Para qualquer estrangeiro, não é novidade que as drogas (além do álcool e do tabaco) não são um problema social e de saúde na Coreia do Sul. Praticamente não existem usuários de maconha, muito menos de cocaína e outras drogas mais pesadas. A Crackolândia, então, é algo desconhecido na Kimchilândia.
Os poucos usuários de maconha no país geralmente são estrangeiros, muitos professores de inglês de países onde fumar maconha não é um grande problema. Mas esses desavisados, quando pegos pela polícia sul-coreana, vão diretinho para a cadeia, porque a lei aqui coloca a maconha na mesma lista que a cocaína, e não diferencia muito o usuário do traficante - até porque o conceito de "traficante de drogas" não faz parte da sociedade sul-coreana.

No vizinho do Norte, no entanto, a história é muito diferente. A gente sabe que o controle social por lá é grande, assim como o controle fronteiriço com a China. Por isso, não é fácil traficar o que quer que seja. E mesmo assim, segundo o site NKNews, a maconha rola solta na Coreia do Norte! Isso porque seu consumo não é policiado nem considerado ilegal. Não existe nenhuma lei por lá que restrinja o uso dessa ervinha que causa tanta polêmica no Ocidente.

Kim Marley 
Kim Marley fumando um baseado enrolado no jornal

Os norte-coreanos cultivam a maconha por ser mais fácil e mais barato que o tabaco, e não para ficarem rindo à toa. Eles chamam o tal o bagulho de "ip dambae" (잎담배), que, traduzido, significa "cigarro de folha", e é muito popular no meio militar da Coreia do Norte. Aliás, o cultivo da erva na península já é tão antigo, que há testemunhos de ex-combatentes norte-americanos que diziam que, durante a Guerra da Coreia (1950-1953), os soldados encontravam a planta da maconha nos acampamentos militares da região da DMZ e, claro, a galera fumava geral.

O site também menciona um turista americano que viaja para a Coreia do Norte todos os anos, e certa vez estava sentado em frente a uma casa, quando percebeu que a planta que cobria o jardim da casa era nada mais nada menos do que maconha!

Campo de maconha norte-coreano 
Campo de maconha norte-coreano em Chongjin

Kim Marley
Kim Marley felizão

Mas, é claro, se você for para lá como turista, achando que vai para a nova Amsterdã da liberação da erva, pode se deparar com oficiais do governo te dizendo que não sabem do que você está falando. Justamente porque sabem que isso pode gerar mais propaganda negativa em relação a um país que se preocupa tanto em esconder os fatos.

Taí uma coisa que seria interessante de se observar no caso de uma futura reunificação das Coreias: como a maconha seria tratada? Liberariam geral na península toda ou tirariam a diversão de milhões de usuários do Norte que nunca viram mal nenhum na ervinha? Se bobear, as negociações de paz nem travam na questão nuclear, mas na questão maconhística.