Talvez eu tenha subestimado (assim como a mídia coreana toda) a força de uma outra candidata à Presidência da Coreia do Sul: Lee Jeong-hee, do Partido Progressista Unificado (통합진보당). Ontem tivemos um debate entre os três candidatos: os dois dos quais falei antes, Moon Jae-in e Park Geun-hye, e essa terceira via, Lee Jeong-hee. Lee surpreendeu não por sua própria popularidade, mas por sua capacidade em desferir argumentos contra Park o tempo todo, possivelmente causando danos à imagem de Park que só serão comprovados no dia da eleição. A Marmota postou trechos dos ataques de Lee Jeong-hee a Park Geun-hye em seu site, e vou transcrever alguns abaixo.

Lee Jeong-hee, do Partido Progressista Unificado 
Lee Jeong-hee, do Partido Progressista Unificado (foto)



Sobre corrupção: "A Sra. Park falou em acabar com a corrupção. É difícil de acreditar nisso, pois vem de alguém que manteve seu status recebendo salários derivados de bens roubados. O ex-presidente Chun Doo-hwan pagou à Sra. Park 600 milhões de wons. Naquela época, você poderia comprar 30 prédios com esse dinheiro, e esse foi o dinheiro que a ditadura Yushin de [seu pai] Park Chung-hee recebeu dos conglomerados. A Fundação Jeonsu, a qual Park preside, tem bens roubados que o ex-presidente Park Chung-hee extorquiu de Kim Ji-tae (...) Seu partido tem tanta corrupção, mas eles fazem vista grossa para proteger os números de Park Geun-hye nas pesquisas. Será que ela prometeria ao povo renunciar imediatamente caso alguém próximo de si recebesse propina?"

Sobre diplomacia: "O fundamento da diplomacia é proteger a soberania da nação. Takagi Masao, cujo nome coreano era Park Chung-hee, se tornou oficial do exército japonês ao escrever uma carta de lealdade de sangue. Depois da independência, ele subiu ao poder através de um golpe e forçou o Tratado Básico Coreia-Japão. 'A maçã não cai longe da árvore'. A Sra. Park e seu partido - os descendentes da ditadura e da colaboração com os japoneses - venderam a soberania econômica da Coreia com o Tratado de Livre Comércio com os EUA. Eles não merecem nem cantar o Hino Nacional"

Sobre o motivo de estar concorrendo à Presidência da República: "Lembrem-se disto: estou concorrendo nestas eleições apenas para garantir que a Sra. Park perca."

Eu só percebi que Lee Jeong-hee estava sendo a sensação do debate quando vi amigos coreanos postando comentários no Facebook sobre uma candidata que quase não havia aparecido até então. Resta saber se ela é apenas uma versão coreana do Plínio de Arruda - que anima o debate, mas tem pouco impacto no resultado final - ou se consegue mesmo tirar Park Geun-hye da liderança nas pesquisas. Em duas semanas saberemos.