Finalmente vou escrever algo sobre a viagem ao Vietnã na semana passada. Mas vou deixar as fotos bonitas e os vídeos pra próxima. Agora vou só falar sobre o propósito da viagem e algumas coisas que aprendi.

A viagem foi promovida pela universidade, e o objetivo era conhecermos de perto projetos de desenvolvimento e órgãos financiadores, como o Banco Mundial, KOICA, Exim Bank, etc. Foram muitas palestras e explicações, de modo que a viagem não nos deixou muito de folga.

Palestra no Ministério do Planejamento do Vietnã
Banco Mundial


A palestra no Banco Mundial foi uma das que mais me impressionou. Primeiro porque eu pude ter uma noção da pobreza do Vietnã e como eles precisam de ajuda externa. Segundo porque o presidente do Banco Mundial no Vietnã se mostrou muito otimista, dizendo que dentre todos os países em desenvolvimento, o Vietnã é o que mais colabora e trabalha numa verdadeira parceria com os doadores e financiadores, sem aquele orgulho besta estilo Kim Jong-il, que deixa seu próprio povo passar fome pra não ter que reformar suas políticas falidas.



Um exemplo simples de um projeto que implantaram recentemente é o de educação no trânsito. Quando vi os números, meu queixo quase caiu, porque num país em que 90% dos motoristas dirigem motos, acidentes matam mais do que qualquer guerra todos os dias. Se você vir a zona que é o trânsito vietnamita, não sabe nem por onde começar a trabalhar para melhorar. Eles começaram num item básico: o capacete. Há 2 anos atrás, dizem que ninguém usava capacete ao andar de moto! Injetaram milhões em campanhas, e até desenvolveram uns capacetes que ficam trancados na moto para não serem roubados, e hoje todo motociclista usa capacete no Vietnã. Parece coisa à toa, mas as vidas que são salvas impactam e muito na economia do país. Lógico que tem muita coisa a ser feita, mas é bom ver que está melhorando.


Fomos também a uma ONG coreana que se chama "Viet-Korea". Eles trabalham com comunidades rurais muito pobres, levando vários projetos para ajudar a aumentar as rendas das famílias. Um dos projetos se chama "Banco da Vaca" (Cow Bank), pelo qual eles financiam vacas para ajudar na agricultura familiar. Esse foi um dos momentos de que mais gostei, porque nos levaram lá pros cafundós onde o Eisenhower perdeu a cueca. Foi emocionante ver a abertura das pessoas com a gente! Todo mundo ri de tudo, até nos becos mais miseráveis.







A visita à KOICA também foi interessante. Gostei de ver o papel que a Coreia do Sul assumiu em ajudar países pobres, simplesmente porque o desenvolvimento sul-coreano dependeu enormemente de ajuda externa e eles sentem a obrigação de retribuir. E eles sabem que é possível fazer muito e em pouco tempo. A presença coreana no Vietnã é tão forte que as pessoas na rua sabiam falar várias frases em coreano. No mercado, por exemplo, os vendedores já aprenderam a dizer os preços todos em coreano.


Enfim, aprendi muito nessa viagem. Me deu muita vontade de voltar para trabalhar como voluntário no Vietnã. Lógico que nos divertimos e passeamos em lugares lindíssimos também, mas isso fica para um próximo post. Por enquanto, fiquem com um vídeo do engarrafamento de motos em Hanoi. Abraço!