Palestras sobre a educação sul-coreana (TEDx Unisinos)

Há pouco encontrei palestras no Youtube, dadas pelos amigos Daniel Fink (Ciência e Tecnologia da Embaixada do Brasil em Seul) e Soleiman Dias (Associação Brasil-Coreia). Daniel fala sobre sua experiência como estudante estrangeiro na Coreia, mais especificamente no KAIST, e Soleiman dá uma aula sobre a educação sul-coreana de forma mais ampla. Para os interessados em estudar na Coreia do Sul ou simplesmente em conhecer mais da educação nesse país, vale a pena assistir.



Dois estrangeiros na Coreia (EBS)

Muitos me perguntam se vão ser bem tratados na Coreia. E isso depende de uma infinidade de fatores. Mas dá pra ter uma ideia se passar no primeiro teste: você é asiático?

Patrimônio da UNESCO na Coreia

Como todo bom estudante estrangeiro, eu já fiz muito bico. E um dos muitos que fiz na Coreia pra complementar minha bolsa família estudantil foi narração de vídeos em português. As gravadoras procuravam pessoas que falassem português, e como não há tantos assim, aceitavam o primeiro que aparecesse - como eu. Gravei desde a voz de Deus, no maior estilo Cid Moreira, até dublagem de engenheiros da Hyundai ao lançarem modelos novos no Brasil. Mas o fato é que depois dessas gravações eu nunca mais via o resultado do meu trabalho. Eu sabia que não era lá grandes coisas, pois não tenho voz de locutor, então também não procurei muito pra saber por onde ecoavam minhas cordas vocais... Até que uma amiga postou há pouco no Facebook um vídeo sobre o patrimônio da UNESCO na Coreia. Quando cliquei para ver do que se tratava... tá-dá! Djizas... 47 minutos de uma narração num português macarrônico e com alguns erros graves (afinal o editor era um coreano que nem fala português). Mas enfim, se alguém aí tiver interesse em história antiga coreana, ou quiser apenas entender um pouco mais da cultura, aí vai o vídeo.

Parque Haneul, sentado no lixo seulita

Como não estou na Coreia, mas tento socorrer este blogue para não morrer, vou continuar na mesma de postar fotos da minha última viagem para lá, no final de setembro. Foi uma visita especial, porque os pais da Ji Young me convidaram para passar uns dias na casa deles - um pequeno passo para o coreano, mas um passo gigante para a coreanidade. E como todo bom coreano que decide abrir as portas de casa para convidados, eles me trataram como um rei. Além dos banquetes maravilhosos que me serviram (ai, que saudade da comida coreana!), me levaram para passear num parque que eu não conhecia, próximo do condomínio deles. Trata-se do Parque Haneul (하늘공원), ou "Parque Céu". É um dos seis parques que fica ao lado do estádio da Copa de 2002 em Seul, e apesar de já ter ido ao estádio várias vezes, os parques ainda me eram desconhecidos.


O que torna o Parque Haneul especial é o fato de que ele foi construído no local onde antes existia o grande lixão de Seul, o maior depósito de lixo não tratado da Coreia, até 1993. Quando a candidatura Japão-Coreia foi aceita, o plano para remodelação da cidade decidiu que o estádio seria construído ao lado do lixão, e este seria totalmente coberto, formando verdadeiros montes, e parques seriam construídos por cima.


Para tornar o projeto mais sustentável, o gás emitido por todo esse lixo no subsolo é aproveitado para gerar energia para o próprio parque e para as residências do bairro. Além de contar com geradores de energia eólica em cima.


Mas do que eu gostei mesmo no parque foi que o padrão estético é um pouco diferente dos outros parques que vemos em Seul. Campos com uma espécie de cana que dá flores no outono, "arte rural", e horticultura ornamental foram alguns dos detalhes que me chamaram a atenção.



Uma caminhada pelo parque em setembro não foi tão difícil, apesar do calor remanescente, mas dizem que outubro é a melhor época para visitá-lo. E é bom ficar com a câmera pronta para fotografar espécies de pássaros que não se vêem na cidade, coelhos atravessando o caminho e - a espécie mais abundante - ajummas posando para foto com um pepino na cabeça. Abaixo vão algumas fotos. Abraços aos leitores fieis e recém-chegados!







Fotos na Vila Tradicional Bukchon

Passando um espanador no blogue. Mês passado tirei uma semaninha da minha vida montanhesa em Ainaro, no Timor-Leste, e fui à Coreia, meio que como turista. Com a agenda programada para ir a lugares em Seul que eu não conhecia, foi mesmo como se eu não conhece a cidade onde morei. Claro que fui aos lugares dos quais sempre gostei, mas desta vez me deu aquela sensação de que apesar de tão compacta, há sempre algo a se conhecer na Coreia. Ou os mesmos lugares, em estações diferentes, são lugares diferentes. Foi assim quando fomos à Namsan Tower. Por algum motivo eu só tinha ido lá quando o tempo não estava muito bom. Mas desta vez o céu estava quase tão azul quanto o das manhãs timorenses.

Pensei em postar todas as fotos de uma vez para fingir que o blogue não está na UTI, mas como são muitas, achei melhor ir postando aos poucos. Abaixo então vão algumas que tirei na Vila Tradicional Bukchon, que fica perto do Palácio Gyeongbok. Eu já tinha ido várias vezes ao Gyeongbok e ao Changdeok, mas nunca a Bukchon, que é um bairro que fica no meio. Lá as casas foram preservadas no estilo tradicional, apesar de ser um bairro mesmo, onde as pessoas realmente vivem. Um passeio naquelas ruelas numa tarde ensolarada de outono, como fizemos, é simplesmente ótimo!

Início da subida

Gosto das janelas e das cortinas nessas casas

Detalhes nas telhas

Céu azul

Ainda não decifrei essa escultura no telhado

Um pequeno museu no meio da vila

Porta de uma casa. O peixinho indica que os moradores são cristãos

Eu, sentado à porta de uma casa de chá

Café

Nostalgia

Obrigado a todos que comentaram no post anterior! :) Estou meio nostálgico esses dias. Me despedindo aos poucos de amigos que vieram juntos comigo para a Coreia, e que agora estão voltando para seus países. A vida é feita de ciclos, e um deles vai terminando, e outros começando...

Então parei para rever fotos e vídeos do início dessa aventura asiática. Um vídeo, especificamente, me deu muita saudade: o das minhas aulas de yoga em Cheongju. Não era só a yoga, nem só Cheongju, mas o clima daquela hagwon. Foi um tempo muito bom, de que jamais vou me esquecer.

Depois acabei fazendo um vídeo de uma aula numa sexta à noite. Fiquei feliz quando soube que tinha estrangeiro se mudando para Cheongju e indo fazer aulas lá porque viram meu vídeo no Youtube... :)


Só um dedinho de prosa...

Alguém ainda lê este blogue? Bom, nem culpo quem não lê blogue de autor desaparecido... Voltei para a Coreia há duas semanas, mas estou tão ocupado com encontros com queridos amigos, com caminhadas apreciando Seul (apesar da 장마 - estação chuvosa - que não para!), e com simplesmente o aproveitar das férias... que acabei me esquecendo o que é observar com olhar de blogueiro. Sei que quem acompanha o blogue deve estar decepcionado, mas acho que, pelo menos por enquanto, esse negócio de blogar perdeu um pouco a graça para mim.

Não que a Coreia tenha perdido a graça. Pelo contrário: depois de quatro meses longe daqui, senti saudades daqui como quem sente saudades da própria casa. Foi necessário sair um pouco do conforto da vida sul-coreana e ir para o outro extremo, Leste-Timorense, para admirar ainda mais a força do povo coreano, a cultura, o valor pelo conhecimento e a dinamicidade da economia daqui. Enquanto minha irmã, de férias em Campo Belo, me diz que por lá nada mudou nos últimos anos, aqui em apenas quatro meses fora já notei vários prédios novos, mais adaptações para deficientes físicos nas ruas, guardas multando quem fuma em lugar proibido, internet sem fio em todos os vagões do metrô (em movimento!), e por aí vai. Outras coisas acho que jamais mudam: pessoas usando óculos sem lente, gente engravatada caindo bêbada pelas ruas de madrugada e vomitando pelos cantos, ajoshis taxistas reclamões.

E minha vida segue em transição. Teoricamente, já posso terminar meu mestrado agora, mas pedi uma extensão de mais um semestre. Só que os ventos sopram de volta para o Timor-Leste, país que também me marcou profundamente... Uma vez que se conhece a realidade daquele povo, é difícil se esquecer.

O prédio mais alto da península coreana

"Onde fica o prédio mais alto da península coreana?"

Se alguém me fizesse essa pergunta, eu responderia com convicção que seria algum prédio na Coreia do Sul, provavelmente na região metropolitana de Seul, e possivelmente o 63 Building (que, aliás, aparece muito no vídeo do post anterior). Bom, pelo menos até que o Seoul Lite seja concluído (estima-se que fique pronto em 2015), esse teria sido meu palpite.

No entanto, ao dar uma conferida na lista de prédios mais altos do mundo, descobri que o 63 Building não apenas é menor que outros três prédios na Coreia do Sul, como todos esses são menores que o maior prédio da península, que fica em Pyongyang, na Coreia do Norte!


O nome do monstro é Ryugyong Hotel (류경 호텔), e começou a ser construído em 1987. Mas devido às dificuldades econômicas do país, a construção foi paralisada em 1992, quando o esqueleto de concreto do prédio já estava pronto (com 330m de altura). O prédio, então, passou a ser um dos maiores elefantes brancos do mundo, e provavelmente por isso não tenha sido muito usado na propaganda norte-coreana no exterior. Contudo, em 2008, o grupo egípcio Orascom propôs ao governo de Kim Jong-il a retomada das obras do elefante, com a  condição de que o grupo também atue em outras áreas no país, como o desenvolvimento da telefonia celular.


O resultado é que as obras parecem estar indo bem, e o prédio deve ficar concluído até 2012. Só resta saber onde é que o tal "hotel" vai arranjar tanto hóspede para seus 105 andares. Mas talvez este seja um ponto positivo, pois com esse arranha-céu faraônico, com toda certeza o governo norte-coreano vai querer promover o turismo no país. Mais gente entrando na Coreia do Norte significaria um controle mais difícil e, espero, uma abertura gradual do regime... Se isso não acontecer, vão deixar o prédio lá pra entrar nas fotos e vídeos oficiais do governo.

Com uma arquitetura, digamos, questionável, já tem gente se perguntando qual seria a verdadeira função do prédio pyongyangense. O vídeo abaixo (uma montagem) dá um palpite...

Dica pra ver o blogue todo

A pessoa cai de paraquedas num blogue de 3 anos, lê o último post, gosta e quer fazer uma geral pelo blogue todo pra saber o que já foi escrito antes. Se esse é o seu caso, recomendo um app bem legal pra quem usa o Google Chrome como navegador. Ele se chama Dynamic Views, e tem várias opções de visualização do conteúdo inteiro do blogue. Pena que só funcione com blogues do Blogger. Brincando com esse recurso resolvi ler uns posts antigos que escrevi mas nem me lembrava... E olha que não são nem 3 anos ainda!

Documentário: Olhos Pequenos também são Bonitos


O vídeo acima é um documentário em andamento sobre estudantes secundários na Coreia do Sul (valeu, Gi e Eder, por compartilharem). Falta mostrar muita coisa, e não há nada de muito surpreendente para quem já sabe algo sobre a cultura e a educação na Coreia. Mas vale a pena ver, considerando que o documentário ainda não está pronto, a diretora é muito jovem (Kelly Katzenmeyer, uma estadunidense colega das coreanas numa escola só de meninas) e a arte do filme foi bem feita. O vídeo está em inglês, mas algumas cenas dispensam palavras, como o uso da cola de fazer "sang-kuh-pul" (쌍꺼풀, como escrito no filme) que significa "dupla pálpebra", uma das obsessões das mulheres coreanas e asiáticas em geral (e que a maioria dos ocidentais nunca nem notou que tinha).

Agachadinha asiática

Tirando poeira do blogue! (Ih, isso parece coisa de um outro blogue brazuca-coreba morimbundo). Não, eu ainda não voltei para a Coreia. Mas bateu aquela saudade de prosear por aqui com vocês. E vou falar sobre umas das posições de descanso mais comuns entre os coreanos: a agachadinha. E depois que você dá uma volta pela Ásia, percebe isso não é uma particularidade dos coreanos. A agachadinha é o certificado de origem asiática, é a cola que une a diversidade cultural do continente ao qual chamamos de Ásia. Alguns discutem se o Timor-Leste faz mesmo parte da Ásia, já que culturalmente há muita influência portuguesa, e a ilha está quase encostada na Austrália. Mas a discussão termina quando se vê um timorense agachando. É batata! Faça o teste, e se você conseguir agachar como os asiáticos, certamente você tem um ancestral oriental.

O quê? Você não sabe a diferença entre a agachada asiática e a não-asiática? É simples: com a agachada asiática suas pernas não doem, seu calcanhar fica apoiado no chão, e seus tornozelos ficam juntinhos das nádegas. Se você tem que esperar numa fila de aeroporto por uma hora, por que esperar em pé? Mas se o chão está sujo, por que se sentar? A agachadinha asiática é a melhor solução: você fica descansando em stand-by, nem sentado nem em pé.

Chineses esperando abrir o portão no aeroporto de Bali
Qualquer um consegue agachar como os asiáticos? Não, infelizmente não é para qualquer um. Além de precisar ter um ancestral asiático que lhe transmita o gene da flexibilidade agachatória, você precisa passar por um treinamento de uns 5 anos fazendo o number 2 num buraco no chão.

Se tem alguma dúvida, assista ao vídeo abaixo com as instruções. Mas o Ministério da Saúde adverte: as primeiras tentativas de agachamento à la asiática podem causar tombos para os despreparados.