Ontem fomos à Escola Alegria. Para quem não conhece, é um grupo 100% coreano que promove eventos musicais e culturais quase 100% brasileiros. Eu já tinha ouvido falar deles há tempo, mas os conheci pessoalmente durante um jogo do Brasil na Copa do Mundo em Itaewon. Eles chegaram animando a torcida com pandeiros, tambores, cavaquinho e mais samba no pé que a maioria dos brasileiros presentes. Lembro que puxei conversa com um deles em português, mas confirmei que ele realmente não era brasileiro quando disse: "Eu palo português... um pouco!"

Mas depois fui a uma festa que promoveram, há mais ou menos um mês, e conheci o chefe do grupo. O cacique da tribo. Todos o chamam de Bokcheol (복철), apesar de não ser seu nome verdadeiro. Ele é um sujeito muito bacana, do estilo tranquilão e sossegado, visual meio Raul Seixas, típico coreano que não se vê muito por aqui. Morou 3 anos em Salvador, adora a música, a cultura, a comida brasileira e, claro, os brasileiros. Esse, sim, não pala só um pouco de português. Fala muito bem, e nos deixou à vontade desde o primeiro instante em que nos conheceu. Me lembrou as recepções calorosas, de portas abertas, comuns no interiorzão do Brasil.

Na primeira vez em que fui à Escola Alegria, assisti a uma apresentação de batucada estilo Olodum, que se alternou com um rap de um cubano que brotou do chão e depois voltava a letras de samba com k-pop das antigas. "Assim como a cultura brasileira é uma mistura de vários elementos que se juntaram, sentimos que podemos adicionar elementos coreanos e ainda assim será música brasileira", disse uma das meninas que tocava um surdo enorme.

Na segunda vez - ontem - foi um pouco diferente. Era a Noite da Bossa Nova. Passaram um documentário sobre a história da Bossa Nova no Brasil e eu, que não sabia de muita coisa, aprendi bastante. Depois eles mesmos tocaram famosas músicas do estilo, até altas horas. Com a presença extraordinária de sete brasileiros (nóis!) a festa se estendeu até depois das 2h da manhã. Para a maioria deles, que nunca foi ao Brasil mas adora nossa música, conhecer a gente é como conhecer personagens de uma terra imaginária, muito, muito longe. E por isso nos agradaram, tocando tudo o que pedíamos, de Milton Nascimento a Legião Urbana.

E a prosa lá ficou tão boa que nem lembrei de tirar foto. Só gravei alguns momentos da Bossa Nova: "Desafinado" e "Chega de Saudade".



E achei também no Youtube um outro vídeo deles, num momento de batucada espontânea, quase que de terreiro... :) Com liberdade pra dançar e usar bigode postiço (vale tudo)! Realmente, essa mistura que resultou do ritmo brasileiro é mais que um grupo. É um estilo alternativo para uma sociedade estressada e corrida.