Além da poluição visual típica dos países asiáticos, há também muita poluição sonora. Tudo motivado pela competição entre as lojas. Mas a gente se acostuma tanto com o barulho, que passa a nem notar mais. Até que outro dia eu tive uma dor de cabeça que fez com que cada música vinda de uma loja me incomodasse profundamente, e só então notei quanto é difícil encontrar locais silenciosos nas regiões comerciais.

As cidades grandes no mundo todo já têm seu barulhos inevitáveis, de carros e gente por toda parte. Quando morei no centro de Belo Horizonte, perto do Maleta, não deixava de estranhar os motores de ônibus das 5 da manhã à meia-noite. Mas, sinceramente, colocar k-pop para tocar alto em locais públicos é realmente tortura desnecessária. Olha só um vídeo que gravei hoje aqui perto:


Engraçado é que os coreanos de Seul, nascidos no meio da muvuca e do barulho, têm medo é do oposto: o silêncio. Quando procurava um restaurante para jantar hoje em Sinchon, passamos por uma rua silenciosa (no meio de um bairro agitado) e a Ji Young comentou como estranha a falta de barulho. E eu, mineiro da roça que sou, às vezes sinto falta é da escuridão e do silêncio completo. Um amigo de São Paulo uma vez passou um fim de semana na minha casa no interior de Minas e à noite comentou: "Não sei se vou conseguir dormir com tanto silêncio!" e pela manhã abriu a janela, respirou fundo e tossiu: "Esse ar é puro demais para os meus pulmões!"

Há que ressaltar, no entanto, que a prefeitura de Seul tem tomado medidas (a passos de tartaruga) para reduzir a poluição visual, pelo menos. Mas esta, apesar de ser irritante aos fotofóbicos durante a noite, não me incomoda tanto. Na Inglaterra me lembro que senti uma falta enorme dos anúncios de fora dos prédios, porque para mim eram como menus gigantes que me ofereciam opções de longe. E lá os prédios todos limpinhos de fora...

Quanto à poluição sonora produzida pelos carros, acho que a Coreia do Sul até tem boas políticas para ajudar as pessoas a dormirem mais tranquilas. Geralmente constroem imensos muros de vidro ao lado de condomínios, quando estes ficam em frente a avenidas ou rodovias, a fim de bloquear o barulho dos veículos para os andares mais baixos.

Os leitores que moram em grandes centros me digam: como vai a poluição sonora por aí?

*Atualização: Lembrei-me de alguns fenômenos interioranos no Brasil que me fazem rever essa nostalgia do silêncio: qualquer evento musical perturba a cidade toda, e os playboys costumam exibir seus carros nas praças, colocando o som (que toca o pior do "B-pop") no último furo. Pensando bem, até que Seul não é tão barulhenta... :P