O projeto de construção da PUST (sigla em inglês para Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang) começou em 2001, quando havia uma grande expectativa entre os sul-coreanos de que haveria uma reaproximação rápida com os irmãos do Norte. Seu fundador, Prof. Kim Chin-kyung (ou James Kim), é uma figura interessante: nasceu em Seul em 1935, estudou Economia em Londres e na Flórida, e tem cidadanias americana e chinesa. Em 1992, ele fundou a YUST (Universidade de Ciência e Tecnologia de Yanbian), numa região chinesa de maioria étnica coreana.

O corpo docente da PUST é formado por acadêmicos sul-coreanos, americanos e de outras nacionalidades, e as aulas são todas em coreano ou inglês. A universidade é mantida em parte pelos governos do Sul e do Norte, mas em sua maioria por grupos cristãos que apoiam a causa do Prof. Kim, um cristão devoto. Ele jura que tem total liberdade em seu trabalho, mas os professores sabem que precisam ter muito cuidado no desenvolvimento curricular. Uma simples aula de Introdução à Economia pode ser mais complicada, pois a lógica ocidental não faz sentido no país.

Primeira turma de formandos da PUST 

Alunos e professores numa sala de aula da PUST

Professores numa Conferência Internacional na PUST

Contudo, a principal questão é se a PUST pode realmente gerar o resultado que almeja: mudança. Inaugurada em 2010, a universidade ainda tem poucos formandos, e pode demorar muito para que esses jovens cheguem a posições de liderança no país. E, ainda que cheguem, que poder (e vontade) eles teriam para mudar o sistema atual? Se o próprio Kim Jong-un, que foi educado na Suíça, ainda não demonstrou disposição para mudar o

status quo

, não dá para esperar muito.

O documentário "Educando a Coreia do Norte" mostra como o controle da informação é forte por lá. Vigias ficam de ouvidos em pé o tempo todo, e interrompem quando acham que as conversas podem gerar questionamentos provocadores. Uma das professoras estrangeiras foi demitida semanas depois do documentário ser filmado, e entrou para a lista negra do governo por "falar demais o que pensa". Apesar de tudo, alguns professores acreditam que o simples contato com eles no dia-a-dia gera um resultado positivo à medida em que os alunos vão criando mais confiança para falar. 

Aí cada norte-coreanista (amador ou profissional) tem seu ponto de vista. Engajar ou confrontar, qual a melhor abordagem?