Vamos tirar a poeira do blogue. Faz tempo que não escrevo sobre a minha vida. Mas o acontecimento desse último fim de semana eu tenho que registrar. Meus amigos Juliano e Eun Bee se casaram em Busan - para quem não conhece, o Juliano era o autor do blogue Kimchi com Café, que era minha fonte de conhecimento sobre a Coreia antes de vir para cá, e tão logo aqui cheguei ficamos amigos.
Eu não só fui convidado para o casório como também tive a honra de ser o 기럭아범 do noivo. Para quem não sabe, 기럭 [gireok] vem de 기러기 [gireogi], que significa literalmente "ganso selvagem", mas para mim tá mais para um marreco, ou pato, como os estrangeiros o chamam. Eu mesmo já escrevi aqui sobre os tais patinhos. Já a palavra 아범 [abeom] significa "pai" ou "servo idoso". Ou seja, 기럭아범 é o "pai do marreco"ou "servo do marreco". O papel dessa figura no casamento tradicional coreano é simplesmente ajudar o noivo, entregando-lhe o marrequinho, que simboliza um relacionamento duradouro, e também servir as bebidas e ajudar o noivo no que for preciso, como calçar e tirar as botas na hora da cerimônia.

기럭아범 [gireokabeom], o "pai (ou servo) do marreco"
Acompanhando o noivo (e a noiva atrás) até o local da cerimônia
A noiva é primeiro carregada dentro de uma "casinha"
Em vez de jogar buquê, o noivo e o pai da noiva jogam galinhas
Pobre galinácea...
Enfm, casados!
A turma de estrangeiros que estava presente na cerimônia
Infelizmente esse tipo de casamento tem caído em desuso na Coreia. Geralmente os que mais gostam dos casamentos tradicionais são os estrangeiros que se casam com coreanos, enquanto os coreanos jovens querem se ocidentalizar ao máximo, se casando como nos filmes: a noiva de branco e o noivo de terno. Esses casamentos, na minha opinião, são bem sem graça. Você chega num 웨딩홀 (do inglês wedding hall), onde vários casamentos acontecem no mesmo dia, num esquema meio fordista de produção. A "festa", que na verdade é só um almoço ou jantar, é servida no mesmo local onde eles se casam (quando não tem um refeitório em outro andar). E enquanto eles estão se casando, as pessoas não param de conversar. Já fui a uns quatro casamentos desses, e são todos mais ou menos iguais.

Por isso foi um prazer participar de um casamento diferente, de um casal tão querido para mim. Espero que os marrequinhos tragam sorte para os dois! :)