Dois anos e meio na Coreia, com apenas dois pit-stops bem curtinhos - um para visitar minha irmã na Inglaterra e outro no Vietnã. Agora me preparo para fazer uma pausa maior da minha vida coreana. Neste sábado vou para o Timor Leste, onde vou ficar durante quase cinco meses, para fazer um estágio no PNUD de lá. A experiência vai ser um misto de aprendizado profissional, transformação pessoal, aventura, caridade e alongamento dos meus neurônios para entender a busca do povo timorense por um caminho próprio.

O De Prosa na Coreia vai com certeza dar uma esfriada (ou talvez uma bela hibernada), tanto pela falta de tempo quanto pela logística, pois já sei que meu acesso à internet por lá vai ser bem restrito. Também porque meu trabalho vai exigir que eu viaje para regiões remotas do Timor, onde eletricidade ainda é um privilégio de poucos.

Essa viagem vai ser boa até para o meu relacionamento com a Coreia. Depois de um tempo a gente começa a achar que conhece tudo e perde o olhar de descobridor, de curioso. E minha vida coreana é muito conveniente. Preciso sair do conforto um bocado e prestar mais atenção nos problemas que realmente importam (fala sério né? já tô reclamando aqui de barulho em área comercial e ajoshi que peida na rua!).

Peço desculpas aos leitores que têm enviado emails e eu não lhes tenho respondido. Além de um trabalho temporário, também tenho tido que me preocupar com os pormenores de mais uma mudança... Aos que escrevem perguntando pela bolsa de mestrado e doutorado, é difícil responder a todas as perguntas. Leiam o edital, por favor, sigam as regras e entrem em contato com a Marcela Formiga, da Embaixada da Coreia em Brasília (eles agora têm uma página no Facebook). Não enviem perguntas bobas pra ela, coitada. (Exemplo: "O edital diz que a média mínima é 80%, mas eu tirei 63 em uma prova. Será que posso tentar assim mesmo?" ou "Se eu falar um pouco de japonês ajuda eu conseguir a bolsa?").

Quando der tempo vou criar outro blogue para escrever sobre o Timor. Ontem tomei um remédio para malária (recomenda-se tomá-lo uma semana antes de ir para a área de risco), e como estava com o estômago vazio (sim, má ideia), quase morri de queimação e enjoo. Mas graças a Deus já tenho tido apoio de pessoas que nem conheço lá em Díli, e até acomodação já me arrumaram!

Agradeço a ajuda dos meus amigos aqui na Coreia, de quem vou sentir saudades nos próximos meses. Nos últimos dias me ajudaram com minhas mudanças, conselhos, ofertas de hospedagem, comida, roupa lavada... (essa última foi por minha conta). Enfim, não vou citar nomes, mas os que têm me ajudado sabem o quanto sou grato.

Bom, essa postagem foi apenas para contar as novas, porém sempre que der escrevo algo aqui também, mesmo de longe. Abraços a todos!