Ji Young está agora em Bangkok, na Tailândia, fazendo estágio no PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). É a primeira vez que ela mora em um país tropical, e em desenvolvimento. Cheguei agora em casa e ela me chamou pelo Skype.

JY (voz de medo): Meu Deus! Você não acredita o que acaba de acontecer!
Eu (preocupado): O quê??
JY: Ai... não consigo nem falar direito...
Eu: Mas o que aconteceu???
JY (bufando): Eu... cheguei em casa... e quando abri a porta...
Eu: O quê? O quê???
JY: Dei de cara com....... uma lagartixa!!!!!!!!

Pausa para visualizar a cena. E depois caí na risada, claro. Fala sério! Lagartixa? Na minha infância, meus bonecos Playmobil e Comandos em Ação todos encontravam ovos de lagartixa em buracos no muro do quintal, e para eles eram ovos de dinossauro. Com o drama que ela fez achei que tinha sido assalto ou acidente. E pior é que ela acabou chamando alguém do prédio para matar o pobrezinha, que só estava tentando comer uns mosquitinhos (que, aliás, poderiam ser portadores de malária ou dengue!).

Mas uma coisa é fato: só quem vive em país com a biodiversidade como a do interior do Brasil (ou de uma roça grande como Belo Horizonte) é que sabe o que é conviver com todo tipo de bicho entrando em casa. Certa vez, quando um amigo britânico morava no meu apartamento em BH, um besouro entrou voando pela janela. Ele gritou como uma coreana quando um pombo voa em direção a ela. E vez ou outra ele chegava em casa com uma história diferente: "Hoje vi a maior formiga do mundo! Um absurdo!" ou "Tem uma lagarta amarela peluda subindo pela parede! Fecha a janela!"