Logo depois da Guerra da Coreia (1950-53) houve um boom na taxa de natalidade na Coreia do Sul. Só a galera que nasceu entre 1955 e 1963 corresponde a quase 15% da população sul-coreana hoje. Proporcionalmente isso é muita gente! E essa geração foi e ainda é um dos principais pilares da economia do país.

No entanto, neste ano a primeira leva dessa geração começa a se aposentar, e isso é preocupante. Esses coreanos que praticamente reconstruíram seu país com as próprias mãos não receberam muita ajuda - financeira e educacional - de seus pais. E hoje eles têm que arcar com os altos custos de educação de seus filhos e sustentar seus próprios pais.

Ou seja: eles estão espremidos entre a geração anterior, que não teve melhores oportunidades de trabalho e educação, e a geração posterior, que demanda investimentos maiores e durante mais tempo para entrar nesse ultracompetetitivo mercado de trabalho.


O que vai ser da Coreia do Sul quando toda essa turma se aposentar? Meu palpite é que muitos vão acabar continuando a trabalhar informalmente. Mas um dado do The Korea Times (que, aliás, foi de onde eu tirei esse assunto) me espantou: 7% desse pessoal diz ter considerado o suicídio, tamanha é a pressão financeira que sofrem por causa dos seus pais e filhos.

E o pior é que as perspectivas são de que essa seja a última geração a sustentar seus pais, um costume tradicional na Coreia e que vai ter que ser repensado por motivos econômicos. Os jovens de hoje são os que mais recebem ajuda dos seus pais e os que menos poderão ajudá-los.

Mas por que é que esse assunto interessaria a um brasileiro? Se você der uma olhadinha nos movimentos demográficos do nosso país, vai notar que a Coreia está passando agora pelo mesmo que vamos passar logo mais. Com alguns agravantes: um rombo na previdência já existente e níveis educacionais da população entre 18 e 30 anos incoparavalmente menores que os sul-coreanos.

Precisamos ficar de olho pra ver como a turma daqui vai resolver esse problema, então a gente aumenta a escala, faz uma fórmula mágica e vê se a minha geração vai conseguir se aposentar tranquilamente.