Acabo de receber minha segunda massagem desde que cheguei à Coréia.

A primeira? Ah, sim! Não foi exatamente uma massagem completa. E nem foi esperada. Foi quando cortei cabelo aqui pela primeira vez. Não sabia aonde ir e tinha a impressão que cabeleireiro nenhum aqui saberia cortar cabelo mais grosso e estranho como o meu. Mas lá fui eu ao centro, num salão que tinha um jeitão de profissional. A dona do lugar falava um inglês mais-ou-menos e nos recebeu superbem. A Oana estava comigo, mas enquanto eu cortava o cabelo ela saiu pra olhar roupas. A mulher começou a sessão de perguntas enquanto outra cabeleireira fazia o serviço:

"De onde você é?", perguntou.
"Brasil", respondi.
"Oooohhh!", fez cara de espanto. "Sua namorada também?"
"Ela não é minha namorada. Mas ela é da Romênia."
"Ah, sim."
Parou por uns 30 segundos e continuou:
"Então, quando vocês pretendem se casar?"
"Ela NÃO é minha namorada..."
"Ah, sim..." e fez cada de nada.
Depois de fazer alguns elogios ao meu nariz (!) e minha sobrancelha (?) ela volta a perguntar:
"E onde você conheceu sua namorada?"

A essa altura desisti de dizer que a Oana não era minha namorada, e por fim a gente vai se casar no ano que vem. Assim ela mudou de assunto.

Terminado o corte, ela reapareceu:
"Vamos lavar seu cabelo agora."
Outra coreana. Fiquei de olhos fechados o tempo todo, e acabei imaginando uma jovem, bonita. Começou a lavar meu cabelo. Sensacional! Não era apenas "lavar". Ela massageava minha cabeça e pescoço enquanto lavava. Demorou uns 25 minutos. E enquanto ia lavando ela dizia: "Bonitas sobrancelhas!" e ainda "Você é bonito..." e completava "...muito bonito!". E quando terminou de lavar fez uma massagem de 5 minutos nos meus ombros. Pronto. Eu podia morrer ali, naquele momento. Morreria feliz e relaxado. Meu ego na Coréia está chegando a níveis perigosos. Alguém aí do Brasil, por favor me lembre da minha feiúra de vez em quando!

Essa foi a primeira massagem. A segunda foi hoje. Há algumas semanas eu vinha sentido dores nas costas. Mas ela piorou no dia em que jogamos futebol no frio sem aquecer ou alongar. Não sei se já contei, mas arrasei no futebol. A rapaziada no Brasil deve tá rindo e me chamando de mentiroso, mas acredite: jogar contra coreano é mamão-com-açúcar! Os caras deixam você fazer o que quiser com a bola, e têm medo de entradas fortes para tirá-la de você. Foi meu momento de glória! O problema foi no dia seguinte. Mal consegui me levantar. Travou a "cacunda". Não conseguia nem agachar para amarrar o tênis. A dor foi melhorando aos poucos e eu procurei me alongar durante 30 minutos todas as manhãs. Mas fiquei preocupado mesmo quando a dor voltou depois de um jogo pesado de pinguepongue contra a Oana. Ela praticava pinguepongue na Romênia e ganhou de lavada. No dia seguinte, dor de novo! Fruto de alguns anos de sedentarismo agudo. Então resolvi ir ao médico ontem para ver o que era. Apenas confirmou minhas suspeitas: falta de fexibilidade, má postura, entre outros. Deveria começar uma terapia de 3 semanas para que eu pudesse voltar à vida de exercícios sem preocupação. Ele disse que seria massagem e fisioterapia, todos os dias.

Lá fui eu hoje, depois da aula. Mas desta vez me enganei um pouco com a massagem. A primeira coisa que notei é que havia apenas uma mulher com cara de massagista e várias pessoas chegando e entrando nas cabines de massagem da clínica. A massagem era, na verdade, feita por uma máquina, e não pela mulher. Ô, tristeza. Mas foi muito relaxante. Deitei na cama, com uma bolsa quente por baixo das minhas costas. De repente começa o "tum-tum-tum". A cama em si é a máquina e já estava surrando minhas costas, dos ombros aos pés. É como se tive um Jackie Chan debaixo de cama te enchendo de golpes. Depois de uns 20 minutos chega a mulher para desligar e começar a outra etapa. Pregou uns sensores na região lombar (onde estava doendo) e começou a dar choque. Era uma seqüência de choquezinhos que iam dançando pelos nervos.

Adorei a experiência e não vejo a hora de chegar amanhã para ir de novo! Ainda bem que o plano de saúde que a nossa bolsa nos dá cobre tudo isso.

Só senti falta da máquina elogiando minhas sobrancelhas...