Semana passada finalmente tirei férias de verdade. Fui para uma cidade no litoral leste chamada Sokcho (속초), que é famosa por abrigar o Parque Nacional de Seoraksan, onde obviamente fica o monte (san) Seorak.

De Seul a Sokcho: mais ou menos 3h30 de ônibus.
Eu gosto tanto de praia quanto de montanha. Eu só não gosto de muvuca. E a Coreia do Sul, por razões demográficas, não é um país em que seja fácil fugir das multidões. No entanto, Sokcho me pareceu uma bela alternativa para quem procura sossego. Talvez porque não fosse fim de semana e ainda não começou a alta temporada oficialmente (que são as 3 primeiras semanas de agosto).

Para quem quer ver um bom exemplo de praia lotada na Coreia, aqui vai a mais famosa, a praia Haeundae, em Busan:

Tubarão aqui tem até dor de barriga!
E agora compare com a praia Seorak, em Sokcho:

Tubarão aqui precisa do Bolsa Família pra sobreviver.
Não tem nem comparação né? Mas há coisas que não mudam, não importa a que praia você vá na Coreia. Note por exemplo, na foto da praia de Busan, quantas boias amarelas (que aqui eles chamam de "tube", 튜브). Acho que nunca vi no Brasil gente grande usando essas boias na praia. É coisa mais de criança, ou estou enganado? Pois aqui é normal. E até regra: vai para a praia, tem que alugar uma boia amarela. É que eles têm uma preocupação enorme com a segurança. Até cercam a área em que se pode nadar. Nessa praia, por exemplo, não nadei em nenhum lugar que não desse pé. A cerquinha não deixava!

O motivo é óbvio: muita gente já se afogou antes. Eu mesmo já conheci muitos coreanos que não sabem nadar, e pelo jeito isso é comum aqui. Em Cheongju, eu fazia natação numa piscina de proporções olímpicas, porém eles colocavam um "palco" no fundo, de modo que desse pé para todos! Só uma ou duas raias não tinham o fundo elevado. É mole? Lembro que tinha uma fila de uns 30 adultos numa raia só, fazendo exercícios bem infantis, de quem está aprendendo nadar do zero. Não sei se vocês leitores tiveram experiências parecidas, mas lembro que quando eu era criança, quem não soubesse nadar até os 10 anos era uma vergonha na minha cidade (que fica beeeem longe do mar). Todo mundo dava um jeito de aprender nem que fosse o nado de cachorrinho, e mesmo que engolisse uns bons litros de água.

Ji Young, a criança feliz com sua boinha amarela!

Mas voltando à praia. Outra coisa que qualquer brasileiro não deixa de notar e estranhar é o fato de as pessoas simplesmente não tirarem suas roupas para entrarem na água. Minha mãe se espantou quando viu as fotos. Nunca tinha visto nada igual. Sim, os homens usam sunga, e as mulheres, biquíni... por baixo das roupas! Os homens mais ousados tiram a camisa, e apenas as mulheres totalmente confiantes de que seus corpos se enquadram no padrão de beleza coreano usam só o biquíni (que nem de longe é pequeno como os que vemos no Brasil). O restante entra na água com bermuda, camiseta, óculos, chapéu, enfim, o que der pra proteger! Outro motivo para fazerem isso é o medo horroroso que as mulheres coreanas têm de ficarem morenas. Aqui, quanto mais "branco azedo" (como diria minha avó), melhor.



Outra coisa que gostei em Sokcho foi a proximidade das praias e do monte Seorak. A cidade em si é como muitas cidades pequenas do interior coreano: não muito moderna, menos desenvolvida, mais pobre. Mas, sinceramente, o preço que paguei por uma pousada de frente a essa praia é muito menor do que eu teria que pagar numa pousada do mesmo nível a 3km da praia Haeundae em Busan.

Pousada Yemesong (propaganda)
Site: http://www.yemesong.co.kr/
Varanda e outras pousadas ao fundo.
Mesinha para tomar café.
E como quase toda pousada na Coreia (que aqui eles chamam de "pension", 펜션), tem sempre um local apropriado para você fazer um churrasquinho. Só não tirei a foto do lugar, mas é sempre muito conveniente.

No último dia, finalmente fomos ao monte Seorak, que fica a apenas 15 minutos de ônibus da praia, e custa só ₩1,000. A entrada no Parque Nacional de Seoraksan custou uns ₩2,000 (acho) e o bondinho até o topo da montanha ficou em ₩8,000 por pessoa.




Ajoshi dando uma espiadinha.

E lá em cima ainda tem um bocado pra escalar por conta própria! 
Mas a vista com certeza compensa o sacrifício.
E na volta paramos para refrescar no riacho ao pé da montanha.