem depois, da faculdade, mas no meio. Isso mesmo. Eles entram na universidade, fazem um ou dois semestres, trancam, param a vida por dois anos, e depois voltam, totalmente diferentes. Mais maduros, talvez. Mais fortinhos, com certeza, porque antes de servirem, a maioria é magra feito Olívia Palito.
Soldados sul-coreanos treinando durante o inverno
Nesse final de ano me partiu o coração ver alguns dos meus melhores alunos dizer "até daqui a dois anos, professor!". Eles estavam estudando português muito yolshimi (pra caramba!), empolgados com o curso, curtindo a vida universitária com as namoradas, e de repente o Tio Sam sul-coreano (Tio Park?) convoca os caras. Quando voltam, muitos precisam refazer algumas matérias, porque já perderam o ritmo.

E... se o rapaz se recusar a servir? Bom, todo ano cerca de mil jovens sul-coreanos vão contra o sistema, por motivos religiosos, filosóficos ou qualquer outra coisa, e não prestam o serviço militar. A consequência é ficar com a ficha queimada pelo resto da vida, taxado de covarde, e ainda permanecer preso durante o período em que deveria servir.

Essa é parte do (alto) preço que a Coreia do Sul paga pelo seu desenvolvimento e estabilidade econômica. Gerações militarizadas de tal forma, e com um inimigo tão próximo, que é difícil para um brasileiro entender. E esse aspecto é melhor que nunca entendamos mesmo.

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Abaixo, um vídeo da Al Jazeera (desculpa, em inglês) sobre os jovens que não prestam o serviço militar na Coreia do Sul:

Lição 11: Dinheiro


Essa aula é de certa forma uma continuação às aulas sobre os números coreanos. Isso porque a moeda sul-coreana -- o won (원) -- tem muitos zeros, provavelmente pela inflação acumulada ao longo dos anos, sem o corte de zeros que aconteceu no Brasil no final dos anos 80. A menor nota, portanto, é a de 1 mil wons (천원). Abaixo dela temos as moedas de 10 wons, que não vale quase nada, de 50, 100 e 500. Acima da nota de mil, temos as notas de 5 mil, 10 mil e 50 mil.

Quando me mudei para a Coreia, em 2008, a nota mais alta era a de 10 mil. Era super inconveniente, porque a gente tinha que andar com um bolo de notas na mão quando precisasse pagar uma quantia alta. A explicação que me deram na época foi que o rosto estampado na nota de 10 mil era do rei mais fodástico que o país já teve: o Grande Rei Sejong. E por isso não poderia haver ninguém acima dele.

As notas de won, a moeda sul-coreana
No final, acabaram quebrando o tabu e lançaram a nota de 50 mil, com a figura de uma mulher, a Shin Saimdang, que foi uma grande poeta, escritora e artista coreana. A imagem pode parecer uma revolução feminista no país, mas a justificativa do governo logo desmente: ela foi escolhida por ser um exemplo de "boa esposa e mãe".

Mas voltando ao que interessa, os números. Falar altos valores em coreano pode ser difícil no início por um único motivo: a lógica coreana de contagem considera 4 casas decimais, e não 3. Por exemplo, na maioria das línguas ocidentais, como o português e inglês, nós mudamos o "nome" do número a cada 3 casas -- mil, milhão, bilhão, trilhão. Qualquer coisa entre mil e milhão vai ser "alguma coisa + mil", como 50 mil, 500 mil. Mas no coreano, a base da contagem não é mil, mas 10 mil (man). Portanto, 100 mil não é 100 vezes mil, mas sim "10 man", ou seja, 10 vezes 10 mil. Um milhão é 100 man, e assim por diante. O man é a base da contagem acima de 10 mil. É difícil no início, mas com o tempo o cérebro se acostuma, pode confiar ;)

A história de um soldado coreano que eu não conheci no Timor

Às vezes nos deparamos com aquelas coincidências da vida, que não têm nenhum impacto direto no nosso próprio curso, mas nos faz parar para pensar no sentido dessa coisa toda. Já aconteceu com você? Acontece comigo com uma certa frequência. Amigos meus, pessoas de mundos completamente opostos, que de repente descubro que são também amigos entre si (o Facebook taí pra contar pra gente), desconhecidos que tomaram rumos paralelos na minha vida, e de repente a tangenciam, rimos das coincidências (como é que não nos trombamos antes?) e depois cada um segue para lados diferentes do planeta. Tenho um monte de histórias dessas.



Mas hoje eu fiquei emocionado por "conhecer" uma pessoa que, na verdade, eu nunca conheci. Foi assim. Em 2011 abri um hiato na minha vida coreana e fui me aventurar no Timor-Leste, trabalhando por alguns meses na UNDP de lá. Um dia me enviaram para um trabalho de campo de uma semana no distrito mais distante, um enclave na parte oeste da ilha, chamado Oecusse. Era tudo muito diferente de Díli: quase não se encontrava quem falasse português, e mesmo tétum, a língua mais falada do país. Mas enquanto fazia meu trabalho, saí para conhecer um pouco do distrito. E para minha surpresa, no primeiro dia me deparei com um monumento numa praça, em homenagem a soldados coreanos que haviam morrido ali perto, em 2003. Eles faziam parte do contingente da primeira Missão de Paz da ONU no país, que ajudou a garantir o processo de independência da Indonésia.
Praça em Oecusse. Foto que tirei em 2011.
Monumento em homenagem aos cinco soldados sul-coreanos que morreram lá
Chumobi (추모비): "Pedra Memorial"
Agradecimento aos cinco soldados
Em 2012 eu ainda estava no Timor, mas desta vez, trabalhando na própria missão da ONU (UNMIT). E um certo dia, quando andava com seis colegas portugueses e meu cachorro Ipiranga à margem de um rio de Ainaro, eis que uma tromba d'água cai na nascente e, pegos de surpresa, fomos quase arrastamos pela correnteza do rio, que subiu uns três metros em poucos segundos. Conseguimos subir pelos barrancos, mas alguns dos colegas chegaram a ficar imersos na água, e só sobreviveram porque se agarraram em árvores no meio do rio. O Ipiranga foi levado pela água, e sem dúvida foi um dos momentos mais dramáticos que já vivi.
O rio tranquilo que vimos se transformar em segundos
Pois bem, quando contei a história aos policiais da ONU, todos se lembraram do que aconteceu com os cinco coreanos que morreram em Oecusse. Eles foram arrastados pelo mesmo fenômeno: a avalanche de águas os acertou em cheio enquanto atravessavam um rio de carro. Fiquei com a imagem do monumento dos coreanos na cabeça, pensando que o mesmo poderia ter acontecido comigo.

Terminada a missão no Timor-Leste, agora trabalho como professor na Hankuk University of Foreign Studies, no campus de Yongin, na Coreia. E hoje, andando pelo campus, que fica no meio das montanhas, longe da cidade, encontro um pequeno memorial em homenagem a um dos coreanos que morreu no Timor. Seu nome era Choi Hee (최희), e ele era aluno do departamento onde leciono. Enquanto fazia o serviço militar obrigatório, decidiu se candidatar para a missão no Timor, porque já falava um pouco de português e queria colocar a língua em prática enquanto tinha uma experiência diferente, num país que estava renascendo das cinzas, como foi o caso da Coreia um dia. Conversei com alguns estudantes que conheciam sua história, e descobri blogues de amigos do rapaz que morreu com apenas 24 anos. E o mais bonito: uma estudante me contou que os pais de Choi Hee decidiram usar o dinheiro da poupança que ele tinha, com o seguro de vida que receberam, para doar bolsas de estudo para alunos do mesmo departamento onde seu filho estudava. Em vez de amargura e revolta, eles optaram por ajudar os sonhos de outros jovens a florescerem, já que seu próprio filho se foi tão cedo.
Memorial ao estudante Choi Hee no campus da HUFS de Yongin
Hoje eu senti que conhecia Choi Hee, como se fosse um amigo que fiz no Timor, e reencontrei aqui, mas em tempos paralelos. E agora a história dele, por algum motivo, não sai da minha cabeça. E talvez pelo mesmo motivo estranho, me dá mais vontade ajudar a quem precisa, em vez de ter medo da vida. Afinal, lembrando as palavras do Oscar Niemeyer, num documentário, "a vida é um sopro".

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Ah, e quanto ao Ipiranga, que tinha sido arrastado pelas águas correnteza abaixo... este apareceu na porta de casa, a 15km dali, uma semana depois! :)
Ipiranga passeando pelas ruas de Ainaro, Timor-Leste 
Grande Ipy, fiel companheiro de aventuras!

Pergunte a um norte-coreano: "O que os norte-coreanos pensam sobre os sul-coreanos?"

O site NK News tem uma seção chamada "Ask a North Korean" (Pergunte a um Norte-Coreano), na qual desertores norte-coreanos que conseguiram chegar à Coreia do Sul respondem algumas das perguntas enviadas pelos leitores. Como o material está todo em inglês, achei que seria interessante traduzir alguns dos artigos do site, para os que se interessam pelo assunto mas ainda não dominam nem o coreano nem o inglês. O artigo original é este aqui.

Pergunta: O que os norte-coreanos pensam sobre os sul-coreanos? A propaganda do governo da Coreia do Norte realmente influencia em como as pessoas vêem a Coreia do Sul?

Jae-young: Os que vivem próximos da fronteira com a China sabem muito sobre a Coreia do Sul. Informação sobre a Coreia do Sul entra no país com os produtos, vídeos e rádios chineses que são contrabandeados para a Coreia do Norte. Muitos programas da TV sul-coreana também são pirateados e surpreendem os norte-coreanos que os obtêm e os assistem escondidos. No entanto, na maioria das regiões longe da fronteira, as pessoas não sabem muito sobre a Coreia do Sul. Um norte-coreano que se ficou meu amigo durante nossa fuga da Coreia do Norte me contou que um amigo dele só chegou a saber mais sobre a Coreia do Sul depois de chegar à China. As pessoas na maior parte do interior não têm muito acesso a transporte e comunicação, e recebem a "educação ideológica" através da TV estatal, que é a ferramenta de propaganda do governo. Portanto, informação sobre a Coreia do Sul é escassa, mesmo no boca-a-boca.

Eu estava no ensino médio quando fui exposta pela primeira vez a notícias sobre a Coreia do Sul. Eu fui visitar a casa do meu tio, onde pude assistir uma novela da TV sul-coreana chamada "Staircase to Heaven" (천국의 계단). Foi a primeira vez na minha vida em que eu vi uma novela sul-coreana, e fiquei muito surpresa. Pude sentir pela primeira vez como os sul-coreanos vivem muito melhor do que a gente. Foi chocante ver que jovens sul-coreanos, que pareciam ter mais ou menos a mesma idade que eu, tinham um estilo de vida completamente diferente. A aparência sofisticada das ruas da cidade, os atores e as atrizes da novela eram o suficiente para me empolgar. Eu fiquei tão triste pela morte da mocinha na novela que tive um leve caso de depressão por três dias, e meu coração batia mais rápido sempre que eu via o ator que fazia o personagem principal. Nunca me esqueço daqueles sentimentos estranhos, a empolgação e o medo da possibilidade de ser pega. Foi uma experiência tão inesquecível que eu procurei por aquela mesma novela assim que cheguei na Coreia do Sul, mesmo sendo tudo parte agora de uma das minhas memórias distantes.

A novela "Staircase to Heaven" (2003) foi o primeiro contato de Jae-young com a cultura sul-coreana
Aquela primeira experiência abriu os meus olhos para a Coreia do Sul e aguçou minha curiosidade. Comecei a ouvir estações de rádios sul-coreanas. Eu conseguia pegar sinal de rádios da Coreia do Sul e da China onde eu morava. Meus pais tentavam de tudo para me fazer parar com aquilo, por medo de que eu fosse pega, mas eu era atraída pela rádio sul-coreana ainda com mais força, como um ímã a um metal, e tudo começou apenas por curiosidade. Eu ainda me lembro claramente que todas as noites, depois das 10 horas, eu tirava o pedacinho de palito de fósforo que ficava enfiado no buraco do rádio para bloquear as rádios estrangeiras, e então as ouvia com o volume bem baixo, enquanto prestava atenção para ver se ninguém estava vindo. A chatice de ter que tirar e colocar o palitinho de novo durante o dia de nenhuma forma apagava a minha curiosidade.

Eu tinha que assegurar a segurança da nossa família quando ouvia a rádio. Todas as luzes tinham que ficar apagadas, todas as cortinas fechadas, e o volume do rádio não podia ficar mais alto que o cochicho de uma formiga. Um latido do cachorro do vizinho já fazia meu coração subir à garganta e meus olhos ficavam arregalados. Situações como que de um filme eram a nossa realidade. Os sons do rádio eram mais claros em dias nublados. Eu estava tão tomada pelos sotaques diferentes do nosso, que eu tentava imitar o sotaque de Seul, tudo em voz baixa, quase inaudível.

O que me chamava a atenção, especialmente naquela época, era o noticiário. Tão diferente do noticiário norte-coreano, o da Coreia do Sul falava sobre eventos que estavam acontecendo em tempo real. Também incluíam notícias sobre comida e remédios que estavam sendo enviados para a Coreia do Norte como ajuda humanitária. Durante um tempo eu fiquei confusa, quando me dei conta de que a Coreia do Sul e os EUA enviavam ajuda para a Coreia do Norte, porque isso era muito diferente do que o governo nos dizia. Eu comecei a questionar quem estava dizendo a verdade. Enquanto isso, eu apenas escrevia as letras de músicas alegres e aprendia a cantá-las. Eram muito simples, e me lembro que até meus pais às vezes cantavam comigo.

Toda semana, o governo da Coreia do Norte conduzia as "Kangyeonhwe" (palestras), que desmereciam e diminuíam a Coreia do Sul. Alguns norte-coreanos até acreditavam nessa propaganda de coração, mas para a maioria, entrava por um ouvido e saía pelo outro. As palestras pintavam o Sul como mau e pobre, mas os norte-coreanos já tinham evidências do contrário através da comida, fertilizantes e remédios que vinham de lá. Por isso, muitos norte-coreanos sabem que a Coreia do Sul é rica, e sentem inveja. No entanto, as duras leis da Coreia do Norte ainda proíbem as pessoas de expressarem suas ideias e sentimentos em relação ao Sul. Eu creio que cada vez mais as informações sobre a Coreia do Sul têm se tornado acessíveis, o que tem mudado a imagem que os norte-coreanos têm, portanto, um crescente sentimento positivo em relação ao Sul parece exceder o negativo. Creio também que esse sentimento positivo para o Sul tem levado mais norte-coreanos a tentarem fugir do país e finalmente chegarem à Coreia do Sul.

Lições 9 e 10: Números coreanos (partes 1 e 2)



No primeiro vídeo ensinamos os números sino-coreanos, ou seja, os números usados na Coreia que têm origem no chinês. Esses números são considerados mais fáceis (são bem curtos), e são os mais usados pelos coreanos. Eles podem substituir os números coreanos puros (vídeo 2) em algumas ocasiões, mas na maioria das vezes eles têm funções bem distintas.

Para facilitar a comparação, pense na diferença entre os números sino-coreanos e os coreanos puros como a diferença entre os numerais cardinais (um, dois, três) e ordinais (primeiro, segundo, terceiro) em português. O significado não é o mesmo em coreano, mas dá para entender que são sistemas diferentes, usados em situações diferentes. E, assim como no português os numerais ordinais vão ficando mais difíceis quando ficam maiores, no coreano também acontece o mesmo. Por exemplo: é fácil dizer "ele ficou em terceiro lugar", mas é mais difícil dizer "ele ficou em ducentésimo-trigésimo-sexto lugar", e por isso acabamos substituindo por "ele ficou na posição 236".

Portanto, é importante aprender bem os dois sistemas numéricos do coreano, pois ambos são usados o tempo todo, mas não se preocupe tanto em aprender o sistema coreano puro com números acima de 50. Eu diria que até 30 ele é frequentemente usado, mas depois vai ficando mais raro e sendo substituído pelo sistema sino-coreano na linguagem falada.

O pai do marreco no casamento tradicional

Vamos tirar a poeira do blogue. Faz tempo que não escrevo sobre a minha vida. Mas o acontecimento desse último fim de semana eu tenho que registrar. Meus amigos Juliano e Eun Bee se casaram em Busan - para quem não conhece, o Juliano era o autor do blogue Kimchi com Café, que era minha fonte de conhecimento sobre a Coreia antes de vir para cá, e tão logo aqui cheguei ficamos amigos.
Eu não só fui convidado para o casório como também tive a honra de ser o 기럭아범 do noivo. Para quem não sabe, 기럭 [gireok] vem de 기러기 [gireogi], que significa literalmente "ganso selvagem", mas para mim tá mais para um marreco, ou pato, como os estrangeiros o chamam. Eu mesmo já escrevi aqui sobre os tais patinhos. Já a palavra 아범 [abeom] significa "pai" ou "servo idoso". Ou seja, 기럭아범 é o "pai do marreco"ou "servo do marreco". O papel dessa figura no casamento tradicional coreano é simplesmente ajudar o noivo, entregando-lhe o marrequinho, que simboliza um relacionamento duradouro, e também servir as bebidas e ajudar o noivo no que for preciso, como calçar e tirar as botas na hora da cerimônia.

기럭아범 [gireokabeom], o "pai (ou servo) do marreco"
Acompanhando o noivo (e a noiva atrás) até o local da cerimônia
A noiva é primeiro carregada dentro de uma "casinha"
Em vez de jogar buquê, o noivo e o pai da noiva jogam galinhas
Pobre galinácea...
Enfm, casados!
A turma de estrangeiros que estava presente na cerimônia
Infelizmente esse tipo de casamento tem caído em desuso na Coreia. Geralmente os que mais gostam dos casamentos tradicionais são os estrangeiros que se casam com coreanos, enquanto os coreanos jovens querem se ocidentalizar ao máximo, se casando como nos filmes: a noiva de branco e o noivo de terno. Esses casamentos, na minha opinião, são bem sem graça. Você chega num 웨딩홀 (do inglês wedding hall), onde vários casamentos acontecem no mesmo dia, num esquema meio fordista de produção. A "festa", que na verdade é só um almoço ou jantar, é servida no mesmo local onde eles se casam (quando não tem um refeitório em outro andar). E enquanto eles estão se casando, as pessoas não param de conversar. Já fui a uns quatro casamentos desses, e são todos mais ou menos iguais.

Por isso foi um prazer participar de um casamento diferente, de um casal tão querido para mim. Espero que os marrequinhos tragam sorte para os dois! :)

Lição 8: Partículas de tópico (은/는) e sujeito (이/가)


Depois de assistir ao vídeo dessa aula, é importante ressaltar que saber usar essas partículas, apesar de serem tidas como um conceito básico da gramática coreana, não é fácil. Isso porque para nós, falantes do português, o significado que elas implicam é muito sutil e abstrato. O português utiliza outros recursos para enfatizar, e não temos as tais partículas para ajudar.

Porém, que fique claro que: 은/는 pode ser usado em muitíssimos casos, e às vezes até em duas palavras na mesma frase, quando se enfatiza duas coisas ao mesmo tempo. Já 이/가 é só mesmo usada com o sujeito e, apesar de dar uma certa ênfase, o sentido de contraste é muito maior com 은/는 do que com 이/가.

Os exemplos dados no vídeo foram uma maneira de tentar colocar as ideias numa caixinha. Mas, como sabemos, as línguas são muito mais ricas do que isso, e a verdade é que o uso dessas partículas é muito mais flexível. Para iniciantes, contudo, é bom começar com as regrinhas, e depois ir aprendendo aos poucos todas as outras possibilidades.

Se tiverem dúvidas específicas sobre o vídeo ou o uso de 은/는 e 이/가, escrevam nos comentários e vamos tentar responder.

Abraço e bons estudos!

Outros sites

Temos um canal no YouTube, onde você encontra vídeo-aulas e vídeos diversos que a gente vai gravando por aqui. Para ver as anotações das aulas, criamos um blogue à parte, chamado "De Prosa em Coreano" (que criativo, não?), onde postamos os vídeos e fazemos alguns comentários.

Além disso, aqui vão alguns links que recomendamos para ajudar no seu aprendizado da língua coreana:

Site muito completo, com aulas de coreano em inglês.

Aprendendo Coreano
Ótimo site de uma brasileira que ensina coreano. O conteúdo é extenso e bem explicado.

Coreano Passo a Passo
Outro site, também de um brasileiro, que ensina coreano muito bem.

Na minha opinião é o mais completo dicionário de coreano disponível de graça. Basta digitar a palavra que procura em inglês ou coreano e ele detecta a língua automaticamente. Além do significado, várias frases com a palavra contextualizada aparecem.

Um excelente site sobre a pronúncia da língua coreana, com vídeos em detalhe mostrando a boca em vários ângulos para se melhor entender como os sons são articulados. É uma pena que seja um site feito para funcionar só no Internet Explorer (usuários de Mac ou Linux, como eu, ficam de fora).

Lição 7: Ter ou não ter (있다, 없다)


Não tem muito o que se explicar sobre essa aula. Ela é apenas um guia basicão para se virar num restaurante coreano. No entanto, vale ressaltar que os verbos 있다 e 없다 também são usados no sentido de "estar". Exemplos:


- 어디에 있어요? - 브라질에 있어요.
- Onde você está? - Estou no Brasil.

- 아나 집에 있어요? - 아니요, 없어요.
- A Ana está em casa? - Não, não está.

Além disso, aqui vai uma dica também sobre o "주세요". O verbo é, na verdade, "주다" (dar). A terminação -세요 pode ser usada com qualquer verbo para formar o imperativo na forma educada. Exemplos:

주다 -> 주세요 (me dê)
가다 -> 가세요 (vá)
오다 -> 오세요 (venha)
공부하다 -> 고부하세요 (estude)

Agora você pode entender as expressões "안녕히 가세요" (Vá em paz) e "안녕히 계세요" (Fique em paz). São formas do imperativo.

E assim termino:

안녕히 계세요~~ :)

Lição 6: Presente com verbos e adjetivos irregulares


Esta aula é uma continuação da anterior, só que com verbos e adjetivos irregulares. Quero lembrar que:


1) Esses (com ㅂ que vira ㅜ e ㄹ que dobra) não são os únicos tipos de verbos e adjetivos irregulares no coreano. Há muitos outros, mas achei que esses são os mais comuns e simples de se explicar, por isso já os adiantei.

2) No caso do ㅂ que vira ㅜ, há exceções. Alguns exemplos de exceções são os verbos 잡다 (pegar) e 뽑다 ("escolher um entre vários"), que, conjugados, ficam 잡아요 e 뽑아요, respectivamente. Já com o ㄹ que se duplica, não consigo me lembrar de nenhuma exceção (se você souber, me avise).

3) Essas transformações não ocorrem em todas as formas de linguagem do coreano. Quando usamos a mais formal de todas (-ㅂ니다), por exemplo, o verbo ou adjetivo fica igual em sua raiz.

Lição 5: Presente simples


Esta aula é muito simples, porém fundamental, afinal conjugar verbos e adjetivos no presente é o que você vai fazer com mais frequência quando conversar com um(a) coreano(a). Aliás, cabe aqui uma explicação: por que é que a gente "conjuga" adjetivos em coreano? Afinal, em português, como na maioria das línguas ocidentais, adjetivos seguem um verbo de ligação (ser) e não são "conjugados". Em português eles apenas concordam com gênero e número.


No entanto, em coreano, adjetivos funcionam como verbos, e dispensam o uso do verbo de ligação. Mais tarde você vai aprender que existem diferenças entre o uso de adjetivos e verbos, mas basicamente eles funcionam da mesma forma.

Para não repetir a aula do vídeo, aqui vão apenas mais alguns esclarecimentos:

1. A vogal "ㅡ" (como em 쓰다) é fraca, e tende a desaparecer quando o verbo e conjugado. Por isso 쓰다 virou 써요. Outros exemplos são: 크다 (grande) -> 커요; 뜨다 (flutuar, emergir) -> 떠요.

2. Estamos ensinando a conjugar na forma educada padrão (não é a mais formal, nem informal).

3. Existem verbos e adjetivos irregulares em coreano, que não seguem essa regra à risca. Mas esses ensinaremos nas próximas aulas.

Dúvidas? Deixe nos comentários e vamos tentar responder :)

Hangeul: Formando as palavras

Enquanto estou escrevendo em português, estou pensando como a nossa mente se acostumou com o alfabeto romano. É uma lógica que, para nós que fomos alfabetizados com ele, parece a mais óbvia: uma letra vem depois da outra, sempre da direita para a esquerda. Outras línguas não seguem a mesma lógica: árabe e hebraico, por exemplo, escrevem da direita para a esquerda. E o chinês, japonês e coreano tradicionais, de cima para baixo.

Mas tem havido uma ocidentalização da escrita oriental: hoje eles preferem escrever da esquerda para a direita. Ainda assim, a lógica do alfabeto coreano não é como a nossa - letra a letra, uma do lado da outra. Elas são agrupadas em sílabas, que podem ter letras do lado, em cima e embaixo umas das outras.

Veja nas figuras abaixo o padrão de agrupamento de letras para formar uma sílaba coreana (C = consoante; V = vogal).

Este é o padrão mais fácil: consoante primeiro, e vogal do lado direito. Lembrando que 

TODA sílaba do coreano TEM QUE começar com uma consoante. Nas sílabas que começam com som de vogal, usa-se a consoante muda "" (a bolinha). Essa consoante, apesar de muda no início, tem um som nasal -ng (como em "song", no inglês) quando está no final da sílaba. Esse padrão CV é para vogais que tem forma vertical. Exemplos: 차 미 너 배 페 갸 려 졔.

Já este padrão (vogal embaixo de consoante) é para as vogais que tem forma horizontal. Exemplos: 두 쥬 스 료 호.

Este padrão é para as sílabas com vogal vertical e qualquer consoante depois, sempre embaixo. Essa consoante que fica embaixo é chamada de batchim. Exemplos: 짐 반 살 핫 맹.

Esta é a sílaba coreana em sua capacidade máxima. Elevador lotado! Quatro letras, e nada mais! Mas este padrão é para vogais verticais, por isso ela fica do lado direito da primeira consoante, e um batchim duplo embaixo. Exemplos: 찮 앉 덟 닭.

Aqui é a mesma lógica, com batchim simples abaixo de uma vogal horizontal. Exemplos: 응 봄 곧 꼭 끝 굿 숍.

E, por último, a sílaba lotada com vogal horizontal e batchim duplo. Exemplos: 늙 흟 끊 몳.

Vale lembrar que os batchims duplos são mais raros, e quase nunca são usados quando você transcreve algo de outra língua para o coreano, usando o hangeul. Para escrever seu próprio nome, por exemplo, não será necessário usar duas consoantes no fim da sílaba, com toda certeza.