Eu não poderia deixar de comentar isso. Enquanto estava em Busan no fim de semana, vi, na TV dentro do carro, uma cena do reencontro de famílias separadas pela Guerra da Coreia, há 60 anos. Sessenta anos! Não consigo imaginar o que é estar a apenas algumas centenas de quilômetros de distância, e não poder encontrar, ver, ouvir, ter notícias, saber como está seu irmão, filho, pai, primo... Pior: não saber nem se ainda estão vivos. A cena do choro dos familiares que vi na TV ficou na minha cabeça, e só me faz confirmar que a estupidez das guerras (físicas e ideológicas) são cegas ao coração humano e à vida.

Aqui vão alguns trechos da agência Yonhap, sobre o reencontro de 3 dias durante o fim de semana no monte Keumgang, na fronteira entre os dois países:

O reencontro juntou 430 sul-coreanos e 110 norte-coreanos no famoso resort na montanha da Coreia do Norte, onde as cores do outono combinavam com a alegria das famílias que se reuniam pela primeira vez desde a Guerra da Coreia.


A guerra de 1950 a 1953 terminou numa trégua, e não num tratado de paz, deixando as duas Coreias tecnicamente num estado de conflito até hoje. Não há meio de contato entre civis entre os dois países, e mais de 80 mil sul-coreanos estão numa lista de espera para rever seus queridos familiares que estão no norte.


E o número não leva em consideração os sul-coreanos que morreram esperando, número que chega a mais de 40 mil.


Três irmãs sul-coreanas dançam para seu irmão norte-coreano no segundo dia do reencontro na Coreia do Norte


A sul-coreana Shim Boon-rye, 80, sorria enquanto cantava uma canção popular sobre a saudade daqueles que ama, mas acabou em prantos assim que terminou de cantar. Ela então abraçou seu irmão norte-coreano de 77 anos que cantou junto com ela: "Como eu poderia te esquecer? Como eu poderia te esquecer?"


(...)


A animação durante o almoço mais cedo foi desaparecendo assim que as famílias começaram a encarar a realidade de que teriam que se separar novamente no terceiro dia do reencontro.


"Pergunte ao seu pai tudo o que você sempre quis perguntar, ou poderá se arrepender de não tê-lo feito", disse um parente a Ko Pae-il, de 62 anos, que encontrou seu pai de 81. Ko, um coreano-americano do Alabama, disse que era muito cruel ele ter que dizer adeus a seu pai, de quem foi separado aos 3 anos de idade.


"Pai, pai, cuida da saúde, hein?" disse Ko, aos prantos.

Vídeo do momento da despedida (Ko Pae-il aparece no início, se despedindo de seu pai):



Um homem norte-coreano em lágrimas durante o reencontro com seus filhos que vivem na Coreia do Sul


(...)


Esses reencontros, organizados através da Cruz Vermelha, são facilitados pelo fato da Coreia do Norte receber maciças doações "humanitárias". Nas conversas pela Cruz Vermelha na semana passada, a Coreia do Norte pediu 500 mil toneladas de arroz e 300 mil de fertilizantes para a Coreia do Sul.

O artigo original da YonhapNews se encontra aqui.
Uma outra reportagem da CNN com vídeo você pode ver aqui.