Depois de uma looooonga viagem de volta, aqui estou novamente na Coreia! E ontem, logo que cheguei fui superbem recepcionado. Após 13 horas até Hong Kong, 4 horas de espera e mais 3 horas e meia até Incheon, peguei o metrô do aeroporto até Seul, mas quando cheguei lá, a linha que eu tinha que pegar para a estação de Suwon já estava fechada, porque já passava de meia-noite.

Lá fui eu para a estação Sadang para pegar um ônibus que demora uma hora, mas me traria à minha casa. No ponto do ônibus, como sempre, havia uma fila enorme para pegar o número 7000, já que pela Lei de "Mópi", é a linha mais procurada nos horários em que mais estou cansado.

Eu estava morrendo de fome. Repito. M-O-R-R-E-N-D-O. De fome.

Então, enquanto esperava no meio da fila vi uma ajumma vendendo uns sandubas a uns 30 metros. Cutuquei no ajoshi que estava na minha frente e pedi, educadamente, que desse uma olhadinha nas minhas malas e guardasse meu lugar na fila por 3 minutos enquanto eu ia lá comprar meu sanduíche de gororoba coreana. Ao que o ajoshi, deseducadamente, respondeu: "Ahhh! Xiró!" (아, 실어!, que significa "Nem pensar! Detesto isso!"). E com a entonação de ajoshi velho e resmunguento que morde a fronha que mais me dá raiva. Nem preciso dizer que fiquei "raparigo" da vida né. Xinguei o cara em português e ele ficou lá me olhando com cara de "volta pro seu país, ô infeliz!" e virando os cantinhos da sua boquinha coreana pra baixo, como nos quadrinhos.

Por mais uma ironia do destino, ele foi até o ponto final comigo, quando o ônibus já estava vazio. Acho que pela minha cara de fome e cansaço, ele acabou ficando com peso na consciência e veio falar comigo assim que descemos.

Ajoshi: "Você é estudante aqui na Kyunghee?"
Eu: "Sim."
Ajoshi: "Por acaso você é do Irã?"
Eu: "Não, sou do Brasil."
Ajoshi: "Ahhh! Então me desculpa! Falei com você daquele jeito porque achei que você fosse do Irã. Do Brasil eu gosto! Pelé, Ronaldo, samba..."

E fez aquela carinha feliz de desenho japonês, como se sua resposta preconceituosa justificasse tudo.