Foto daqui
Quando resolvi fazer especulação política, tive uma bela surpresa: a participação dos jovens nas eleições de 2 de junho aqui na Coreia foi a maior de todos os tempos. E a participação geral foi a maior em 15 anos, com 54,5% dos eleitores comparecendo às urnas. (Fonte: NYTimes)

O resultado foi que o partido da oposição ganhou na maior parte das cidades e províncias, surpreendendo o partido do governo, que vinha fazendo suas piruetas pra atrair a atenção do eleitorado. E outra: as pesquisas indicavam vitória esmagadora do partido de Lee Myung-bak. Pesquisas essas que já eram estranhas, tendo em vista a impopularidade do tio presidente. Credibilidade total hein?

Mas pra não desfazer do meu último post, vamos ver o copo como "meio vazio". Afinal, são 45,5% dos eleitores que não votaram! Entre os jovens, não vi nenhum número oficial. Os jornais só falam que a mobilização foi grande. No meio em que vivo, no entanto, minha percepção não mudou. Não conheço um só coreano, entre 20 e 30 anos, no meu departamento que tenha votado. A Denise até sugeriu no Twitter que pudesse ser uma diferença entre Seul e as outras cidades. Mas segundo o The Korea Times, a participação nas urnas, em média, foi mais alta nas outras cidades do que em Seul.

É a tal coisa: Se 20% dos jovens votavam, e agora são 30%, o aumento é espantoso, mas no final ainda é pouco. A sociedade coreana está mudando, não tenha dúvida. Mas acho que ainda vão mais umas duas levas de ajoshis até os jovens sentirem que têm poder de decisão nas questões importantes.

Ah, e tem também outro fator importante: os jovens dão muito mais importância às eleições presidenciais, e tendem a ignorar as locais. Isso fica claro na figura ao lado (do mesmo artigo do KT), que compara a porcentagem dos eleitores coreanos entre 20 e 30, e entre 60 e 70 anos que votaram em eleições passadas. Os jovens nunca chegaram aos níveis dos mais velhos, mas a participação deles foi significativa nas eleições nacionais.

Só espero que os jovens coreanos não estejam apenas seguindo ordens, como a pesquisa Data-Henrique apurou. Numa mesa de restaurante em que eu almoçava, 3 entre 4 coreanos em seus 20 e poucos anos disseram ter votado em quem o pai ou a mãe mandou.