Tem muita coisa que eu poderia postar agora. Estive ausente durante mais de uma semana porque meu computador deu um problema na tela e tive que mandar trocar. Enquanto isso tivemos dias bem ocupados por aqui, com algumas burocraciazinhas e, graças a Deus, algumas viagenzinhas também. Fomos para Seul para uma orientação do NIIED, órgão do governo coreano que nos concedeu a bolsa de estudos, como a CAPES ou o CNPq no Brasil. Mas sobre esta viagem eu conto em detalhes depois.

Agora quero apenas compartilhar minha intensa experiência com os banheiros coreanos. Banheiro (e suas variações), em qualquer lugar do mundo, é parte essencial da vida do ser humano (ou "cero mano", segundo pérolas do ENEM). Por isso minha relação com o dito cujo aqui tem sido de amor e ódio. Seguem abaixo alguns breves relatos.

Dia 27 de agosto: o primeiro contato. Entrei no dormitório, deixei minhas coisas no quarto e fui à procura do bendito banheiro. Lá estava ele, de portas abertas, sorrindo para mim. Entrei, mas antes de "reinar", procurei o interruptor para acender a luz. Nada. Cadê o treco? Minutos de tensão (mental e física!). Não acreditei quando descobri que o interruptor que acende a luz dos banheiros aqui fica do lado de fora! "Jesus que me abana", como diria a Ludy. E se alguém apaga a luz enquanto você está trabalhando pesado? Como vou saber se fiz o serviço bem feito? E como vou saber se ficou limpinho?!

Dia 20 de setembro: o susto. Fui para Seul sozinho, por conta própria, para sentir o gostinho da aventura e para levar meu computador na assistência da Apple de lá. Peguei o ônibus, cheguei na rodoviária em Seul e, graças ao Juliano (gente fina, visitem o blog dele para mais aventuras brasileiras na Coréia: Kimchi com Café, link do lado direito), eu decidi que pegaria o metrô para chegar aonde precisava. Depois de muito rodar no sistema, indo de linha em linha, meu intestino decidiu que era hora de uma relaxada. Entrei num banheiro masculino da linha 7, que, premonitoriamente ou não, segundo o Juliano era a linha "cor de cocô" (pra eu não errar). Primeira cabine: sem papel higiênico. Segunda cabine: sem papel higiênico. O mesmo se repetiu nas outras cinco cabines. Poxa! Tanto papel higiênico nas mesas de restaurante aqui, e nenhum no banheiro. Mas na cabine para deficientes físicos, ah!, essa sim tinha papel. Mas para minha surpresa era um vaso eletrônico, o que, àquela altura, não importava tanto.
O problema foi quando terminei minha empreitada. Quem disse que eu achei o botão da descarga? O vaso eletrônico tinha uns 8 botões, e todos em coreano! Tentei o primeiro. Um barulho. Algo surgiu de dentro do vaso. Um caninho, que veio devagarinho, virou a pontinha pra cima e... zássss!!! Espirrou água com uma pressão que dava pra lavar as nádegas de um elefante! E se eu não tiro a cabeça curiosa da frente, dava-me uma esguinchada na cara! O pior é que não parava de sair água e ela começou a escorrer pelo banheiro a fora. "Faça alguma coisa", pensei. Outro botão. Parou? Não. O caninho virou pra baixo e começou a rodar! Até que apertei um botão e parou tudo. Desisti da descarga. Deixei de herança uma obra prima brasileira, para coreano nenhum botar defeito.

Dia 25 de setembro: o quase-susto. Fomos a um bar aqui em Cheongju. Lugar bacana. Sofá em todas as mesas, com um buraquinho congelador pra colocar o copo em cada lugar pra bebida não esquentar. Hora de ir ao banheiro. Agatha e eu, procurando o bendito. Segue a plaquinha com os bonequinhos, né. A plaquinha deu no mesmo lugar. Ahn? Isso mesmo. O banheiro era um só! Detalhe: não tinha porta. Banheiro aberto. Com os mictórios na entrada e os vasos mais adiante. A rapaziada faz xixi ali, na frente das meninas. Lá fui eu vivenciar o momento único (ou não, porque gostei do bar e devo voltar). A sensação é muito estranha! Você lá, liberando o líquido que vem do fundo da sua bexiga, com meninas indo e vindo atrás de você. A Agatha, do outro lado: "Já terminou?". Eu: "Não, peraí". Ela esperou eu terminar pra não ter que me ver urinando na hora de sair. Agora vai entender uma coisa dessas em um país onde rapazes e moças mal se tocam. Ver o xixizinho do cara, tudo bem. Beijinho na bochecha, não. Que fique claro que foi o único banheiro do tipo que vi na Coréia. Mas ele existe.

Bom, outra hora volto com mais histórias banheiris. Termino a postagem com uma foto que tirei no banheiro da Torre de Seul. Esse, pra mim, foi o melhor de todos. Dá vontade de beber água o dia todo só pra usar um mictório com uma vista dessa.

Abraços!