Essa aula é de certa forma uma continuação às aulas sobre os números coreanos. Isso porque a moeda sul-coreana -- o won (원) -- tem muitos zeros, provavelmente pela inflação acumulada ao longo dos anos, sem o corte de zeros que aconteceu no Brasil no final dos anos 80. A menor nota, portanto, é a de 1 mil wons (천원). Abaixo dela temos as moedas de 10 wons, que não vale quase nada, de 50, 100 e 500. Acima da nota de mil, temos as notas de 5 mil, 10 mil e 50 mil.

Quando me mudei para a Coreia, em 2008, a nota mais alta era a de 10 mil. Era super inconveniente, porque a gente tinha que andar com um bolo de notas na mão quando precisasse pagar uma quantia alta. A explicação que me deram na época foi que o rosto estampado na nota de 10 mil era do rei mais fodástico que o país já teve: o Grande Rei Sejong. E por isso não poderia haver ninguém acima dele.

As notas de won, a moeda sul-coreana
No final, acabaram quebrando o tabu e lançaram a nota de 50 mil, com a figura de uma mulher, a Shin Saimdang, que foi uma grande poeta, escritora e artista coreana. A imagem pode parecer uma revolução feminista no país, mas a justificativa do governo logo desmente: ela foi escolhida por ser um exemplo de "boa esposa e mãe".

Mas voltando ao que interessa, os números. Falar altos valores em coreano pode ser difícil no início por um único motivo: a lógica coreana de contagem considera 4 casas decimais, e não 3. Por exemplo, na maioria das línguas ocidentais, como o português e inglês, nós mudamos o "nome" do número a cada 3 casas -- mil, milhão, bilhão, trilhão. Qualquer coisa entre mil e milhão vai ser "alguma coisa + mil", como 50 mil, 500 mil. Mas no coreano, a base da contagem não é mil, mas 10 mil (man). Portanto, 100 mil não é 100 vezes mil, mas sim "10 man", ou seja, 10 vezes 10 mil. Um milhão é 100 man, e assim por diante. O man é a base da contagem acima de 10 mil. É difícil no início, mas com o tempo o cérebro se acostuma, pode confiar ;)