Estamos a dois dias das eleições, e temos algumas novidades: a candidata Lee Jeong-hee (a "Plínio de Arruda" dos coreanos) saiu da corrida. Talvez tenha calculado que tomaria eleitores da ala esquerdista, mas não de Park Geun-hye.

A outra novidade é que o candidato esquerdista está indo para a direita para ver se consegue pescar os indecisos. E em mais uma semelhança com as eleições presidenciais no Brasil em 2010, parece que os religiosos é que vão decidir a parada. Moon Jae-in prometeu aos cristãos sul-coreanos que não deixará que seja aprovada nenhuma lei permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.


O candidato, que se auto-entitula defensor dos direitos humanos e cujo slogan de campanha é "As pessoas em primeiro lugar", está sendo criticado por Hahn Chae-yoon, presidente do Centro de Direitos e Cultura da Minoria Sexual Coreana. Com esse slogan, "o que é que o candidato considera como pessoa"?

Obviamente, a candidata do partido conservador não sofre a mesma pressão, pois sabe que sua base de apoio nem levanta a questão. Mas a posição de Moon foi uma surpresa para alguns. O gay coreano deve estar se perguntando: "Ó, e agora, quem poderá nos defender?"

A legislação coreana apenas permite aos que passam por cirurgia de mudança de sexo de terem sua identidade modificada também (segundo a Marmota), mas debater a homossexualidade (ou mesmo a sexualidade em geral) na Coreia é um tabu tão grande, que pelo jeito vai ser uma daquelas questões empurradas com a barriga por mais um bom tempo.

O primeiro casal gay de uma novela da SBS, "Life is Beautiful", em 2010 
O primeiro casal gay de uma novela da SBS, "Life is Beautiful", em 2010

O mais próximo de um debate amplo sobre o assunto na Coreia foi em 2010, quando uma novela do canal SBS chamada "Life is Beautiful" (이생은 아름다워) levou para a TV um casal gay, atuado por Song Chang-eui e Lee Sang-woo. Eles faziam o papel de um casal estável e sem estereótipos. Muitos fãs não gostaram da "novidade", mas o restante ficou revoltado mesmo foi quando uma cena da novela foi proibida de ir ao ar. Na cena, os dois trocavam votos de fidelidade numa igreja na ilha de Jeju, e esta fez muito barulho, reclamou no canal, exigindo que a cena fosse retirada. Os produtores ficaram com medo da polêmica e acabaram fazendo o corte na edição final, para a decepção da autora, Kim Soo-hyun. Agora, se nem na novela os caras podem se casar, na vida real vão ter que esperar um bocado...